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Luís Filipe Vieira: “Quem vier depois de mim tem de pensar que a família nunca mais vai ter descanso, vai passar por ladrão”

Em dia de aniversário, o presidente do Benfica foi entrevistado pela televisão do clube, onde voltou a frisar a influência da covid nos maus resultados da época, defendeu Jorge Jesus e o planeamento da temporada e criticou aqueles que questionam a sua ausência nos jogos: "Há pessoas que são pulhas. As pessoas sabem que eu tive covid"

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JOSÉ COELHO/LUSA

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Crise de resultados

“Deixe-me dizer que neste momento ninguém baixou os braços, até ser matematicamente possível vamos lutar por sermos campeões nacionais. Caso isso não seja possível, o 2.º lugar é o objetivo. Temos uma Taça de Portugal para conquistar. Peço a todos os benfiquistas que não baixem os braços, já aconteceu tanta coisa no futebol, já ganhámos um campeonato com oito pontos de atraso, perdemos um com oito pontos de avanço. Só assim vale a pena existir Benfica. Mas é importante que estejamos todos juntos e que os adeptos apoiem o Benfica. Todos nós temos de estar unidos e acreditar que é possível lá chegar”

Responsável pela crise

“Só poderá haver um responsável: sou eu. Não pode haver mais nenhum. Os sócios elegeram-me para ser presidente e na hora da derrota não vale a pena andar à procura de fantasmas. O responsável sou eu e assumo a inteira responsabilidade pelo que está a acontecer neste momento”

Explicações para os maus resultados

“Na hora da derrota tem de aparecer sempre quem lidera. Na hora da vitória… eu devo lembrar que devo ser dos presidentes mais titulados do Benfica e devo lembrar que nos últimos 10 anos ganhámos seis campeonatos. No tetra ninguém me viu a dar uma entrevista porque era uma vitória de todos os benfiquistas e da estrutura. O Jorge Jesus já falou, até emocionou-se um pouco, eu tenho estado no Seixar e sei o que tem sido, a verdade é que o mês de janeiro, a caminho de fevereiro, fustigou-nos. No dia em que tentámos adiar o jogo com o Nacional, nessa semana foi uma tempestade perfeita: fomos fustigados com 26 casos de covid. Dez eram jogadores mas foi tudo, equipa técnica, motoristas, seguranças. Inclusive o meu motorista. A única coisa que os benfiquistas não deverão fazer é minimizar o que se passou porque se minimizarem é porque ainda não tiveram covid. Eu tive e sei que é penoso. Isso é importante que as pessoas tenham essa sensibilidade. Pessoas que eu conhecia que me diziam ‘os jogadores só correm uma parte’. Os jogadores que correm aos 10 quilómetros só conseguiam correr seis quilómetros. Isto não é uma desculpa, é uma realidade. Eu nunca vi. Tirando em lares, nunca vi 26 casos num tão curto espaço de tempo. O Jorge Jesus esteve 15 dias fora. Nada em janeiro foi normal no Benfica. Independentemente disso, não faltou compromisso, dedicação. Ninguém abandonou o barco, todos estivemos presentes. Não tínhamos praticamente contacto uns com os outros. Agora está a avaliar bastante. Temos jogadores que já correm 10 quilómetros, até um que correu 13, que foi o Weigl. Eu estou negativo há um mês e não sou capaz de subir um lanço de escadas sem parar”

Pontos de atraso

“A covid tem uma grande parte, mas há algumas situações de culpa, o Jorge já disse e há algumas minhas também. Mas aquilo que é o principal é o mês de janeiro, que é onde somos fustigados a sério”

