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Jorge Jesus: “Se já estamos a jogar o triplo? Claro que não, nem pouco mais ou menos”

Depois da derrota na Grécia, Jorge Jesus reforçou que o seu Benfica tem muito espaço para crescer e sublinhou que, para lá de um central, não pediu mais reforços. Nem o tal avançado

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Gualter Fatia/Getty

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Recuperação depois da Grécia

"Chegámos ao Porto e a equipa está a recuperar de maneira a chegar a Famalicão para fazer um jogo com mais duração do que aquele que fizemos na Grécia. Lá fizemos 45 minutos muito bons, depois mais 15 na 2.ª parte e na última meia-hora faltou-nos alguma competitividade para podermos jogar ao nível que a equipa do PAOK jogou. Amanhã vamos ter mais um jogo e penso que já poderemos estar muito melhor"

Quem é o favorito?

"A palavra 'arrasar' tem a ver com a confiança que eu tenho no meu trabalho e nos jogadores que tenho e no clube onde estão. Os favoritos são sempre aqueles que ganham, não os que não ganham. O campeão em título é o FC Porto, eu como treinador do Benfica do respeito esse título, mas como treinador do Benfica também o quero conquistar. Portanto, o respeito não tem nada a ver com ambição. O Benfica vai começar a 1.ª rodada - os brasileiros é que dizem rodada… - a 1.ª jornada com um adversário que no ano passado foi a surpresa do campeonato, tivemos sempre dificuldades para lhes ganhar. Jogo difícil mas estamos confiantes. O que nos interessa é abrir com chave de ouro"

Recuperação física e mental

"Uma coisa está ligada à outra. As vitórias são o alimento para todos os problemas que possas ter. Se ganhas, os jogadores recuperam melhor porque a mente do jogador está mais confiante. Esta equipa do Benfica é uma equipa forte mas também com alguma experiência, sabe que está a dar os primeiros passos. Sabemos que vamos crescer muito. As indicações que tive no treino de hoje foram muito boas. Na Grécia não correu bem mas temos muitos objectivos para conquistar. Temos muita confiança na equipa que temos"

Famalicão

"Temos alguma desvantagem para o Famalicão, porque o Famalicão viu o Benfica jogar na pré-época porque a BTV transmitiu e agora tivemos a Champions. Nós do Famalicão não conseguimos ver por isso não temos um conhecimento muito profundo. Mas em função dos jogadores e do treinador e ideia de jogo, temos uma ideia. Temos a certeza que vamos apanhar um Famalicão tacticamente com qualidade, o seu treinador tem uma história de um ano a trabalhar com esta equipa, independentemente de ter mudado alguns jogadores. Não há equipas fáceis. Sinto que este ano o campeonato português vai ter muito mais qualidade, estão a chegar vários jogadores com muita qualidade e isso é bom para o futebol português"

Arrependimento por voltar?

"Não. Quando se tomam decisões - e o futebol tem sempre decisões de risco - estás a pôr a fasquia alta. Isso tem feito parte da minha carreira como treinador, principalmente desde que saí do Benfica até chegar ao Flamengo. Vim com a convicção que íamos ter uma tarefa difícil, mas que íamos fazer uma boa equipa. Estou a conhecer melhor os jogadores ao longo destas cinco semanas e estou convencido que o Benfica vai fazer uma equipa forte e de qualidade. O arrependimento nunca me passou pela cabeça. Não termos passado esta eliminatória motiva-me e o futuro vai ser risonho. Mas isso tem de ser com trabalhar e com a adaptação dos jogadores novos"

Problemas defensivos

"Os golos que o Benfica sofreu, não os sofreu de transição defensiva. A última linha está posicionada. Mas concordo que a equipa ainda não está automatizada dentro daquilo que eu quero defensivamente, como é normal. Naquela linha de cinco, contando com o keeper, há um jogador que trabalhou comigo e isso ajuda um pouco. Não sofremos golos de contra-golpe, mas sim já com o posicionamento defensivo, o que ainda é pior. Quanto aos avançados, não pedi mais nenhum, só disse que temos de ter um avançado que saiba atacar a última linha, que saiba ganhar o espaço. Por exemplo, o Vinícius e o Seferovic não têm essas características, são jogadores que jogam muito bem de costas, que se alimentam muito em função da equipa ganhar cruzamentos, mas não são jogadores que saibam puxar o jogo. É uma características que eu acho que com o Darwin vamos ter. Mas eu não pedi. Dos três avançados que eu tenho, tenho de arranjar maneira de um deles ter características para puxar o jogo"

Contratações

"Não estamos a pedir mais ninguém. Mesmo antes da Champions estava determinado que não ia entrar mais ninguém, a não ser um central. Fomos eliminados e não mudou nada"

Relação amor/ódio com o Brasil?

"Não, está enganado. É uma relação de amor. 50 milhões que me amavam, onde todos os jogos tinham 70 mil a gritar pelo meu nome. Não é ódio. Agora, saí para um outro projecto, para outro grande clube e é natural que… não queria falar muito disso porque o Flamengo é um clube que me marcou muito. Nunca me vou esquecer, nem das pessoas que sempre me trataram bem. Nunca serei ingrato. Perdeste aquilo que mais gostavas por isso eu percebo perfeitamente os comentários do Brasil"

Jogar o triplo

"Eu disse isso porque se não jogar o triplo foi porque se não jogarmos o triplo do ano passado não vamos ganhar. É a lógica natural. Mas se ao final do primeiro jogo, ao fim de cinco semanas, estamos nesse nível? Claro que não, nem pouco mais ou menos. Mas nós acreditamos que temos qualidade individual para o fazer, qualidade colectiva, estamos num clube em que não falta nada. Tudo vai dar certo para o Benfica ter uma equipa com dinâmica, com nota artística, tenho a certeza que vai ter nota artística porque estou a conhecer cada vez mais os jogadores e eles têm talento que me faz acreditar nisto. É com o trabalho, o jogo a jogo, que vamos melhorando. Quero dizer também que estou muito contente por me estarem aqui a fazer perguntas sobre futebol. Fui habituado um ano a perguntas só sobre futebol e é isso que é importante"