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Benfica e uma defesa em recolher obrigatório

Com uma defesa destas, não há ataque que aguente. O Benfica perdeu por 3-2 frente ao Sp. Braga, a segunda derrota consecutiva no campeonato, num jogo em que começou por não ter soluções para as fileiras cerradas dos minhotos, oferecendo, como bónus, três golos após três erros defensivos grosseiros. Foi apenas com Grimaldo e Taraabt em campo que a equipa de Jorge Jesus se recompôs e o empate chegou a estar perto

Lídia Paralta Gomes

Carlos Rodrigues/Getty

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Há um Benfica pré-Grimaldo e um Benfica pós-Grimaldo na derrota com o Sp. Braga por 3-2. O Benfica sem Grimaldo - e, faça-se justiça, sem Taraabt - é o Benfica do 0-3, apesar de ambos até terem entrado três minutos antes de Francisco Moura fazer o terceiro golo dos minhotos. O Benfica com Grimaldo (e Taraabt) é o Benfica que marcou dois golos e teve oportunidade para fazer mais uns quantos e isso mostra bem algumas lacunas fundamentais deste plantel, com uma qualidade irrepreensível na frente mas aflitiva atrás. Às primeiras lesões, de André Almeida e do lateral espanhol mais concretamente, ficou à mostra o desequilíbrio de qualidade nas alas. E a saída de Rúben Dias, não sendo um central perfeito, deixou o Benfica sem um xerife.

A derrota do Benfica em casa, a segunda seguida para a Liga, no terceiro jogo consecutivo sem ganhar, é feita de falta de soluções a atacar e inabilidade a defender. Bem, pelo menos até entrar Grimaldo e Taraabt. Com este duo, o Benfica conseguiu o que até então estava impossível: criar fissuras nas linhas bem juntas e à prova de bala que Carlos Carvalhal montou para o jogo. Critique-se ou não a opção, o Sp. Braga chegou à Luz com um plano, tirar o espaço nas costas ao ataque do Benfica, fechar os caminhos. E aproveitar os erros do rival. Que foram muitos, grosseiros até, e assim se explica o 3-0 com que os bracarenses iam vencendo aos 60 minutos.

Na 1.ª parte, o Benfica nunca conseguiu ultrapassar a organização defensiva do Sp. Braga, que momentos depois de um primeiro alerta por parte de Galeno, fez o primeiro golo. Otamendi, na reposição, colocou a bola na direção de Castro que, de cabeça e de primeira, deixou a bola para Iuri Medeiros. O jogador açoriano sambou entre Samaris e Nuno Tavares e rematou colocado para o fundo da baliza de Vlachodimos.

Estávamos ao minuto 37 e era o primeiro remate digno desse nome do Sp. Braga, que no início da 2.ª parte voltou a aproveitar o absoluto desnorte da defesa do Benfica. Aos 50’, Al Musrati, com todo o espaço do mundo, avançou para a área e quando Otamendi saiu da linha à procura de anular esse mesmo espaço, deixou no jovem Francisco Moura. Este, colocado em jogo por Gilberto, fez com toda a classe o 2-0, um remate com o peito do pé esquerdo que passou por baixo das pernas de Odysseas.

NurPhoto/Getty

Não demoraria mais de três minutos o 3-0, num lance tragico-cómico entre Otamendi (mal nos três golos, mal há demasiados jogos consecutivos) e Vlachodimos. Os dois ficaram a olhar um para o outro, em considerações filosóficas sobre de quem era a bola e quem aproveitou foi de novo Francisco Moura, que resolveu o silogismo com a matreirice de rua e seguiu sozinho baliza adentro.

Impossível pensar em dominar, quanto mais ganhar jogos, com uma defesa em recolher obrigatório, que pouco oferece em termos ofensivos e que ainda falha clamorosamente na sua função básica.

A perder por 3-0, o Benfica transfigurou-se, mas havia apenas 30 minutos para reverter a alhada em que estava metido. Com Grimaldo e Taraabt, o Benfica passou a ter a criatividade, a agressividade e largura que faltou durante toda a 1.ª parte, a bola correu mais rápido, as soluções começaram a surgir e aos 68’ Seferovic reduziu após cruzamento de Rafa.

Com o Sp. Braga já acampado na área do Benfica, começou o show de Grimaldo: aos 70’ cruzou para Seferovic, que viu Matheus roubar-lhe o golo; aos 74’ recebeu uma abertura certeira de Taarabt e deu para Waldschmidt, que rematou ao lado. E depois de um susto de Galeno no outro lado, aos 86’ mais uma grande combinação entre Taraabt e Grimaldo voltou a deixar a bola ao gosto de Seferovic, que reduziu para 3-2.

Já bem perto do final, o Benfica carregou até à última, submeteu o Sp. Braga a uma blitzkrieg de ataque desesperada, mas a equipa de Carlos Carvalhal acabou por segurar uma vitória conquistada na estratégia e na esperteza. E só cai nesta armadilha quem tem telhados de vidro.