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O meu nome é Luca. Marco no segundo andar

O Benfica entrou a perder e teve sempre muitas dificuldade frente a um Paços de Ferreira seguro na defesa e organizado e rápido no ataque. O golo da vitória apareceu nos derradeiros segundos dos descontos, um salto de Waldschmidt que valeu uma vitória por 2-1, mas não um atestado de qualidade da equipa de Jorge Jesus

Lídia Paralta Gomes

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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Luca Waldschmidt não é propriamente uma estaca. O seu 1,81m colocam-no numa espécie de média para jogador de futebol. Talvez por isso o jogo de cabeça não seja exatamente o seu maior cartão de visita, o alemão parece ter outras qualidades, que a espaços tem vindo a mostrar no Benfica. Mas, em desespero, é preciso jogar com todas as armas, boas, menos boas, e foi já nos últimos segundos de jogo que Luca foi ao segundo andar, saltou mais alto que toda a gente, talvez até mais alto do que alguma vez saltou, pela forma algo desengonçada como aterrou, para fazer o golo que deu a vitória ao Benfica frente ao Paços de Ferreira, um 2-1 tirado a ferros pelo voo do alemão-não-tão-gigante-assim, que até tinha andado bem apagado desde que havia saltado do banco.

Mas é assim mesmo: num segundo, a defesa do Paços, tão certa durante quase todo o jogo, não conseguiu travar Waldschmidt, momentos depois de Uilton ter falhado desastrosamente um remate em zona perigosa, que poderia ter deixado o Paços na frente de um jogo que nos últimos minutos andou sempre no fio da navalha para as duas equipas. Cairia para o Benfica, mas podia ter caído para o Paços, que fez mais um bom jogo frente a um dos grandes, depois de vencer o FC Porto em outubro.

A equipa de Pepa repartiu o jogo na 1.ª parte. A uma primeira oportunidade aos 5’ para Darwin, respondeu com cabeceamento de Douglas Tanque após uma boa jogada coletiva, que Vlachodimos salvou. E ao falhanço em frente à baliza de Pizzi aos 19’, depois de um erro na saída de bola do Paços, respondeu com uma bomba de pé esquerdo de Oleg Reabciuk, aos 24’, com o moldado a lançar um míssil de primeira após um corte a um canto que o Benfica não resolveu. E com 1-0, o Paços na jogada seguinte quase voltava a marcar, mais uma jogada de grande envolvimento coletivo entre Hélder Ferreira e Eustáquio, com direito a chapéu e calcanhar, a deixarem Douglas Tanque em frente a Vlachodimos - o remate saiu por cima.

O Benfica tinha mais bola, é certo, mas o Paços quando atacava, atacava pela certa, rápido, organizado, com muitos homens. As equipas acabaram a 1.ª parte com sete remates cada.

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

No segundo tempo a qualidade baixou a pique. Como já tem sido habitual, Jorge Jesus mexeu ao intervalo, tirando Pizzi e Weigl (que estiveram longe de ser dos piores em campo) por Seferovic e Gabriel. Mas numa noite desastrada de Darwin Nuñez, seria Rafa a dar o empurrão para o Benfica chegar ao empate: aos 58’, fez um túnel a Eustáquio, deu para Gilberto e foi buscar o cruzamento rasteiro do brasileiro para rematar para golo.

O Benfica não aproveitaria o élan do golo e nos minutos seguintes até seria o Paços a mostrar mais agressividade na ida para o ataque. Seriam precisos 10 minutos para o Benfica voltar a assentar, logo com duas oportunidades, primeiro por Seferovic, depois por Darwin, com um remate poderoso que deixou a barra da baliza de Jordi a tremer.

Daí até final, o jogo tornou-se quezilento, ainda mais mal jogado, com muitas faltas e pouca cabeça. Ainda assim, o Paços teve o mérito de nunca se agarrar com demasiada força ao empate. Tentou controlar com bola, seguir para o ataque e à entrada dos descontos podia mesmo ter marcado por Uilton, perante a desorganização do Benfica.

Talvez o Paços não merecesse sair da Luz sem qualquer coisa. Mas não marcou e Luca foi ao segundo andar, após um cruzamento de Gabriel, provavelmente numa das únicas ações produtivas do brasileiro durante a 2.ª parte, em mais um jogo com nota apenas suficiente do Benfica que, ainda assim, está agora mais perto do líder Sporting.