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Benfica

Nota do teste: suficiente

A diferença no resultado entre o maior orçamento para o futebol em Portugal e o 3.º classificado da III divisão foi de apenas um golo (0-1), marcado por um cabeceamento de Samaris, após um livre lateral. Um Benfica de estreias, caras novas e até com jogadores que se julgava não contarem seguiu na Taça de Portugal com um jogo sem chama, no qual fez apenas o suficiente

Diogo Pombo

JOSÉ COELHO/LUSA

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Sorte a de Facundo por Jorge ser sensível e respeitoso, o argentino era para ter ido embora, mas ficou, e o azar dele podia ter sido o de muitos jogadores com a sina de serem ostracizados, um horário para ele um outro para todos os outros, a treinar-se a parte ou quanto muito com a equipa B, sortudo seria se o deixassem.

Em em Jesus, há a “sensibilidade” e o “respeito profissional” que, adicionados a sua omnipotência, permitiram incluir Ferreyra nos treinos da equipa do Benfica, ele não fazia parte dos planos, mas pronto, que treine sem ideias de “continuidade”. Dito em outubro e não feito em novembro, quando o avançado está na soma de 489 que o Benfica apresenta em Paredes.

E o combinado entre os dorsais dos titulares, num numero obeso vindo de jogadores magros de minutos para lidarem com a linha defensiva de cinco futebolistas e a media com quatro que o adversário forma, as vezes nem a quatro metros uma da outra, para impedir que o Benfica exista entre linhas com aquelas tabelas, combinações e muita gente junta onde esta a bola.

Pizzi tenta-o, Chiquinho ajuda-o, Gonçalo Ramos mostra-se a ambos, todos insistem pelo lado de Gilberto, a bola até rola com velocidade entre pés, só que previsibilidade e o nome do meio de grande parte das tentativas e só quando o central Ferro conduz, ou rasga linhas com um passe vertical potente desde trás, e que o Paredes se parece surpreender com algo.

O golo do Benfica na primeira parte aparece num vulgar canto, a cabeça de Samaris ergue-se para rematar, tudo o que há antes e depois é dominado pelo Benfica, embora o adversário consiga, quase sempre, dois jogadores perto da bola, um na pressão e outro na contenção e energia que chegue para estarem agora aqui e depois ali.

E as poucas pessoas no estádio a verem acolá, na tribuna, com muitas dessas poucas sentadas lado a lado, sem o distanciamento social a bem do qual o público é mantido fora dos recintos há meses. Assim o continuou a ser na segunda parte, visível da transmissão televisiva

Ferreyra tem um remate inofensivo com a cabeça, pouco depois de Ismael Pinto bater o teste singular que o Paredes faz as mãos de Helton Leite, um de vários estreantes (como João Ferreira, lateral destro da equipa B, de 18 anos, que joga a esquerda) a terem que se avir com a opção rápida e direta do adversário em procurar o passe para o espaço à frente de Cláudio Madureira, o avançado escolhido para sempre atacar a profundidade.

Até ao fim foi mais do mesmo, com o Paredes a tentar pressionar a saída de bola do Benfica de vez em quando, tirando apenas consequências auto-dirigidas: abriu espaços atrás, Ferro tinha mais opções para acionar a boa capacidade de filtrar passes que sempre teve (mais ainda com tempo e espaço para decidir), mas, com os últimos 30 metros pela frente, o Benfica nunca deixou de ser previsível.

Os anfitriões apenas arriscaram mesmo no final, quando nem 10 minutos restaram, disse o guarda-redes Marco Ribeiro, segundos após o apito, que "manta não chega" para tapar a cabeça e os pés, mas o Paredes aguentou a desvantagem esperançosa até ao final diante de um Benfica incomparavelmente de outra galáxia futebolística, que jogou o mínimo para, mesmo com habituais suplentes e promovidos da equipa B, controlou o jogo. Um jogo aborrecido, mas controlado pelo suficiente que foram cumprindo.