Arbitragens

“Não vale a pena. Há quem diga ‘ahh, o presidente não disse nada’. Depois levo com não sei quantos dias e eu não quero. Esta semana entregámos uma carta ao presidente da FPF para que mal acabe o campeonato haja uns estados gerais do futebol português onde esteja o secretário de estado, presidente da liga, sindicato dos jogadores, associação dos árbitros e de treinadores. Temos de dar a volta a isto, as coisas não estão bem. Quando veio o VAR pensámos que estava resolvido o problema da arbitragem. Não só não acabou como complicou. Há lances que eu já tive a oportunidade de ver e é impossível… contra o Moreirense, como é que aquela pessoa não viu os penaltis? Há situações e eu acho que a própria FPF vai estar sensibilizada. Quando eu disse que deviam vir árbitros estrangeiros toda a gente ficou ofendida e agora afinal vem um inglês. Se me agrada? Tudo o que seja para a verdade desportiva, façam o possível. Não vale a pena disparar para todos os lados, para isso já há os comentadores, um presidente de um clube não o deve fazer. O futebol é uma das indústrias mais credíveis do país, que gera mais receitas e nós temos de virar isto ao contrário”

Peso do estádio vazio

“O 12.º jogador é muito importante, tanto aqui como fora porque fora nós é que enchemos as casas. Este estádio tem 55, 60 mil pessoas. Efetivamente esse benfiquismo arrastavam o Benfica para as vitórias. Faz-nos muita falta. Até fora de estádio, como acompanham a equipa, o carinho com que recebem a equipa. Nós normalmente ficamos num hotel no Porto e sabemos como é a chegada do Benfica lá. Tudo isso é um estado de alma das pessoas que influencia, é uma química muito especial”

NurPhoto

Há fractura?

“Eu não sei porque é que há fractura. Não entendo. Houve eleições. O Benfica sempre foi um clube democrático, até no tempo na ditadura. Houve eleições há quatro meses, não sei o porquê desta contestação. As pessoas têm de entender: se não houver estabilidade no Benfica dificilmente ganhamos. No Benfica para fazermos um tri demorámos 39 anos, um tetra nunca tinha feito. Fala-se do pensa, mas nunca se fala do tetra. Isto aconteceu porque houve estabilidade e preparou-se o Benfica a partir de 2009 para ser um clube vencedor. Independentemente dos percalços que tivemos, o certo é que nesse período estivemos em duas finais europeias, uma perdemos nos últimos minutos e na outra fomos completamente espoliados. E em Portugal escamotearam os três penaltis que nos foram roubados. Lutámos pelo penta até às últimas jornadas, perdemos com um golo aos 90 minutos. O Herrera nunca mais marca um golo daqueles. Há coisas que na derrota me marcam. Quando perdemos com o Chelsea receberam-nos como se fossemos campeões. Quando perdemos a Taça, o Jorge chegou ao pé de mim na tribuna e estava todo marcado de cuspidelas. Eu disse-lhe: ‘Jorge, vais para o balneário de cara levantada, eu já lá vou’. Isso não se faz: um treinador que leva o Benfica às finais que levou… não podiam ter reagido da maneira que reagiram. Está-se a fazer a mesma coisa agora. Na altura ninguém queria o Jorge Jesus e eu dizia ‘este homem levou-nos a tanta finais porque é que tem de ir embora’. Felizmente pensei pela minha cabeça e disse que ele ficava. Depois ganhámos tudo dali para a frente”

Jorge Jesus

“Vai continuar, vai cumprir contrato. Mas porque é que Jorge Jesus tem de sair? Ele não é um treinador competente? Nas eleições toda a gente dizia que ele era o treinador que tinha de vir. As outras listas apoiavam Jorge Jesus. Depois do Brasil toda a gente o apoiava. Jorge Jesus tem 12 títulos neste clube. Por aquilo que se passou agora, que as pessoas não entendem… há uma realidade atípica que se passou connosco. Eu estou lá todos os dias. E perguntam ‘ah, mas porque é que não disseram nada naquela altura?’ Mas eu ia dizer o quê. Se porventura no próximo ano não houver imunidade de grupo, garanto-lhe uma coisa: o Benfica nunca mais se equipa em balneário nenhum. Vai equipado do hotel, até a palestra vai ser dentro do campo. Acaba o jogo vai direto para o hotel. É impensável para mim 27 pessoas infectadas. E depois uma coisa revoltante para mim foi o presidente do Nacional. Disse-lhe ‘Oh Rui, não podes adiar o jogo?’ e ele ‘Ah, não posso’. Mas se eu lhe emprestasse o Diogo Gonçalves já adiava o jogo, compreende? Nem há solidariedade nenhuma. E eu já fui muito solidário, eu não, o Benfica já foi muito solidário para aquele clube”

