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Benfica: ganhar sem atropelos e com o cinco de segurança

O Benfica bateu o Belenenses SAD por 2-0, golos de Seferovic e de Darwin, somando o quinto triunfo em cinco jornadas disputadas na Liga, pela primeira vez de 1982-83, mantendo a mão cheia de pontos de vantagem sobre o FC Porto

Pedro Candeias

Darwin festeja com exuberância o seu primeiro golo na Liga. Já tinha cinco assistências

Gualter Fatia

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Ao 26.º dia de outubro de 2020, dois dias antes do 28.º dia de outubro em que se decide a liderança do Benfica para os próximos quatro anos, soubemos que o presidente dos últimos 17 já contactara há mais de um ano o treinador que foi contratar há meses, após despachar o interino que foi ficando apenas porque o desejado não apareceu.

Talvez não me tenha explicado bem, talvez a história seja complicada de esclarecer, mas imagino a confusão na cabeça de Bruno Lage ao ler a entrevista de Luís Filipe Vieira a “A Bola”.

Afinal… Bem, afinal de contas, Jesus veio para o Benfica e - simplificando as coisas - os jornalistas não inventaram histórias. Agora, só poderemos inventar o que teria acontecido se ele tivesse entrado na Luz no momento em que Vieira quis. Teria recuperado pontos a Sérgio Conceição e posto João Félix a jogar e o Benfica encaixado mais de centena de milhões de euros? Teria ele perdido os pontos para Sérgio Conceição e aceitado Raúl de Tomás no verão, Dyego Souza e Weigl em janeiro, quando o que faltava era outra coisa?

Nunca o saberemos.

O que sabemos é que para onde Jesus vai, normalmente o dinheiro vai atrás: Vieira contratou quase 100 milhões em futebolistas, incluindo o jogador mais caro da história do futebol português, Darwin Ñunez, por €24 milhões.

A ideia é montar a super-equipa que atropele e arrase os adversários, algo que manifestamente não se viu contra o Belenenses SAD, embora o golo de Seferovic aos 6 minutos - nascido de uma combinação entre Everton e Grimaldo - pudesse pré-anunciar um atropelo daqueles à Jorge Jesus.

Não aconteceu. Mas foi suficiente para manter os rivais ao largo.

Apresentando algumas mudanças no onze habitual - Weigl no lugar de Gabriel; Seferovic a fazer de Waldschmidt e Rafa de Pizzi - o Benfica controlou profissionalmente o adversário lisboeta durante 30 minutos.

Com Gilberto e Grimaldo nas alas, Everton e Rafa metidos no meio e Darwin como segundo avançado, a equipa de Jorge Jesus abria e fechava como um acordeão, confundindo as marcações e abrindo espaços à procura, sobretudo, das costas de Esgaio.

Contou nesse período com a colaboração involuntária do Belenenses SAD que esteve demasiado tímido e macio para um conjunto treinado por Petit. Os rapazes do Jamor só tinham sofrido dois golos, mas também só tinham marcado dois golos, e dava para perceber porquê: muitos jogadores atrás da linha da bola, poucochinhos à frente desta, sendo um deles Cassierra, colombiano valente, mas com uma relação complicada com o golo.

Aos 30 minutos, a estatística revelava que o Benfica tinha cinco remates e o Belenenses SAD nenhum. Cinco minutos depois, os azuis já tinham três remates (33’, 34’ e 35’) e a partir desse momento o antigo dérbi lisboeta transformou-se num jogo mais interessante do ponto de vista do visitante.

O Benfica deixou-se recuar, teve um ou outro sustos, pequeníssimos, e apostou em ataques rápidos, aproveitando a potência de Darwin, mais longe da baliza do que é costume em virtude da presença de Seferovic.

Na segunda-parte, quando Jorge Jesus foi repondo os titulares e Darwin passou a ter Waldschmidt (saiu Seferovic) nas suas costas, o uruguaio acelerou para encarar André Moreira um par de vezes até fazer o seu primeiro golo no estádio da Luz pelo Benfica: arrancou pelo centro, recebeu o passe de Waldschmidt, contornou habilmente o guarda-redes e chutou para a baliza, aos 75’’.

Antes e nos entretantos, entraram também Pizzi, Pedrinho, Nuno Tavares (Grimaldo saiu lesionado) e o regressado Andreas Samaris; os encarnados eliminaram a reação do Belenenses SAD, mantiveram o nível, algumas vezes transformando as posses de bola em exercícios de meinhos, outras a falhar oportunidades, cristalizando-se desta forma a qualidade de um plantel construído para ganhar coisas.

Com o cinto de segurança e sem atropelos.