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“Operação sem Rosto”: PSP sublinha agressões de “extrema violência”. Elementos dos NN Boys recolhiam informações sobre jornalistas

Em conferência de imprensa, a PSP sublinhou o caracter violento e de premeditação dos crimes de que são suspeitos os sete elementos ligados aos No Name Boys detidos esta quinta-feira. Grupo tinha "conhecimento prévio de moradas, veículos, rotinas" e informações sobre "jornalistas, pessoas com cargos de direção em clubes e comentadores de televisão"

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Jean Catuffe

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A Polícia de Segurança Pública (PSP) confirmou esta manhã a detenção de sete pessoas com ligações à claque No Name Boys, do Benfica, no âmbito da operação "Sem Rosto" e em conferência de imprensa adiantou mais pormenores sobre a natureza dos crimes, com o comissário Bruno Penha a sublinhar o grau de "premeditação" e de "extrema violência" de alguma das ações das quais os detidos são suspeitos. A investigação ocorria desde maio de 2019.

"As ações eram levadas a cabo por indivíduos deste grupo [No Name Boys], que vinham a provocar factos numa escalada declarada de violência", sublinhou o comissário. Em causa está "um crime de homicídio na forma tentada, crimes de roubo, agressão qualificada, dano e furto". No que diz respeito a agressões, os factos terão ocorrido "dentro e fora" de recintos desportivos, contanto-se "agressões a agentes de segurança e adeptos", não só de equipas portuguesas mas também estrangeiras. Os detidos são ainda suspeitos de atentar contra estabelecimentos comerciais de adeptos e as autoridades terão provas que se tratam de "ações planeadas". Haverá cerca de duas dezenas de vítimas.

"Tinham conhecimento prévio de moradas, veículos, rotinas. Estamos a falar de situações muito particulares, com agressões múltiplas, em que as vítimas estiveram em risco de vida", disse ainda Bruno Penha, que fala de "ações planeadas, orquestradas". Foram também encontrados nas buscas manuscritos com elementos de identificação e informações relacionadas com "jornalistas, pessoas com cargos de direção em clubes e comentadores de televisão".

"Isto é bem demonstrativo dos impulsos das ações e do grau de planeamento prévio. Haverá claramente uma dimensão organizativa que vai além do normal", disse ainda o agente.

Seis dos detidos estavam já sinalizados, enquanto um sétimo elemento também detido não estava ligado à investigação, tendo sido detido por posse de arma de fogo proibida. Têm idades compreendidas entre os 22 e os 33 anos. A PSP diz que é possível que possa haver ainda mais detidos no âmbito da operação.

Durante a manhã desta quinta-feira foram feitas várias buscas domiciliares, bem como a "espaços que os suspeitos frequentavam", tendo sido encontrados vários "objectos de natureza proibida", como armas de fogo, soqueiras, balaclavas que serviam para os suspeitos ocultarem as suas identidades, bem como artefactos ligados ao Benfica, mas também a outros clubes e sprays utilizados para gravitar frases de intimidação.

Bruno Penha frisou ainda que a violência no âmbito do fenómeno desportivo é algo "prioritário" para as forças de segurança: "Preocupa-nos de sobremaneira os efeitos que podem causar para quem gosta de ir aos estádios. São comportamentos erráticos que têm de ser prevenidos e investigados".

Os detidos serão presentes ao Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa na sexta-feira, quando serão conhecidas as medidas de coação.