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Benfica começou a perder mas entrou na Linha

Vitória por 3-1 no Estoril deixa o Benfica a um pequeno passo do Jamor. Num jogo em que até sofreu primeiro, só perto do intervalo a equipa de Jorge Jesus conseguiu capitalizar as inúmeras oportunidades que teve. Darwin bisou

Lídia Paralta Gomes

Darwin marcou na primeira-mão da meia-final da Taça de Portugal, mas não é certo que esteja recuperado para o jogo desta quinta-feira, na Luz

Carlos Rodrigues/Getty

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Darwin desmarca-se após passe de Pedrinho. Thiago é rápido a sair ao lance e rouba a bola ao uruguaio, bem na movimentação. Grande lance individual de Rafa, a passar por vários adversários, bola colada no pé, com um túnel pelo meio. Na hora de rematar, não acerta na baliza. Combinação rápida do ataque do Benfica, Pedrinho com olhos na nuca a passar de calcanhar para Rafa, que pica a bola, com esta caprichosamente a embater na barra.

Isto foi o Benfica nos primeiros 15 minutos do jogo frente ao Estoril, na 1.ª mão das meias-finais da Taça de Portugal.

Vejamos o que aconteceu uns minutos depois: primeira saída com qualidade do Estoril, bem a descobrir os espaços e enganar a defesa do Benfica; Joãozinho cruza largo, mas Everton falha o corte e está lá Murilo para cruzar para a área. André Vidigal, em cima da baliza, faz o primeiro golo do jogo.

Com uma entrada com fulgor, com Pedrinho e Rafa eléctricos, com três oportunidades, o Benfica, via-se, de repente, a perder. Como diria Darwin no final, o Benfica “não estava fino” - e bem sabemos que isto em castelhano tem outro sentido, mas vale para os dois lados.

Faltava então “afinar”, não querer fazer só golos “lindos”, disse também Darwin, e é certo que demorou o Benfica a entrar na linha na Linha do Estoril, direção Jamor, e até entrar ainda falhou mais dois golos cantados, depois de um período de abrandamento, nas ondas de choque da vantagem dos canarinhos. Só no final da 1.ª parte voltaria o Benfica a criar perigo, aos 40’, com Diogo Gonçalves a cruzar e Thiago a abordar mal o lance, ainda assim a tirar a bola da direção de Darwin, que já atacava o espaço. Três minutos depois, novamente Darwin, agora de cabeça, e novamente Thiago, com uma defesa impossível a negar o empate, que surgiria no canto que se seguiu. Depois de vários arabescos falhados, foi de forma pragmática que o empate lá chegou: Pedrinho no canto, desvio de Gabriel e Darwin de cabeça.

Simples, rápido e eficaz, tudo o que o Benfica não estava a conseguir ser até então.

Gualter Fatia/Getty

Após o intervalo, o Estoril ressentiu-se das substituições e o Benfica voltou à toada de divórcio com o golo. Aos 57’, Rafa rematou muito torto, livre à entrada da área; aos 62’ um erro de Soler deixou Seferovic isolado, com o suíço a atirar ao poste depois de tentar contornar Thiago; aos 65’, Vertonghen e Seferovic atrapalharam-se no cabeceamento na sequência de uma livre estudado e Jorge Jesus já estaria pronto para ir à bruxa quando o helvético desfez o empate, aos 68’, numa jogada de insistência que passou por Everton e Rafa até chegar aos pés do avançado que, num remate seco, cruzado e muito colocado, voltou a bater Thiago.

Praticamente inexistente até então na 2.ª parte, o Estoril ainda veria o Benfica aumentar para 3-1, o bis de Darwin, a finalizar isolado um passe de Taarabt, que meteu bem o corpo para ganhar uma bola a meio-campo antes de a oferecer ao Núñez.

Só então houve um bocadinho de Estoril, com Miguel Crespo quase sempre como homem mais perigoso e quase a surpreender Helton Leite num remate cruzado, bem longe da baliza do Benfica, que o guarda-redes desviou no último momento. Estávamos ao minuto 77' e os 10 minutos finais acabariam por ser de reação da equipa da casa, com o Benfica talvez a deslumbrar-se em demasia com a vantagem, mas uma reação demasiado tardia.

O 3-1 final deixa o Benfica a um pequeno passo de uma final da Taça de Portugal que poderá muito bem ser o ponto de honra da equipa esta temporada. E estivesse tudo um pouco mais “fino” na hora de chutar à baliza, talvez nem fosse necessário pensar muito no jogo da Luz.