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Marítimo 2-0 Benfica: o que tinha de ser, tinha muita força, algum drama e bastante suspense

Isto podia ter-se passado de muitas formas - e consigo imaginar umas quantas, umas caricatas, outras dramáticas - mas nem o futurista mais cínico teria escrito um guião tão implacável assim: o Benfica perdeu contra o Marítimo, no Funchal, e igualou a pior série da sua história centenária (dois triunfos em 13 jogos, em 2000-01). Fê-lo diante do antepenúltimo do campeonato, que tinha sete derrotas nos seus últimos jogos disputados

Pedro Candeias

GREGORIO CUNHA/POOL/EPA

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Isto podia ter-se passado de muitas formas - e consigo imaginar umas quantas, umas caricatas, outras dramáticas - mas nem o futurista mais cínico teria escrito um guião tão implacável assim: o Benfica perdeu contra o Marítimo, no Funchal, e igualou a pior série da sua história centenária (dois triunfos em 13 jogos, em 2000-01). Fê-lo diante do antepenúltimo do campeonato, que tinha sete derrotas nos seus últimos jogos disputados, não jogando necessariamente mal, mas sofrendo golos iguais que expuseram as fragilidades defensivas de sempre nos dois momentos em que Bruno Lage mexeu na equipa. E isto sucedeu depois de dias complicados para o treinador, virtualmente despedido nos jornais, nas televisões e nas rádios sem que o clube tivesse levantado um dedo que fosse a seu favor.

Se a coisa tivesse de acabar, pois então que acabasse com todo o drama e bastante suspense, que a conferência de imprensa ambígua de Luís Filipe Vieira manteve no ar por tempo indeterminado: Bruno Lage pôs o lugar à disposição, Vieira não foi taxativo a assumir se aceitou, mas afinal deu o ok ao adeus do técnico.

Foi impiedoso, é verdade, mas não esqueçamos os jogos que o Benfica ganhou a jogar apenas o suficiente lá mais atrás, com muito menos oportunidades de golo do que as que amealhou logo nos primeiros 20 minutos no Funchal. O protagonista desse período foi Chiquinho, que ao minuto ficou na cara de Amir e falhou, que ao minuto 5 rematou de fora e Amir defendeu, e que cruzou para Vinicius errar também ele na cara de Amir; o guarda-redes iraniano ainda defenderia um tiro cruzado de Pizzi, mais tarde, enxotando com os pés, pernas mãos os lances perigosos do SLB que nasceram de variadas formas e feitios: jogo interior e jogo direto, remates de fora da área e cruzamentos rasteiros.

Ou seja, o Benfica foi estranhamente criativo e para isso terão contribuído a titularidade do mexido Chiquinho e o ferrolho mal-amanhado do Marítimo, que mesmo com cinco defesas abriu espaços bem aproveitados pelo médio português.

Só que, a seguir a isso, o Benfica afrouxou a marcha e a intensidade e o Marítimo como que reequilibrou as forças - e deixou um aviso, que agora sabemos ser premonitório, quando Nanú disparou, todo ele músculo e fibras, para a baliza e passou a bola para um golo bem anulado a Rodrigo Pinho (24’). Esse remate e outro amplamente desenquadrado fecharam as contas dos insulares na primeira-parte.

A segunda-parte prometia mais do mesmo, com o Benfica a controlar as operações insistentemente no meio-campo de um adversário que se mantinha irredutível numa pálida ideia de jogo: defender e defender, e defender um bocadinho mais. Até que o status quo mudou, quando Bruno Lage também mudou a equipa: Samaris, destroçado fisicamente, deu lugar a Rafa e o desajustado Vinicius saiu para entrar Seferovic. Mais balanço ofensivo, menos equilíbrio, os encarnados mantiveram-se ao ataque, o suíço falhou um vistoso mergulho - e a seguir, Pizzi e Cervi foram substituídos por Zikvovic e por Dyego Sousa, e o Marítimo marcou por Correa, com Nanú a deixar o sérvio e Ferro bastante mal-tratados. Quatro minutos depois, aos 78’, Rodrigo Pinho fez de Correa após nova arrancada de Nanú.

O inimaginável aconteceu.