Mudança de treinador

“O Benfica não vai ser um cemitério de treinadores. Eu tenho uma marca comigo que vou levar até ao resto da vida que foi despedir o Fernando Santos. É uma mágoa mesmo. Depois tivemos a seguir alguns treinadores mas a partir de 2009 só tivemos três treinadores. Jorge Jesus, Rui Vitória, que em três anos e meio ganhou seis títulos… e o que fizeram ao Rui Vitória, o que escreveram. Eu falei com o Rui na altura, a situação já não era boa para ele nem para ninguém e ele concordou. Depois veio o Bruno Lage, entrou, fomos campeões, Supertaça ganhámos 5-0 ao Sporting, parecia tudo encantador. O Lage era o novo modelo de treinador português, o novo Mourinho, o novo discurso, era tudo diferente. Fizemos uma primeira volta normal, estamos isolados, depois vem a covid, parámos o campeonato. Mas o Bruno Lage… os comentários que se faziam, que já não era treinador para o Benfica. Ele teve coragem, no primeiro jogo Florentino, Ferro e Félix foram titulares. Na altura diziam que era para pôr na montra para fazer dinheiro, que era eu que dizia para eles jogarem. Os benfiquistas têm de saber o que querem: se querem só formação, se é uma equipa mesclada… Estabilidade é fundamental”

Instabilidade

“É revoltante o que fazem, a pressão que fazem ao treinador, ao presidente, é revoltante. Este clube não pode ser vivido assim. Eu sei que nós vivemos de títulos mas há alturas em que não podemos ganhar, temos de estar unidos na derrota senão é voltar ao passado, mas é direitinho. Estabilizar um clube como este… tenho muito orgulho em dizer que em março do ano passado era dos clubes mais rentáveis da Europa e com maior robustez financeira. Tudo graças à formação do Benfica. E depois vinham com a falácia que o Vieira quer é vender. Todos os clubes portugueses têm de vender. No dia em que o Benfica se se desequilibrar financeiramente e só pensar nos resultados desportivos vai por aí abaixo, começa a haver hipotecas, tudo. Mas comigo não vai ser assim”

O que falhou no planeamento

“Hoje faríamos igual. Quando contratámos Jorge Jesus, falámos com ele, o Jorge deu-me um documento com os jogadores que queria e não houve um jogador que o Jorge não dissesse que sim. Houve um que ele queria que era o Cabrera que entendemos que não devíamos contratar porque nos pediam 15 milhões de euros. E outro central que não conseguimos contratar, que foi para Inglaterra, o Koch. Toda a gente conhece o Everton, Darwin, pedido do Jorge exclusivamente. Curiosamente estava no scouting do Benfica. O Otamendi vem com a saída do Rúben Dias e o Vertonghen foi contratado também com o consentimento dele. Não era bem aquilo que ele pretendia, mas nós não podíamos contratar o Cabrera. O Gilberto foi um pedido do Jorge. O Pedrinho não foi contratado quando o Jorge estava cá, mas depois quando chegou cá disse que se tinha enganado em relação ao Pedrinho. Disse-me que ele era um craque, que tinha era de o preparar bem. Jesus teve uma voz ativa. Foram contratações decididas por mim, por ele, Rui Costa e Tiago Pinto. Há total sintonia. Em tudo. Estou lá todos os dias, de manhã até à noite, agora até tenho dormido lá”

