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Em terra onde o medo não ganhou, houve ideias e poucos golos

Benfica empata na casa do Famalicão (1-1) e fica a oito pontos do FC Porto. Pizzi marcou e chegou aos 19 golos na liga. Golo de Guga Rodrigues dividiu os pontos

Hugo Tavares da Silva

Octavio Passos

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A cara de quem ganha é sempre melhor do que a cara de quem não ganha. E os rapazes do Benfica, que concordaram com essa máxima do futebol lembrada há dias pelo treinador, apareceram bem no campo do Famalicão, tradicionalmente difícil e onde costuma haver golos em barda. O ainda campeão nacional jogava depois do FC Porto (3-1 vs. Tondela) para não perder o trono, pelo menos já, e para isso bastava não perder. Acabou empatado (1-1).

A equipa de Nélson Veríssimo entrou bem, quase marcou por Cervi e assumiu logo o jogo. Weigl encaixava-se perto dos centrais para anular a pressão dos dois avançados da casa, permitindo assim um jogo fluído para encontrar os avançados e, principalmente, explorar o vaivém que havia em Nuno Tavares, o jovem lateral esquerdo da Luz. O Famalicão, cansado de dizer ao mundo que veio para a Primeira Divisão para jogar futebol, também começava as jogadas com três atrás, para garantir uma saída com qualidade, mas o Benfica ia afinando a pressão e foi fechando bem os caminhos traçados pelo rival, encaixando homem a homem, bem subido no terreno. Fábio Martins, que aqui e ali mostrava pormenores deliciosos, ia dando soluções por dentro, convidando o passe vertical do central para depois ele tocar de frente para os médios do miolo, permitindo assim a circulação da bola. Os famosos triângulos. Racic também ia ficando bem na fotografia.

Do lado do Famalicão, que desconfiou no início do jogo (75% de posse de bola para SLB aos 15’, segundo o zerozero), foi preciso um abanão de Pedro Gonçalves, um avançado interessante que oferece muitas maneiras de jogar, para espicaçar a equipa. Depois de uma arrancada ambiciosa, Nuno Tavares hesitou à frente de Odysseas e a bola ficou ali entre a glória e a tragédia, acabando por encolher os ombros e seguir para canto. A partir daqui, o Famalicão foi mais Famalicão e ganhou atrevimento. Ou seja, não abdicou de jogar, foi fiel ao que palpita na cabeça do treinador e na alma dos jogadores. Logo a seguir, o guarda-redes grego teve de voar para sacudir um remate malandro de Pedro Gonçalves, um rapaz formado no Sp. Braga que nos últimos tempos fez vida no Wolves.

O interesse do jogo engordou porque esta gente respirava a intenção de jogar, sem demasiadas cautelas e medos. Havia ideias, tanto para jogar como para fechar. E as balizas não foram fantasmas. Houve e haveria mais oportunidades com fartura. A última vez que se encontraram naquele relvado para a liga, em outubro de 93, os adeptos até viram seis golos. Na altura, o Benfica de Toni goleou o Famalicão de Piruta (5-1), com golos de Abel Xavier, João Pinto, Isaías, Rui Águas e Vítor Paneira. Nos entretantos Amarildo deu uma alegria aos da casa.

E as redes da baliza, ansiosas, lá dançaram aos 37’, depois de uma jogada magicada pela esquerda, com Cervi a ganhar metros e a cruzar para trás. Defendi até defendeu o primeiro remate, de Seferovic, mas não descobriu uma maneira de travar o 17.º golo no campeonato de Pizzi. Sim, 17. E no total, em todas as competições, leva 29. Estará em perigo o recorde de Bruno Fernandes? O ex-médio do Sporting fez, numa cantiga que toca apenas para médios, 32 golos, ultrapassando a marca europeia de Frank Lampard.

Octavio Passos

Depois do intervalo, o Benfica voltou a entrar melhor. No fim, houve mais Famalicão, já com o golo do empate do recém-entrado Guga Rodrigues, a seis minutos dos 90, agitando os corações dos adeptos portistas, que afinal estavam apenas a um golo do título nacional. E que belo golo, senhores, é ver o tweet abaixo. Pelo meio desta história houve um passe espetacular de Gabriel para Pizzi, que quase celebrou o 20.º golo na liga. Os melhores registos do médio aconteceram em 2018/19 e 2016/17, com 13 e 10 golos. Um minuto depois, Fábio Martins, que dá tanto show no campo como no Twitter, chutou ao poste com potência.

O árbitro apitou para o final da partida e o Benfica, que sofre golos há seis jogos, empatou também o título do FC Porto, pelo menos por mais uns dias. Nélson Veríssimo não estava satisfeito com o resultado mas, sim, com a exibição. Os encarnados estão agora a oito pontos do FCP, que precisa apenas de um ponto na próxima jornada (ou de uma escorregadela do rival). Os jogos são quentinhos: Benfica-Vitória Guimarães e FCP-Sporting.