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Jorge Jesus: “Estou habituado a ganhar, vim para ganhar, mas também para unir a nação benfiquista. Não vim para me reformar. Vamos arrasar”

Cinco anos depois de sair, Jorge Jesus foi, esta segunda-feira, apresentado como novo treinador do Benfica. A conferência de imprensa decorreu no centro de treinos do Seixal, com a presença dos 10 troféus que o técnico conquistou durante a primeira passagem (2009-2015). "Vim porque acredito neste projeto. Não vim para melhorar o meu contrato. Não sou o salvador. O salvador serão todos os benfiquistas e toda a estrutura que nos envolver", disse o técnico, de 66 anos

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ANTÓNIO COTRIM/LUSA

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Primeiro, houve palavras de Luís Filipe Vieira

"Hoje começa um ciclo novo no Benfica, juntámo-nos, novamente, os três. Curiosamente, todos somos bairristas e o Benfica, na realidade, é o clube. Jorge, iremos fazer tudo aquilo que esteja ao nosso alcance para que a família benfiquista seja feliz nos próximos anos. Desejamos-te as boas-vindas e digo-te, mais uma vez, que esperamos voltar a ter a hegemonia no futebol português e queremos ganhar na Europa. Conta comigo e com todos os benfiquistas."

E de Rui Costa

"Bem-vindo, bom regresso a casa e que tenhas o maior sucesso neste clube, que será o nosso e o de todos os benfiquistas. Que consigas aumentar os troféus que ganhaste no Benfica. Já sabes, conheces a estrutura toda e cá estaremos, mais uma vez, para te darmos todo o apoio que necessitas para, no final de cada ano, festejarmos com os nossos adeptos e simpatizantes todos os títulos que iremos alcançar."

Depois, microfone para Jorge Jesus

"A todos os presentes, muito obrigado por terem vindo. Agradecer ao presidente, novamente, por acreditar no meu trabalho, no que é a minha competência e da minha equipa técnica. Acredito no projeto do presidente, no presidente a 100% e no projeto que tem para a equipa do Benfica. Quero expressar o seguinte: vim para ganhar, estou habituado a ganhar, mas também vim para unir a nação benfiquista. É muito importante que todos os benfiquistas perceberem o que têm por cima da águia: um, somos todos.

Vim para o Benfica com a mesma vontade de ganhar quando fui apresentado pela primeira vez. Venho com a mesma convicção que estou num clube que pode proporcionar esses objetivos a qualquer treinador. Estou determinado e com muita vontade de ganhar coisas importantes para o Benfica. Não vim para o Benfica para me reformar. O presidente ofereceu-me quatro anos de contrato e disse que não. Quero um ano de contrato. Ele disse um não, dois pelo menos. Fizemos dois anos de contrato.

Não vim para melhorar o meu contrato, vim ganhar menos dinheiro do que ganhava no Flamengo. Vim porque acredito no projeto, nesta nação, e em todas as condições para fazer do Benfica grande, para voltar o prestígio internacional que o Benfica teve durante muitos anos. Quando saí daqui, ganhámos todos os objetivos que havia para conquistar. Neste momento, vim para o Benfica com essa convicção, sabendo que não sou o salvador. O salvador serão todos os benfiquistas e toda a estrutura que nos envolver.

Perdoem-me se vou falar de onde cheguei. Cheguei de um grande clube também [Flamengo], que se uniu à volta do treinador e da sua equipa e por isso ganhámos grandes títulos internacionais. Quero agradecer, do fundo do coração, a forma como me trataram e pelo amor que tiveram por mim. O Flamengo tem 50 milhões de adeptos. Para vir para o Benfica, teve que haver uma causa muito grande. Vim, estou cá, para ganhar por este presidente e pelos benfiquistas, todos unidos."

O Benfica vai voltar a jogar o dobro?

"Não direi que tem de jogar o dobro, porque, se não jogar, voltamos a não ganhar, como aconteceu este ano. Temos todas as condições para fazer uma equipa muito forte. Toda a estrutura do futebol, comandada pelo presidente, de certeza que vai reunir um leque de jogadores para fazermos uma grande equipa. E não vamos jogar o dobro, vamos jogar o triplo."

Vai voltar a fazer da equipa um Ferrari?

"Foi um adjetivo que coloquei pela qualidade que esta equipa tinha. O mais importante agora é colocarem perguntas do presente e do futuro. O passado, como costumamos dizer, não vale nada para lá dos títulos. O que importa é o presente e o futuro e é nesses dois indicadores que me quero focar."

A velha questão da formação

"Todos os clubes portugueses têm de apostar na formação, porque todos são vendedores. O Benfica, nestes últimos anos, tem sido um exemplo disso. O João [Félix] foi vendido por uma verba da qual poucos jogadores no mundo tiveram esse privilégio. O futebol português é vendedor. Se vendes os melhores jogadores portugueses, como queres depois ter uma boa equipa? Não tens. Portanto, o Benfica vai voltar a uma política de ter formação, procurando novos jogadores fora de Portugal. Fazendo uma simbiose e união de qualidade. É essa a ideia que nos levou a vários êxitos e conquistas."