NUNO FOX

Adaptação

“Nós criticamos muito o que temos. Há aqui jogadores que precisam de um período de adaptação. Se calhar não ponderámos isso, foi um erro que fizemos, a adaptação dos jogadores. E nós temos experiência com brasileiros. Os alemães também. Temos um departamento de scouting altamente profissional e todo o diálogo existe. Faríamos tudo igual. Se calhar ali no meio-campo deveríamos ter sido mais teimosos. Agora veio o Lucas Veríssimo que era um jogador que o Jorge Jesus queria a todo o momento. Um jogador sabe do que se fala dele, um jogador de categoria”

Rui Costa

“Tem feito um trabalho fantástico de dedicação ao benfiquismo e ao contrário do que as pessoas às vezes dizem, está a trabalhar grátis no Benfica. Tem sido de um trabalho fantástico. Dizem quando não há mística… está lá o Rui e o Luisão perto da equipa”

Palavras de Jesus

“Ele disse que era responsável. O que ele disse é que não podia ser responsável pelo que sucedeu, quando não tinha jogadores para treinar. Não fugiu a nada. Não preciso de estar a defender o Jorge, é um ganhador, um extraordinário profissional. A eliminação com o Arsenal está atravessada, posso garantir-lhe que nessa noite ele não dormiu. Ele estava super-convencido que íamos ultrapassar o Arsenal. Não vamos falar de infelicidade mas temos um lance em que se o Darwin faz o 3-1 acabava a eliminatória. Temos de acreditar em quem temos em casa, pessoas que tem dado mais que provas”

Formação

“Se há alguém que apostou seriamente na formação está aqui. Mas curiosamente quando apostámos na formação o que diziam era que não podíamos ser campeões com miúdos, que o Vieira expunha os jogadores, que o Vieira queria as comissões. Este ano, por causa da contestação enorme, fizemos uma mescla de experiência e juventude. Todos os jogadores que contratámos são todos internacionais, excepto o Gilberto. O único presidente que pensou seriamente na formação do Benfica fui eu. Queremos fazer mais seis campos de futebol e uma unidade hoteleira no Seixal. Foi isto que fez do Benfica um dos clubes mais rentáveis na Europa. O que eu quis foi um clube financeiramente estável e desportivamente ganhador. O Rui Vitória fez o trabalho que fez, lançou jovens, o Lage também, mas depois já não serve. Os que falam hoje da formação são os mesmos que antes diziam que não era possível jogar só com miúdos. Se isto fosse meu, era esse o caminho que eu ia, mas não é e eu tenho de saber a sensibilidade dos sócios. Se o clube fosse meu, o caminho era o do Seixal. É muito difícil dirigir um clube como este. O Seixal é a minha menina dos olhos de ouro, é ali que devemos investir. Há jovens que quando chegam à equipa principal já têm 10 anos de Benfica, se calhar até correm mais que os outros”

Críticas

“Houve uma pessoa daqui, mas que já não está cá que disse que o clube não tem estrutura. Fico revoltado. Há dias houve um programa duas horas e meia a partir o Jorge Jesus todo. Quando ele estava no Brasil bajulavam-o, queriam entrevistas. Mas o pior são os que se dizem benfiquistas e vão para lá a mando de não sei quem dizer mal do Benfica, isso não são benfiquistas, são oportunistas. Comigo não vai ser… não me façam falar, comigo não brinquem, hoje não falo porque é um dia de festa mas eu se precisar de falar vou denunciar muita gente. Isto não é para ser assaltado, em cada três benfiquistas dois votaram em mim. Até dizem morre… não me assusta nada. Porque eu sei que o caminho que faço é certo e é por paixão. Aquele que vier depois de mim tem de pensar que a família nunca mais vai ter descanso, vai passar por ladrão, por homem das comissões, vai passar do pior. Há quem escreva todos os dias nos jornais sempre a descascar nesta direção. Não mereço, o Benfica se não estiver unido não vai a lado nenhum. Eu nunca ataquei nenhum presidente do Benfica ou ninguém. Vim para cá para resolver os problemas do Benfica. Nós cumprimos com toda a gente, com as finanças, com os nossos profissionais”

