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Rui Costa: "Se calhar temos de fazer como outros. Não foi pelo Palhinha jogar ou não jogar que o Benfica perdeu, mas abriu-se um precedente"

Em entrevista à BTV, o administrador da SAD do Benfica assumiu o insucesso da equipa, mas deixou uma mensagem para dentro e para fora: "A época é longa e ninguém está autorizado a mandar a toalha ao chão. É neste momento que vamos ver quem tem capacidade para representar o Benfica e eu incluo-me aqui"

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Gualter Fatia

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Adeus ao título?

"De todo. Estamos a nove pontos do 1.º classificado mas é expressamente proibido no Benfica alguém pensar, a uma jornada de acabar a 1.ª volta, que o campeonato está acabado. Não é uma mensagem só para dentro, é para fora também. Não estamos na posição que queríamos estar, mas estamos longe de mandar a toalha ao chão. Nem nos jogos amigáveis o Benfica pode entrar sem o objetivo de ganhar. A ambição é sempre a mesma. Fomos nós que nos colocámos nesta posição e somos nós que temos de sair dela."

Razões para o insucesso

"É uma época extremamente atípica, que está a fugir às nossas expectativas. Jamais pensávamos que podíamos chegar a esta altura do campeonato com este atraso em relação ao 1.º classificado. Posso adiantar razões que o justificam, mas não é isso que o nosso adepto quer ouvir. Ele faz a conta aos nove pontos, à Supertaça que perdemos, à Taça da Liga que perdemos e à saída da Champions. É este assumir de responsabilidade que pretendo fazer."

Responsabilidade partilhada

"Não se chega a este ponto da temporada com a responsabilidade de uma pessoa só. Ninguém sai ilibado desta responsabilidade. Todos juntos temos de assumir isso, não podemos fugir a esta situação. O que foi feito até ao momento não é o que estava idealizado. Vamos assumir todos, comigo à cabeça. A época é longa e ninguém está autorizado a mandar a toalha ao chão. É neste momento que vamos ver quem tem capacidade para representar o Benfica e eu incluo-me aqui. Até ao final da época vamos ver quais os homens que temos dentro desta casa. Ainda falta uma volta para jogar, 18 jogos, muitos pontos. A dificuldade de temos neste momento fomos nós que a criámos."

Época atípica devido à covid-19

"Sei que isso provoca ainda mais dissabores. Há 15 dias tive uma estatística na mão, sobre os primeiros classificados das seis principais ligas europeias, e na época passada tinham mais 49 pontos, por exemplo. É uma época atípica. Todos sabem o que passámos no Seixal devido à covid-19, isso mexe com as dinâmicas. Mas não justifica tudo, não é essa a mensagem que quero passar. Não foi por isso que combinámos esta entrevista na semana passada. Não me vou agarrar a isso para justificar nada."

Dificuldades dos jogadores

"Temos 18 jogos na Liga, a Liga Europa e as meias-finais da Taça de Portugal para jogar e conquistar. Quem não tiver condições para assumir a sua responsabilidade, não continua aqui, isto para todo o grupo de trabalho. Jogadores, treinadores e dirigentes. Representamos o maior clube do país. Quem não conseguir sentir essa vontade ou temer essa responsabilidade, não pode encarar o desafio."

Soluções para o futuro

"Há muitas causas identificadas para explicar o insucesso da equipa. Internamente, até ao final do ano, iremos eliminar esses erros. Temos de procurar uma responsabilização maior de quem representa o clube, em todas as áreas."

Regresso de Jorge Jesus

"Foi outra perda importante. O mister Jorge Jesus está melhor, a recuperar bem, mas ainda não podemos dizer quando voltará. Neste momento a maior preocupação é a sua saúde."

Próximo jogo frente ao Vitória de Guimarães

"Não é só vencer, é dar uma resposta. Percebo que tudo o que diga hoje, além da bola entrar ou não entrar, soa a desculpa, mas neste momento já temos a equipa toda à disposição, algo que não tínhamos antes. Temos qualidade suficiente para assumir as nossas responsabilidades."

Condições de trabalho no Seixal

"Duvido que alguém tenha melhor. Podem ter igual, mas melhor não. Ninguém se pode queixar de falta de condições no Seixal. Todos os profissionais têm todas as condições possíveis e imaginárias para desempenhar um bom trabalho."

Queixas sobre arbitragem e João Palhinha no dérbi

"Nós temos tentado respeitar as entidades, para que façam o seu trabalho. Mas provavelmente estamos enganados, olhando para o panorama do futebol português, se calhar temos de fazer como outros. Temos tentado dar o exemplo. Mas se olharmos para ontem... Não foi pelo Palhinha jogar ou não jogar que o Benfica perdeu, mas abriu-se um precedente. Nós tivemos o caso do amarelo do Otamendi e tivemos uma resposta diferente. Quantos clubes poderão fazer isto? Quantos amarelos são mal dados? É um precedente extremamente perigoso. O facto de até ao dia de hoje não termos qualquer penálti marcado também não é algo que nos passe ao lado. Se calhar temos de mudar o nosso rumo também."

O futuro

"Estou com extrema confiança de que podemos chegar ao final do campeonato com o título na mão. Ninguém vai deitar a toalha ao chão. Mando esta mensagem, sobretudo para o balneário. Não basta chegar ao jogo e fazer um malabarismo ou um carrinho, é preciso trabalhar dia-a-dia. O adepto não quer saber que problemas tivemos. Temos de ir para dentro do campo sabendo que clube representamos e sabendo que temos de ganhar o jogo."

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