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Primeiro que tudo, o Benfica soube como iria defender

Desde o início que o Benfica encostou a linha defensiva à linha do meio-campo, empurrou a equipa a pressionar, com três jogadores, na área do adversário para bloquear o que o Rio Ave mais queria. Encurtou o campo, fartou-se de roubar bolas muito longe da sua baliza e marcou cinco golos, mas só três valeram (0-3, com mais dois de Waldschmidt) para aumentar a vantagem na liderança do campeonato

Diogo Pombo

MIGUEL RIOPA/GETTY

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Um campo de futebol pode ir até aos 120 metros ao comprido e aos 90 de largura, está na lei, o do Estádio Municipal dos Arcos, em Vila do Conde, tem 105 x 68 m. Não é dos mais tímidos, tão pouco entra na conversa dos maiores, mas apequenado fica, e muito, a cada bola que o Rio Ave começa por ter perto da própria área, sinal para o Benfica lhe encurtar um campo fisicamente não encolhível, mas, na prática, bastante apertável.

A mando de Jorge Jesus, certeza das que é possível ter, a equipa alinhou os quatro defesas em cima da linha do meio-campo (onde o fora-de-jogo começa a contar), 105 metros emagreciam para 52,5 e a equipa empurrava-se contra a área do Rio Ave, onde definia a primeira linha de pressão com três jogadores, a caírem com fartura contra cada adversário ou passe possível. O Benfica fazia por chatear, ao máximo, a atividade preferida dos vilacondenses.

Amando tanto a construção curta, apoiada e em posse desde trás, o Rio Ave fiel se manteve à forma como faz as coisas, quis tentar, na mesma, avançar com a bola na relva e no pé dos seus, mas, com 10 jogadores adversários na sua metade do campo, tapadas todas as opções de passe, errou. E errou muitas vezes, forçado pela postura sem bola do Benfica e a fidelidade louvável que manteve à sua maneira de construir jogadas.

Uma delas, no risco com que injetou na bola que Gabriel cortou antes de chegar a Geraldes, que acabou cruzada para a calma e técnica no calcanhar de Everton amortecerem, de primeira, e Waldschimdt rematar o 0-1. Outra, no pachorrento Aderlan que tentou driblar o alemão, foi roubado e o golo não contou por fora-de-jogo do Darwin ao receber o passe na área. E mais uma, noutra bola recuperada em campo alheio que o canhoto germânico recebeu e driblou calmamente até picar o não-golo.

Raras foram as posses de bola em que o Rio Ave engenhou circuitos de passe para ultrapassar a primeira linha de adversários.

Não encontravam a resistência à pressão de Filipe Augusto (o Benfica, em vez de o marcar, bloqueava a linha de passe) e chegar a Geraldes implicava arriscar mais na distância dada aos passes. Quando o conseguiu, notou-se o suposto desenho que ter Nélson Monte, um central, a ser lateral esquerdo sem bola, requeria: tê-lo, com bola, como um terceiro defesa, deixando a ala para Mané e projetando Ivo Pinto à vontade na outra. A equipa não se desenrascava do problema.

Que engrandeceu ao dar tanto campo aberto para Darwin brigar por uma bola longa com um adversário e dezenas de metros nas costas, até à área. Quando lá chegou, esperou a chegada de três jogadores e o passe que deu foi reclamado por Waldschmidt para chegar aos quatro golos no campeonato. Contavam metade dos golos que o Benfica marcara, sobretudo, pelo feitio que escolheu ter quando a bola começava na área do Rio Ave.

A defender, a última linha do Benfica manteve o campo curto até pouco depois da hora de jogo, aí já pulmões arfavam, músculos não respondiam tão rápido e quem apertava na frente tardava um pouco mais a chegar à posição. Darwin, cheio de espaço, ainda rematou após mais uma recuperação alta, mas, a partir daí, a equipa recuou a última linha em 10, 15 metros.

MIGUEL RIOPA/LUSA

Os centrais do Rio Ave já tinham segundos de oxigénio com a bola, a companhia de Filipe Augusto aparecia, o brasileiro virava-se para o campo disponível com ela, mas a equipa não lhe dava hipóteses. Os médios não sacudiam marcações ao movimentarem-se. A queda de Gelson Dala para receber passes no espaço já estava em campo, só que os centrais do Benfica bloqueavam-lhe qualquer receção e obrigavam-no a fugir para lugares onde era inofensivo. Não os ajudava, também, as ações e decisões precipitadas de Aderlan, ao abordar cada bola que se aproximava.

E, até ao fim, optou o Benfica pela contenção, sem ser tão vertical nos primeiros passes depois de se armar em ladrão.

Com Weigl já ao lado do fantasma do Gabriel passado, este já sem receber uma guloseima por cada bola longa e aérea que tentasse, muito mais prático e rasteiro, a fazer jogar em vez de jogar para longe, a equipa atacou com calma, paciência e muita gente perto de onde estava a bola. Tabelou, criou, chegou à área e, a minutos do fim, a recompensa para o brasileiro foi o 0-3 na área, após Seferovic ajeitar-lhe a bola.

Waldschmidt foi, a toda a jogada, um íman de calma com bola, ele atraía, fixava, tocava e arrancava para voltar a receber, enquanto Darwin corria para cingir os dois centrais às suas redondezas e toda a equipa beneficiar das ações destes dois, porque toda a gente, ao mesmo tempo, parecia saber exatamente o que fazer - e quando, e como.

Prova maior continuou a ser a linha defensiva: até quando Nuno Tavares já entrara para Grimaldo experimentar uns ares de extremo, todos se comportaram em reações homogéneas, os apoios de pés virados para os sítios certos consoante a bola, o saber quando sair, ou apertar, ou conter, ou fechar o espaço. O Benfica ganhou porque começou por saber, e depois executar, como queria jogar sem bola.

Encurtou de início o campo para acabar com o relvado bem aberto para gerir a bola. E assim largou para cinco os pontos que já tem de vantagem no topo do campeonato, saindo, contudo, com um agrura de Vila do Conde: André Almeida saiu lesionado, ainda na primeira parte.