Finanças

“A única antecipação que houve foi usar o dinheiro da NOS para liquidar dívida do Benfica. Essa foi a promessa que fiz aos benfiquistas e temos cumprido isso. Antes da pandemia o Benfica não devia nada ao sistema financeiro. Antecipámos receitas para pagar a última dívida ao BES e recuperámos o estádio. Hoje o estádio está em nosso nome, não temos nada hipotecado. O passivo subiu mas o ativo também subiu muito. Não sei porque é que as pessoas se preocupam com o passivo. O problema era ter um ativo inferior ao passivo. O Benfica terminou com resultados positivos e vamos começar a fazer contas e vai manter o objetivo de manter contas positivas. Mas o Lyon apresentou contas há dias, 50 milhões de euros de prejuízo. Não há receitas, serão poucos os clubes com resultados positivos, enquanto não houver receitas, o que é que podemos fazer?”

Bazuca

“Os clubes entregam ao Estado milhões de euros em impostos, é a indústria com mais visibilidade no mundo para Portugal. Temos o melhor jogador do Mundo, sei lá… é de estranhar que o governo não pense no futebol. Quem anda a sustentar o desporto são os clubes. É uma obrigação do estado, mas são os clubes que estão a fazer isso. Se o Estado só existe para as finais europeias, para as competições de seleções… aí toda a gente aparece na fotografia. Agora numa altura destas. Onde está o presidente da Liga a pressionar o Governo? O presidente da Federação? É uma vergonha se o futebol não for contemplado. Somos uns dos principais pagadores de impostos do país. Se não nos respeitarem, algo temos de fazer. Temos que nos defender. Se não houver futebol não vai haver. É uma falta de respeito para esta indústria. Isto já não são brinquedos, são empresas que são completamente auditadas, que cumprem com o Estado. Deveríamos ser ressarcidos, estamos a pagar uma factura da pandemia”

Casas do Benfica

“Quando eu cheguei ai Benfica as pessoas diziam que era um sítio onde as pessoas se juntavam para jogar às cartas, ao dominó e para beber uns copos. Eu percorri o país de lés a lés a dinamizar as Casas do Benfica. Uniformizámos a imagem das Casas. Temos encontrado alternativas de ajudar as Casas em termos de receitas, com a bilhética. Dentro do esforço que podemos fazer, vamos ajudando. Compreendemos o período que estão a passar, neste momento e com o confinamento não podem estar abertas, mas não nos podem apontar o dedo. Fiz milhares e milhares de quilómetros. Dentro de qualquer Casa do Benfica há mística e benfiquismo. Hoje as Casas têm mecanismos de gestão a sério. No Benfica há benfiquismo em todo o lado, não é só um projeto empresarial. Tudo o que está ao nosso alcance visa o nosso braço armado”

Porque não vai aos jogos

“O Benfica está num estado de alma que é confuso. Há pessoas que são pulhas. As pessoas sabem que estive com covid. O médico disse-me que quando houver frio ou humidade, se eu apanho uma pneumonia vou ter sérios problemas. E eu não posso ter sérios problemas. Eu não preciso de estar todos os dias nos jogos. Eu estou sempre no Seixal, todos os dias toda a gente me vê lá. Infelizmente a subir escadas canso-me muito… agora vem aí o sol já me vão ver mais. Mas achavam que eu andava escondido? Quem é que dá a cara pelo Benfica? Não há ninguém que marca quando é que eu falo. Hoje era um dia especial. Não falava daqui a 15 dias para falar agora outra vez”

Descontente

“Quem é a pessoa que está mais descontente? É a que acaba de dizer que é a culpada. Os benfiquistas estão descontentes e frustrados mas aquele que está mais descontente e frustrado sou eu, porque trabalho todos os dias para um Benfica melhor. Toda a gente sabe que eu abdico da minha vida pelo Benfica. E dizem que eu estou agarrado ao lugar. Não, não estou agarrado ao lugar. Se não votassem em mim eu ia descansar, mas não foi o caso, em três votaram dois. Fazemos 117 anos de história e vamos continuar no percurso. Vamos ser responsáveis sempre, não vamos pôr o Benfica em perigo, mas com muita ambição sempre”