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Benfica considera que teve “ato de coragem” por pedir €50 milhões depois de FC Porto adiar reembolso

Domingos Soares de Oliveira diz que Benfica se antecipou a situações mais difíceis. Ganha folga adicional para reforço do plantel, mas defende que não é este encaixe que permitirá pagar ao futuro treinador – não confirmando que, neste momento, haja conversas com Jorge Jesus

Diogo Cavaleiro

João Lima

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A SAD do Benfica conseguiu que perto de 3700 investidores lhe emprestassem €50 milhões e, para o administrador financeiro, Domingos Soares de Oliveira, fazer esta operação foi um “ato de coragem”. Desde logo porque ainda há poucos meses o Futebol Clube do Porto pediu para reembolsar os seus investidores que lhe tinham emprestado €35 milhões apenas em 2021, em vez de este ano, como previsto.

“Não haveria, certamente, muitas entidades que tivessem vontade para avançar nesta altura”, afirmou Soares de Oliveira no evento online que marcou a divulgação dos resultados da operação de venda de obrigações da SAD.

Além da pandemia e de todos os seus efeitos (“um momento diferente do habitual”, numa fase em que “existe um conjunto de incertezas”), houve um emitente (leia-se, o FC Porto) a “adiar o reembolso”. “Poderia criar aqui alguma dúvida. Aquilo que sentimos foi que, efetivamente, os detentores de obrigações, continuaram a fazer uma demonstração de confiança”, continuou o responsável pelas finanças do Benfica.

O clube pede €50 milhões – pelos quais paga 4% de juros e que terá de devolver em 2023 – porque, explica Soares de Oliveira, é o “momento de criar uma robustez adicional do ponto de vista da situação de tesouraria”. “Dá-nos folga adicional relativamente à próxima época desportiva”, explicou. Inicialmente, o Benfica ia pedir €35 milhões, mas logo no primeiro dia da oferta esse montante foi atingido, pelo que acabou a financiar-se em €50 milhões (e, na verdade, até havia procura por €69 milhões).

“Quanto mais disponibilidades, maior a capacidade do ponto de vista do investimento”, respondeu o administrador, quando questionado sobre se vai apostar em reforços do plantel. Só que tal investimento não pode consubstanciar-se numa qualquer “política disparatada”. E não se fala apenas de investimento: “Este empréstimo permite ter a tesouraria necessária para [o clube] encarar todas as suas vertentes de uma maneira mais tranquila”.

Se há mais dinheiro para jogadores com esta emissão, o mesmo não se aplica ao treinador. “Não é o custo ser mais alto ou mais baixo que vai estar dependente do sucesso ou insucesso do empréstimo obrigacionista”. Sobre este tema, aliás, Soares de Oliveira disse que não há qualquer contratação de Jesus a ser preparada e que há apenas uma relação de proximidade entre o presidente da SAD, Luís Filipe Vieira, e o atual treinador dos brasileiros do Flamengo.

Em relação às vendas de jogadores, não há números previstos, assegura. “Não vamos entrar em qualquer processo de vendas com saldos, porque não temos essa necessidade”. É esperar para ver, porque tudo dependerá, diz, do que fizerem os grandes clubes europeus. O mercado de transferências tem estado parado, só agora começando a abrir, depois da paragem ditada por conta da covid-19.

O Benfica estima que a pandemia cause um impacto entre 20 e 25 milhões de euros de perda de receitas só este ano. Para já, o responsável financeiro não prevê a necessidade de, em 2020, fazer uma nova emissão de empréstimos obrigacionistas – até aqui, o Benfica tem feito regularmente operações deste género, sendo que esta é a décima desde 2004 (até para compensar o facto de a generalidade da banca ter fechado a sua torneira ao mundo do futebol, obrigando as SAD a diversificar as fontes de receitas).

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