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Benfica: um mergulho de cabeça na crise profunda

O investimento de €100 milhões, o resgate de Jorge Jesus, a implosão do paradigma da formação, a quebra de confiança entre plantel e treinador e entre a direção e alguns futebolistas. Quem são os visados de Rui Costa? E porque estarão desmotivados?

Pedro Candeias

A foto de Seferovic após o empate com o Nacional é a metáfora perfeita

PATRÍCIA DE MELO MOREIRA/AFP via Getty Images

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A jogada parecia inofensiva, um balão para a frente do Sporting que resultaria num simples corte do Benfica. Não correu como esperado: Julian Weigl atrapalhou-se e fez falta sobre Nuno Santos, o lance sobrou para Jovane Cabral e o árbitro deu a lei da vantagem; depois, o avançado disparou, cruzou ineficazmente, a bola foi ter com Pedro Porro do lado oposto que, perante a relativa oposição de Nuno Tavares, fez um cruzamento-remate sacudido com precisão por Odysseas Vlachodimos para a cabeça de Matheus Nunes. Foi assim o 1-0, o Sporting celebrou e Vlachodimos protestou para o lugar onde estava Nuno Tavares, o jovem lateral-esquerdo entrado há minutos para segurar o empate, o melhor dos piores cenários possíveis em que o Benfica continuaria a seis pontos do Sporting — e não a nove como acabou por ficar.

No dia seguinte, terça-feira, Rui Costa — administrador, vice-presidente e também diretor-geral para o futebol — foi à BTV ser entrevistado pelo novo diretor de comunicação do clube e justificou o “momento delicado” com o surto de covid-19, que infetou vários futebolistas e o próprio Jorge Jesus, socorrendo-se de estatísticas para provar que outros grandes clubes europeus estavam igualmente aquém das expectativas.