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O que não se faz em 45 minutos resolve-se em dez

Entrada forte (e veloz) na segunda parte resolveu o jogo para o Benfica que viu Seferovic a bisar nos golos e Grimaldo nas assistências, com o reforço de inverno Lucas Veríssimo também a estrear-se a marcar na vitória por 3-0 no terreno do Belenenses SAD

Tiago Oliveira

Seferovic bisou na partida

Gualter Fatia/Getty Images

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O Benfica pode ainda não estar a jogar o triplo face à temporada passada, como preconizava Jorge Jesus na sua apresentação, mas o número três marca um período em que o Benfica parece, pelo menos, mais estável e mais seguro de si mesmo. Ou não tivesse a vitória por 3-0 no terreno do Belenenses SAD marcasse a terceira vitória consecutiva e o terceiro jogo sem sofrer golos dos encarnados, algo inédito esta época.

Um triunfo construído em dez minutos na segunda parte após uma primeira parte em que quaisquer ideias relacionadas com triplo e velocidade estiveram afastadas de qualquer uma das equipas, naquele que foi um espetáculo, à falta de melhor palavra, desinteressante.

Se a lentidão do jogo do Benfica já não é propriamente estranha, foi por demais evidente durante a primeira parte, e mais ficou com a entrada em jogo após a descida aos balneários. Aí viu-se uma equipa muito mais rápida, acutilante, e capaz de ler o comportamento do adversário.

Um Benfica que vinha de duas vitórias consecutivas e que procurava cimentar uma imagem de maior estabilidade com uma vitória fora de portas, algo que não conseguia há cinco partidas para o campeonato. Com oito alterações face ao onze que tinha garantido o acesso ao final da Taça de Portugal, os encarnados ainda pareceram querer resolver cedo, mas também cedo se enredaram na teia montada pelo Belenenses SAD.

A equipa de Petit não perdia há cinco jogos e mostrou-se sempre confortável no relvado difícil (mas hoje menos, reconheça-se) do Jamor durante a primeira parte, e com capacidade de incomodar a defensiva do Benfica com saídas a explorar o envolvimento pelas alas e a inteligência de movimentos, enquanto duraram as pilhas, de Silvestre Varela.

As oportunidades foram poucas e repartidas pelos interessados com as perdidas de Pizzi e Seferovic pelo chão e pelo ar, respetivamente, a meio da primeira parte, a merecerem resposta de Varela aos 36 minutos. O extremo ganhou bem o espaço a Otamendi (naquela que terá sido a única veleidade permitida pelo argentino) mas rematou à figura de Helton Leite e permitiu a defesa do guardião.

Nulo natural perante o que se passou em campo e que ilustrava a falta de dinamismo coletivo do Benfica perante a organização do Belenenses SAD. Se os encarnados pretendiam algo deste jogo, tinham forçosamente que mudar de chip para a segunda parte. Dito e feito.

Bis a bis

O arranque do jogo após o intervalo mostrou logo um Benfica muito mais afoito e capaz de explorar as costas da defensiva do adversário, seja com passes em profunidade, seja com cruzamentos a explorar as movimentações mais incisivas que começaram a aparecer. Foi, aliás, assim que apareceram os três golos que em dez minutos resolveram a questão.

O primeiro golo surgiu aos 55 minutos com Grimaldo a ver uma boa antecipação de Seferovic e a colocar a bola com conta, peso e medida nos pés do avançado que atirou de primeira e a contar para colocar o Benfica em vantagem. Qualquer esperança de reação do Belenenses SAD gorou-se pela rapidez com que os visitantes ampliaram a vantagem. Mérito para Diogo Gonçalves que viu mais um movimento em profundidade de Seferovic e arriscou um passe de desmarcação que só parou nos pés do suíço e depois na baliza de Kritciuk. 58 minutos e 2-0 para o Benfica.

Sem tirar o pé do acelerador, os encarnados completaram um período incessante de dez minutos com novo tento. Bis de Grimaldo nas assistências que arrancou um cruzamento para o peito de Lucas Veríssimo, que se estreou a marcar com acamisola do Benfica após a sua chegada em janeiro.

O 3-0 colocou um ponto final no jogo e no ritmo acelerado, com as águias a gerirem o resto do jogo e o Belenenses a só se preocupar tenuamente com um golo de honra. Que Helton Leite acabou por negar com uma defesa por reflexo em cima dos 90 minutos, ao passo que Seferovic ainda procurou o hat-trick, sem sucesso.

A vitória acaba por assentar bem a um Benfica de duas caras que mostrou na segunda parte que já esteve mais longe do triplo que Jorge Jesus prometeu.