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Um recibo de uma ótica de Alverca foi a chave para libertar membro dos NN Boys suspeito de tentativa de homicídio

Arguido da "Operação Sem Rosto" conseguiu demonstrar que estava a mais de 50 quilómetros do local das agressões e vai ficar sujeito a apresentações periódicas. Esteve três meses privado de liberdade

Rui Gustavo

FOTO JEFF PACHOUD/AFP VIA GETTY IMAGES

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Um recibo de uma ótica de Alverca foi a chave para tirar a pulseira eletrónica do tornozelo de um dos seis suspeitos de atacar à martelada, facada e murro um adepto do Sporting e membro da Juventude Leonina, claque rival dos No Name Boys.

O arguido, que está indiciado pelo crime de tentativa de homicídio de João A., conseguiu demonstrar ao tribunal que, 18 minutos antes das agressões, estava em Alverca a comprar uns óculos. E que lhe teria sido impossível percorrer os mais de 50 quilómetros que separam Alverca de São João do Estoril, onde ocorreram as agressões, nesse período de tempo.

Óscar Ferreira, o procurador do Ministério Público encarregado da investigação, considerou que apesar de difícil não seria impossível fazer o trajeto em 18 minutos e opôs-se à libertação do arguido, mas acabou por mudar de posição e concordar com o pedido de libertação da defesa. Avjuíza de instrução Margarida Gaspar, decidiu-se pela libertação imediata do suspeito que está agora sujeito à medida de coação de apresentações semanais no posto policial da área de residência.

Quando foi detido, há mais de três meses, este arguido disse imediatamente que não tinha estado presente nas agressões mas não foi capaz de dizer onde estava. Mais tarde, através do do recibo da ótica foi capaz de reconstituir o que fez naquele dia. De acordo com uma fonte judicial, a polícia deslocou-se à ótica em questão e o suspeito foi reconhecido pelos funcionários.

Os outros cinco arguidos do processo continuam em prisão domiciliária depois de terem estado um mês e meio em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Lisboa.

De acordo com as suspeitas recolhidas pelo Ministério Público e pela PSP, este grupo de seis adeptos é responsável por vários ataques, tendo o mais grave quase custado a vida a João A., membro da Juventude Leonina. Este adepto foi emboscado quando regressava a casa, na zona de Cascais, e foi atacado por um grupo de vinte No Name Boys. Levou três facadas, várias marteladas na cabeça mas conseguiu sobreviver. Por sorte, um polícia passou pelo local do crime quando se deu o ataque.

Um suspeito que a polícia não conseguiu identificar esfaqueou-o três vezes: num braço, numa perna e no peito. O último golpe perfurou-lhe o pulmão esquerdo. Outro suspeito partiu-lhe o indicador da mão direita. E alguém gritou: “Vais morrer, filho da puta. Benfica! No Name Boys! No Name Boys!”

O suspeito agora libertado só está indiciado pelas agressões a João A. e por isso a juíza de instrução aligeirou a medida de coação.

Ainda não há acusação do Ministério Público.