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Operação Saco Azul: CMVM suspende ações do Benfica à espera de informação

Em dia de confirmação da investigação judicial à SAD do Benfica e a Luís Filipe Vieira, CMVM pede esclarecimentos ao clube

Diogo Cavaleiro

Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, foi constituído arguido no âmbito da Operação Saco Azul

Armando Franca

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Não é possível negociar ações do Benfica na Bolsa de Lisboa neste início de tarde. O regulador do mercado de capitais quer informação do clube, no dia em que a Procuradoria-Geral da República informou sobre o processo Saco Azul, que investiga Luís Filipe Vieira, a Benfica SAD e a Benfica Estádio.

"O Conselho de Administração da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) deliberou, nos termos do artigo 214º e da alínea b) do n.º 2 do artigo 213º do Código dos Valores Mobiliários a suspensão da negociação das ações Sport Lisboa e Benfica - Futebol SAD e outros instrumentos relacionados, aguardando a divulgação de informação relevante ao mercado", indica o comunicado do regulador.

Com a suspensão da negociação, não é possível trocar ações da SAD. Além das ações (que estavam a valer 2,77 euros cada), também não é possível trocar as obrigações que são emitidas pelo Benfica (tradicionalmente, as obrigações colocadas junto de adeptos são um investimento até à maturidade, mas também podem ser transacionadas) - ainda ontem o clube lançou uma nova emissão deste género, que o permitiu financiar-se em 50 milhões de euros.

A CMVM não especifica qual a informação relevante que aguarda por parte da SAD, mas há uma notícia relevante em torno do clube: Há um inquérito "dirigido pelo Ministério Público do DIAP de Lisboa e no qual se investigam factos suscetíveis de integrarem crime de fraude fiscal. No âmbito deste inquérito foram, ontem, constituídos três arguidos, uma pessoa singular e duas coletivas", que o Expresso sabe tratar-se de Luís Filipe Vieira, à Benfica SAD e à Benfica Estádio.

Esta informação envolvendo a constituição de arguidos neste inquérito ainda não foi confirmada pela SAD através do sistema de comunicação da CMVM. Ou seja, neste momento há notícias sobre estes factos, mas nenhuma confirmação oficial aos investidores. Uma das funções do regulador é assegurar que toda a informação disponibilizada aos investidores é completa.