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Jorge Jesus: "Vi o lance do Eustáquio um pouco à pressa. Comentar o que o Pepe disse sobre uma jogada destas? 'Granda' moral"

Na antevisão ao jogo com o Gil Vicente (sábado, 18h, BTV), o treinador do Benfica fez mea culpa sobre as primeiras declarações que fez, no último fim de semana, sobre a entrada de Eustáquio sobre Weigl que valeu a expulsão ao médio do Paços de Ferreira. E riu-se sobre a hipótese de se pronunciar sobre as palavras com que Pepe, capitão do FC Porto, revelou sentir-se "envergonhado" por ver "um treinador falar daquela maneira"

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Gualter Fatia/Getty

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Treinador do Gil Vicente falou do Benfica melhorado

"O covid foi uma novidade em todas as áreas, no futebol também não estávamos habituados a lidar com uma situação destas. Foi uma novidade que já foi ultrapassada, felizmente conseguimos recuperar o grupo e agora é continuar como temos vindo a fazer neste último mês, mês e meio, com todos os jogadores disponíveis e uma melhor capacidade física. Depois, é natura que a equipa melhore".

Sobre o Gil Vicente

"É uma equipa bem organizada, com uma intensidade de jogo alta, um jogo agressivo no bom sentido. Não é fácil bater esta equipa, seja fora ou dentro, vai ser um jogo difícil como temos tido vários no Estádio da Luz. Mas continuo a pensar que temos capacidade e 'obrigação' de somarmos mais uma vitória, não há outro caminho.

Mas estamos preparados para as dificuldades do jogo, sabendo que o adversário tem as suas estratégias e que podemos não deixar que o adversário tenha a sua estratégia. É isso que vamos tentar fazer e estamos muito confiantes para somar mais uma vitória".

Pepe sentiu-se "envergonhado" com declarações de JJ sobre entrada de Eustáquio

"Falo diretamente dos meus rivais e adversários, como foi o caso do Eustáquio, que foi um jogo comigo. Não vou falar de outros jogos. O que aconteceu contra o Paços de Ferreira, entre o Eustáquio e o Julian [Weigl], vi o lance um pouco à pressa e depois de ter analisado bem, percebi perfeitamente por que é que o Eustáquio chegou tarde ao momento de decisão.

Quem jogou futebol e andou muitos lances disto... Eu sou do tempo das jogadas de pé em riste em que não se passava nada. Hoje, sempre que um jogador chega tarde à bola, normalmente leva um amarelo ou um vermelho. Depois de ver a jogada do Eustáquio várias vezes, percebi que não fez aquilo com intenção, sem querer magoar, ao contrário do que achei lá, no momento, porque vi com outros olhos. Vi coisas que só quem joga é que percebe.

Posso dizer que o que me deu logo a indicação, depois do jogo, de que ele não tinha intencionalidade nenhuma, é a perna de apoio dele, a forma como escorrega e ficou desequilibrado. Se não fosse isso... A minha vida sempre foi de jogador, desde os 14 anos, sei o que é tempo de entrada, dos momentos em que queremos dar na bola e nos outros em que não queremos. Hoje já não se pode fazer isso.

Não vou comentar aquilo que o Pepe disse, Comentar aquilo que o Pepe disse sobre uma jogada destas? 'Granda' moral [ri-se]".

Está a gostar de ver o Benfica a jogar?

"Acredito sempre que as equipas e os jogadores melhorem e se melhores os jogadores individualmente, vais melhorar a equipa coletivamente. Faltam oito jogos e sei que a equipa ainda tem muito para crescer. É normal. O Benfica ainda tem muito para crescer porque o tempo de trabalho aumenta a qualidade às equipas. Não tenho dúvidas que a gente ainda tem muito para crescer".

Benfica não sofre golos há sete jogos, Gil marca há quatro

"Tudo isso são estatísticas que você tem como certezas. O nosso primeiro objetivo é somar três pontos, sabendo que, se não sofreres golos, estás mais perto de poder ganhar o jogo. É nisso que acreditamos e vamos tentar ser perfeitos como temos vindo a ser.

Às vezes não se sofre golos por sorte nos jogos, outras vezes porque o adversário não tem possibilidades para criar ações de finalização. Queremos trabalhar na segunda observação, ou seja, uma equipa com muita organização defensiva que não dê possibilidades ao adversário de finalizar e ter remates na baliza. É isso que vamos tentar fazer.

