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Benfica deu autorização para Novo Banco falar dos empréstimos. Ramalho diz que clube tem "comportamento exemplar"

Presidente do Novo Banco defende que é "injusto" confundir clientes que tudo fazem para manter as contas contas com empresários

Isabel Vicente e Diogo Cavaleiro

Pedro Nunes

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O presidente do Novo Banco pediu ao Benfica para ser levantado o segredo bancário sobre as relações comerciais que unem as duas instituições, para mostrar que, apesar da utilização da linha de crédito de 28 milhões de euros no início deste ano, como noticiou o Expresso, o clube tem reduzido a sua dívida perante o banco.

"Fiz um pedido excecional ao presidente da SAD do Benfica para que me libertasse do sigilo bancário", declarou António Ramalho na comissão de Orçamento e Finanças desta terça-feira, 15 de setembro, depois de questionado pela deputada Cecília Meireles sobre o financiamento. Recebeu a autorização.

António Ramalho considerou que é "inaceitável" juntar esse financiamento ao Benfica, a partir de uma conta caucionada aberta em 2017, com as dívidas de empresas do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, grupo económico que causou perdas de 225 milhões ao banco. "É injusto" fazer essa confusão, com um clube que tem cumprido as suas obrigações.

Sobre a linha de financiamento de 30 milhões, da qual utilizou 28 milhões este ano, já quando a SAD era afetada pela pandemia de covid-19, mostrou que o Benfica tem vindo a reduzir a sua dívida. "O Benfica devia 202 milhões e o Benfica teve este comportamento exemplar", disse, mostrando um gráfico com a diminuição desse endividamento, agora em 28 milhões de euros.

O contrato de financiamento que estava aberto desde 2017 e que foi utilizado em 2020 resulta da reestruturação e liquidação de contratos que vêm desde 2008.

Esse facto é mencionado na notícia do Expresso, que refere que a pandemia obrigou o Benfica a inverter a sua estratégia de se afastar dos bancos, e voltar a utilizar dinheiro por eles emprestados, quando tem tentado financiar-se através das obrigações compradas pelos seus adeptos - aliás, os próprios bancos também estão obrigados a afastar-se dos clubes de futebol.

Ramalho frisou que o Benfica tem também empréstimos obtidos junto do "banco público" e do "banco social". O Benfica tem crédito da CGD e do Montepio, mas em montantes muito inferiores (1,2 e 5,9 milhões, respetivamente), como referido pelo Expresso.