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O Bom, o Mau, o Herói e o Vilão do Benfica - Sp. Braga

O Benfica venceu o Sp. Braga por 2-1 no teste mais complicado que teve nesta pré-época. Tão complicado foi que o Sp. Braga foi, na verdade, a equipa mais organizada e perigosa grande parte do tempo

Lídia Paralta Gomes

ANTONIO COTRIM/EPA

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O bom

Os 20 minutos iniciais do Benfica estarão mais próximos daquilo que Jorge Jesus quer da equipa. Mesmo com muitas ausências, que obrigaram Jesus a utilizar uma linha defensiva de recurso, os encarnados entraram a pressionar alto, a impedir o Sp. Braga de sair a jogar, com Pizzi e Taarabt a dominarem os espaços e com facilidade a colocar a bola na frente. Foi um início dominador, onde se viu o trabalho do treinador, mas a quebra foi repentina e preocupante - e nem as ausências justificam.

Porque a partir dos 20 minutos o Sp. Braga foi de longe a equipa mais madura e organizada, com André Horta em destaque na 1.ª parte - é dele que sai o passe para o golo de Paulinho aos 30 minutos e a sua dinâmica foi sempre um problema para a defesa do Benfica, como seriam na 2.ª parte Francisco Moura e Nico Gaitán.

Não é surpresa que o Sp. Braga tem um bom plantel, mas tem também uma ideia de jogo da qual Carlos Carvalhal não abdicou mesmo depois de uma entrada difícil, em que os minhotos foram manietados pelo Benfica. Este Sp. Braga quer ter a bola e a partir dos 20 minutos de jogo teve-a quase sempre com mais qualidade que o Benfica. É uma equipa que constrói bem, que ocupa bem os espaços e com um plantel profundo: mesmo com as substituições, a qualidade não decresceu.

O mau

A quebra de rendimento do Benfica e a falta de soluções que os encarnados mostraram ter principalmente na defesa. É certo que não estiveram Rúben Dias e Vertonghen, que serão titulares, e Grimaldo ainda está à procura de ritmo, mas há muito trabalho pela frente para Jorge Jesus num setor do campo em que o trabalho do treinador português costuma ser muito personalizado.

Pela negativa também a aparente falta de frescura física do Benfica. Logo no início da 2.ª parte viram-se muitos jogadores em dificuldades. E a 3.ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões está a apenas duas semanas de distância.

Do lado do Sp. Braga, a entrada difícil não mancha um jogo em geral de grande qualidade, mas os dois golos do Benfica nascem de situações em que a defesa falhou, mais visivelmente no 2-1, em que Sequeira entrega a bola a Vinícius, a redimir-se com dois golos depois de uma entrada em que esteve fora do jogo - e logo na melhor fase do Benfica.

Bom regresso de Nico Gaitán à Luz

Bom regresso de Nico Gaitán à Luz

ANTONIO COTRIM/EPA

O herói

Do lado do Benfica, Pizzi pareceu sempre o jogador mais entrosado na ideia de jogo de Jorge Jesus. Taarabt, na 1.ª parte, foi o jogador que melhor tratou a bola, com um par de desmarcações que atestam a fantástica visão de jogo do marroquino. Pena ter estragado tudo na 2.ª parte, com uma expulsão desnecessária - e também aqui se percebeu que, neste momento, o Benfica não é uma equipa com os índices físicos desejáveis.

Carlos Carvalhal rodou muito a equipa, mas ainda assim vários jogadores deixaram excelentes indicações. Na 1.ª parte, um descomplexado André Horta foi o motor da melhoria dos minhotos e a seguir ao intervalo o Estádio da Luz, ainda que vazio, voltou a ter a oportunidade de ver jogar Nico Gaitán. Muitas dúvidas haverá sobre a capacidade física do argentino, mas em 45 minutos, e sem necessidade de correr muito, o antigo jogador do Benfica fez tudo bem. Pode já não ser o jogador de outros tempos, mas continua a ter magia no pé esquerdo, para lá da tomada de decisão, sempre certeira.

Interessante também a entrada de Francisco Moura e de Samuel Costa, dois jovens da formação do Sp. Braga, a mostrar na Luz que, de onde veio Trincão, virão mais.

O vilão

O Benfica entrou em campo com dois reforços, Gilberto a lateral-direito e Everton na frente. Nenhum dos dois foi particularmente feliz, mas o lado direito da defesa deverá preocupar mais Jorge Jesus. Entre erros de posicionamento, cortes comprometedores e uma aparente falta geral de ritmo, Gilberto precisa ainda de muito trabalho para dar garantias ao treinador português, numa posição em que o Benfica há muito não acerta uma contratação.

De resto, a expulsão de Taarabt terá também condicionado os objetivos de Jorge Jesus para a 2.ª parte - ainda assim, foi com 10 que o Benfica chegou à vitória. Uma vitória que, diga-se, não fez por merecer.