Cada vez mais, o Benfica tem jogadores que, individualmente, podem fazer a diferença a qualquer momento".

Ainda pensa em chegar ao 1.º lugar?

"Aquilo que sei é a recuperação que estamos a tentar fazer, jogo a jogo, em relação aos dois adversários que estão à frente. Para chegares ao segundo lugar, dependes de ti, para chegares ao primeiro, não. É dentro dessa lógica que acreditamos que, jogo a jogo, somando os três pontos como temos feito nos últimos jogos, podemos recuperar o segundo lugar porque estamos dependentes de nós. O resto, é o adversário que vai à frente que tem a responsabilidade. Estamos dependentes deles".

O calendário que falta aos rivais

"Claro que olhei, mas é subjetivo. Vocês sabem que, no futebol, os jogos que às vezes parecem mais fáceis torna-se os mais difíceis. O que nos agrada é que ainda temos jogos contra os rivais que vão à nossa frente, isso é importante e baseamo-nos nisso, no que podemos controlar, que são os nossos jogos. É um fator que nos dá mais confiança do que se tivéssemos oito jogos e sem os nossos rivais a disputarem os três pontos com o Benfica."

O 3-4-3 continuará a ser aposta?

"Temos feito algumas alterações no esquema tático da equipa. Vocês sabem, estou farto de dizer isto, acredito na evolução do futebol, que passa por isso. Estamos a trabalhar, também não dá para trabalhar muitos ao mesmo tempo, mas pelo menos um plano A e um plano B.

Tanto num sistema, como no outro, tem mais a ver com os jogadores, por achar que num sistema estão num nível individual forte, mas noutro posso achar que não vale a pena jogar com três jogadores no corredor central porque os nossos avançados estão muito fortes. Tudo isso tem a ver com os jogadores do Benfica e zero com o adversário. É nisso que a gente acredita".

Em que áreas falta mais ao Benfica crescer?

"No tempo que trabalhas com os jogadores vais-lhes dando qualidade de trabalho e mostrando ideias que eles vão observando e sacando essas ideias para se valorizarem. Isso é com treino, com horas, dias, meses e anos. Não é por acaso que quando um treinador tem dois ou três anos com a equipa, essa equipa é mais forte.

O jogador vai acumulando e acumulando e valorizando-se. Acredito na soma do trabalho e que justifica a qualidade da equipa e do jogador. Onde podem crescer mais? Em todos os momentos do jogo. Uns são mais difíceis que outros, mas quanto mais tempo os jogadores trabalham comigo, a equipa mais forte fica. Sei que a equipa se vai valorizar e melhorar em todos os momentos do jogo".

Três jogos numa semana

"Quando tens jogos de três em três dias, só podes ter uma opinião após o jogo, no próximo jogo. Antes, não tens dados. Posso falar pela experiência, ao fim de três dias vais ter de mexer na equipa, em quem, ainda não sabes, mas vais tomar decisões com ideias do que se passou no jogo anterior".

No momento, o Benfica é a equipa mais forte na liga?

"Há momentos em que as equipas estão pior ou melhor. Mas a melhor é a que chega ao fim e ganha. Porque ao longo do percurso e da soma dos 34 jogos foi a que mais pontos fez. Essa tem de ser a melhor equipa. O facto de o Benfica ter feito, nos últimos jogos, alguns, cinco ou seis, interessantes, não é por isso que é a melhor na soma de todos os jogos. O melhor é o Sporting, que está à frente. Não tenho dúvida absolutamente nenhuma".

Deve a I Liga passar a ter 16 equipas?

"Sou tanto defensor do futebol com 16 equipas como com 18. Agora, com 16 equipas pode ser mais vantajoso para as que normalmente vão às competições europeias, pois têm menos jogos no campeonato. Acredito que sim. Mas, por outro lado, também acredito que deixas de ter duas equipas na I Divisão. São 50 jogadores que podem ficar não digo desempregados, mas com mais dificuldades em terem trabalho.

Há interesses para uma parte e interesses para outro. Estou mais preocupado que esses 50 jogadores tenham mercado e possam estar na I Divisão".