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Jorge Jesus: "Nem autorizo que nenhum jogador me pergunte por que é que não joga. São as minhas decisões, eu é que sou o treinador"

Na antevisão ao jogo com o Marítimo (segunda-feira, 19h, BTV), que Jorge Jesus tem "quase a certeza" que colocará "todos os jogadores atrás da linha da bola", o técnico também se pronunciou sobre as declarações de Odysseas Vlachodimos, que admitiu querer sair do Benfica

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Octavio Passos/Getty

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O jogo que aí vem e o Marítimo

"O facto de ter perdido seis jogadores que foram para as seleções, também estivemos duas semanas a trabalhar mais intensamente, normalmente não o fazia com jogos do campeonato. Melhorámos algumas ideias que pensámos serem importantes, foi uma semana bem preenchida e aproveitámos com qualidade o nosso treino diário. Agora vamos sentir na segunda-feira, no jogo com o Marítimo, tudo aquilo que tentámos passar para os jogadores.

O Marítimo é um clube histórico do nosso campeonato, como toda a gente sabe, está neste momento numa classificação que não tem muito a ver com o que é o valor da equipa. O Marítimo eliminou o Sporting [da Taça de Portugal] e ganhou no Dragão [para o campeonato], portanto já deu sinais de ser uma equipa de qualidade e tenho a certeza que vamos encontrar um Marítimo diferente da última jornada, em que jogou com o Famalicão e não teve um resultado positivo, de certeza que o seu treinador vai mudar o sistema tático da equipa.

Estamos preparados para encontrar um Marítimo a jogar num 5-4-1 quando não tem a bola, com todos a jogarem atrás da linha da bola, tenho quase a certeza que isso vai acontecer. Estamos preparados para isso, os nossos jogos no Estádio da Luz são praticamente contra equipas que jogam com esse sistema. Não é nada que nos possa surpreender. Agora, cada jogo tem uma história e são situações completamente diferentes. Preparámo-nos para encontrar um adversário difícil, que vai tentar, em alguma situação de contra-golpe ou bola parada nos poder surpreender.

Estas equipas, quando jogam contra os chamados grandes, são jogos que, à partida, qualquer ponto é importante. Do ponto de vista emocional estão muito mais tranquilas do que nos jogos em que eles têm de jogar para ganhar. A equipa do Marítimo vai estar muito mais liberta do ponto de vista de ter que ganhar os três pontos, vai ser uma equipa que vai à procura de poder pontuar."

Não ter Rodrigo Pinho é limitativo?

"É subjetivo. O Marítimo ocupa esta posição e o Rodrigo Pinho, acho eu, tem feito a maior parte dos jogos. É subjetivo eu responder se isso influencia a qualidade de jogo do Marítimo. Só o treinador do Marítimo é que pode respoder com mais certezas que eu."

Vlachodimos quer sair do Benfica

"Conto com o jogador. Na sua carreira, os jogadores têm duas escolhas: há a carreira individual e a coletiva, que é a equipa onde está inserido. Todos olham para a carreira com estes dois princípios - o individual e os interesses da equipa.

O Odysseas tem uma opinião do que projeta para o futuro dele, não foi o momento certo para o dizer, porque os jogadores, quando estão nas seleções, têm é de falar da seleção e não do clube. Teve a opinião dele e ficámos a saber qual é a ideia dele."

Haverá algum castigo interno para o jogador?

"Castigo não, teve uma opinião, há jogadores que pensam mais coletivamente e outros que pensam mais neles. Da minha parte, não tenho castigo nenhum para dar. Se estivesse a jogar, tirá-lo da equipa era o castigo, mas se teve essa declaração é porque não está a jogar. Eu não vou perguntar aos outros jogadores por que é que os ponho a jogar, nem autorizo que nenhum jogador me pergunte por que é que não joga. São as minhas decisões, eu é que sou o treinador e mais nada."

Equipa está mais regular e confiante?

"Os resultados também são prova disso, já explicámos porque houve uma equipa irregular e agora há uma que tem vindo a ganhar, não tem sofrido golos e está a subir de forma. Os jogadores têm melhorado individualmente e a equipa também melhora coletivamente.

O jogador sabe perfeitamente quando está num patamar mais elevado das suas competências e a equipa também. Neste momento, é natural que esteja mais feliz, mas ainda estamos muito longe daquilo que queríamos. Todos trabalhamos com mais intensidade e mais tempo, portanto os processos do trabalho durante a semana são depois compensados. Onde? Nos jogos e nos resultados. Os jogadores sentem isso perfeitamente, são aqueles que mais sentem as suas dificuldades ou qualidades."

Como está a preparar a próxima época?

"Neste momento, estou preocupado é com a época atual e os jogos que faltam. Ainda há objetivos a conquistar, estamos numa fase crucial do campeonato, o Benfica tem de ir à procura de resultados para recuperar os primeiros lugares."

Gonçalo Ramos jogou a meio-campo na equipa B

"Todos os jogadores que subimos da equipa B - o João Ferreira, o Morato, o Tiago Araújo e o Gonçalo Ramos - têm vindo a trabalhar diretamente comigo e vão jogar à equipa B, não é só o Gonçalo Ramos. Treinam connosco durante a semana e, em sintonia com o Nélson Veríssimo [treinador da equipa B], deixamos que os jogadores possam ter competição.

O Gonçalo Ramos chegou com 27 minutos do jogo da seleção e foi diretamente para a Póvoa jogar com o Varzim. Em relação ao posicionamento, foi mais um segundo avançado e aí é o treinador que está com ele em jogo que toma a decisão. Face às características, o Gonçalo Ramos é mais um segundo avançado que o Henrique [Araújo], que é mais posicional e um ponta de lança de área."

Tomás e Henrique Araújo vai ter minutos na equipa principal?

"O Tomás não tem treinado tantas vezes como o Morato, o central da equipa B que trabalha diariamente comigo. Mas tem muita qualidade, é tecnicamente muito evoluído para a posição, mas é preciso tempo para fazer com que os jogadores sejam diferenciados. Os treinadores gostam desses jogadores, para quem a idade não conta, mas há outros é que é preciso tempo para os formar.

O Henrique ainda tem idade de júnior, de equipa de sub-23, tem vindo a aproveitar bem esta possibilidade de o Gonçalo Ramos trabalhar com a equipa principal e ele com a B. Tem sido o goleador da equipa e demonstrado que é um ponta de lança a ter em conta. Já dizem que é um pouco estilo do seu conterrâneo, o Pauleta [mas é madeirense, não açoriano]."