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Que desafio lhe foi colocado?

"Não foi fácil. Só um clube me poderia tirar do Brasil e o presidente convenceu-me a voltar a Portugal. Gosto de desafios difíceis. Este grande clube tem um historial, quem trabalhar nesta casa sabe que é difícil, mas é motivador. Aqui há capacidade estrutural para atingir os objetivos. Para sair de onde sair, onde me adoravam, tinha que ser convencido por algo que me trouxesse nova vontade e um desafio diferente. O presidente foi ao Brasil convencer-me que este era o desafio ambicioso para voltar a Portugal."

Saiu do "paraíso" do Flamengo. Onde está agora?

"Vou tentar conquistar outro paraíso, é isso que me compete a mim e à minha equipa técnica. Como é normal, dependemos de resultados. Mas estamos convictos de que temos capacidade para fazer um grupo, uma equipa muito forte, mas, ao contrário do que se escreve, não vou fazer uma revolução. Vou mudar conceitos e ideias com as pessoas que estão cá. Dentro daquilo que acho que leva ao êxito, vamos tentar fazer uma equipa muito forte para que, no final do ano, possa dizer que voltei ao paraíso.

Não sou o mesmo treinador do que quando saí do Benfica. Estou diferente. Sou muito mais treinador do que quando saí. Tenho ideias muito mais valorizadas, não só para o Benfica, como também para o futebol português. Quando saí, dei uma entrevista em que disse que a linguagem do futebol em Portugal tem de mudar. E quem tem de liderar isso terá de ser o Benfica, porque tem capacidade para o fazer."

Os adeptos que não queriam o seu regresso

"A única coisa que posso prometer aos adeptos do Benfica é o meu trabalho. Não vou chegar ao Benfica como cheguei há 10 anos. Vou chegar com muitos títulos que muita gente ajudou a ganhar. Estou a chegar como treinador que hoje, no mundo, sou muito conhecido. Agradeço ao Benfica, ao Flamengo e à minha capacidade de trabalho. Prometo que vou trabalhar e voltar a dar alegrias aos adeptos, porque é nisso que acredito.

Em função disto, o que posso dizer é que tenho de convencer os adeptos do Benfica. Quando cheguei ao outro lado do Atlântico, ninguém acreditava em mim. Mas, quando saí de lá, choraram por mim. É isso que vou tentar fazer no Benfica."

Conselhos para o novo treinador do Flamengo?

"Amigo, neste momento estamos a fazer a apresentação do novo treinador do Benfica. Não tenho nada que dar conselhos ao novo treinador do Flamengo, ele saberá e vai ter jogadores que o vão ajudar de certeza. O que lhe desejo são as maiores felicidades."

Pode prometer um título europeu em dois anos?

"Primeiro, em Portugal, o grande objetivo é sempre o campeonato nacional. Depois, recuperar o prestígio internacional. No meu tempo, o Benfica chegou a duas finais, que fizeram com que eu fosse um treinador muito mais conhecido. Esse é o caminho. As exigências deste clube também exigem um Benfica internacional, jogando à Benfica na Europa. Agora, para chegares a títulos internacionais, nomeadamente a Champions e a Liga Europa, tens de fazer uma reflexão de tudo. É isso que estamos a elaborar - presidente, eu, o Tiago [Pinto], o Rui [Costa] e com a entrada do Luisão.

Queremos ganhar tudo. Estou habituado a ganhar tudo, não é só para ganhar um campeonato. Queremos chegar, também, a títulos internacionais e é nisso que vamos trabalhar. O que a gente pode prometer é confiança e compromisso e que queremos todos os adeptos do Benfica unidos por uma causa, que se chama Benfica, não se chama Jorge Jesus.

Têm que me julgar pelo meu passado de treinador do Benfica e das outras equipas. Eu sou treinador de futebol, não sou treinador de nenhuma equipa. Ponha isso na vossa cabeça. Trabalho com convicção, paixão, amor e morro por todas as equipas onde trabalho."

Os projetos

"Não há dúvida que os projetos de futebol fazem-se e desfazem-se. Quem toda decisões é que tem de saber o que quer. Neste caso, todos os presidentes de todos os clubes tomam decisões para os seus projetos, que num ano são uns e passado uns anos são outros. O futebol é isso mesmo. A valorização das pessoas tem a ver com projetos que na altura são uns e depois são outros. O novo ciclo do Benfica é agora com um projeto muito mais vencedor."

Cavani e reforços para a próxima época

"Como é óbvio, já temos estado a falar eternamento em relação ao que pode ser o plantel. Acreditamos que temos capacidade para entusiasmar alguns bons jogadores para virem para o Benfica com um objetivo definido. Não importa falar em nomes, importa é trabalharmos e termos a certeza de quem podemos contratar. Sabemos os alvos que queremos. O presidente e a estrutura sabem até onde podem chegar e temos de ser conscientes para satisfazermos os objetivos.

O Benfica tem um leque de jogadores de muito valor que vão continuar nesta casa e, com a ajuda de outros, vamos fazer uma grande equipa e vamos arrasar."