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PwC deixa de certificar contas do Benfica. Segue-se auditora de fora das 'big four'

No espaço de um ano, regras de auditoria tiram PwC de dois dos três grandes do futebol. EY ganhou peso. E entra agora uma das empresas de média dimensão do sector, a Mazars

Diogo Cavaleiro

NUNO FOX

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A PwC deixou de ser a auditora da Benfica – SAD. Como os revisores oficiais de contas não podem ficar muito tempo em funções, houve substituição, e a empresa presidida por Luís Filipe Vieira escolheu uma auditora que não pertence às maiores do sector.

“A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD informa que a PricewaterhouseCoopers & Associados, SROC, S.A. cessou funções do cargo de Revisor Oficial de Contas, considerando as regras aplicáveis à limitação de mandatos, sendo substituída pela Mazars & Associados, SROC, S.A”, revela a sociedade detida pelo clube em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

No sector das auditoras, há quatro grandes empresas internacionais, conhecidas como big four, que concentram a faturação (PwC, Deloitte, KPMG e EY), sendo que a Mazars inclui-se nos grupos de auditoria, fiscalidade e consultoria que se lhes seguem na lista.

Em janeiro, realizou-se a assembleia-geral para a eleição dos novos órgãos sociais, em que Luís Filipe Vieira foi reconduzido como presidente do conselho de administração, e logo aí se soube haver intenção da SAD de mudar o revisor oficial de contas, mas não havia ainda uma escolha.

O Benfica justificava o facto de ter lançado um processo de consulta prévia às auditoras por a PwC “atingir a limitação aplicável no decurso do mandato relativo ao quadriénio 2020/2024”. As regras de supervisão obrigam a que haja rotação destas entidades (dois mandatos de quatro anos ou três mandatos de três, no máximo), para não criar um excesso de proximidade com a entidade auditada. E a PwC estava nas funções desde 2014, encontrando-se já no segundo mandato.

A decisão da SAD foi manter a PwC em prolongamento de mandato até à nomeação do novo revisor oficial de contas. O Benfica esperava que a escolha viesse “a ter lugar com a maior brevidade durante o exercício de 2020/2021, atualmente em curso, assegurando aquela entidade os serviços necessários à emissão da documentação de auditoria relativa ao exercício em causa”. O relatório e contas do primeiro semestre fiscal, concluído em fevereiro, foi analisado pela PwC.

A substituta, a Mazars, chegou agora, recebendo um contrato de centenas de milhares de euros. Para a certificação de contas da época 2019/2020 (a última revisão anual que foi realizada), a PwC recebeu 225 mil euros de honorários.

A PwC era também a auditora externa da Sporting SAD desde 2013, tendo sido substituída no ano passado, devido igualmente às regras de rotação impostas pela CMVM. Nesse caso, a EY foi a escolha para assumir essas funções. É mesma a EY (Ernst & Young) que olha para as contas da FC Porto SAD desde 2016.