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Jesus: "Faltam 21 pontos, o Sporting tem 12 de avanço. Matematicamente é possível, mas é quase impossível. Não vou vender banha da cobra"

Na conferência de imprensa de antevisão do Portimonense-Benfica (quinta-feira, 19h), Jorge Jesus garantiu que não pensa sair da Luz e que não ficará satisfeito com um 2.º lugar, mesmo sabendo que já é quase impossível chegar ao título

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TANIA PAULO

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Lugar em risco?

"Já falei sobre isso. Tenho dois anos de contrato para cumprir. Estamos a cumprir a primeira época e vamos para a segunda época. A classificação que o Benfica possa ter e que ainda acreditamos que podemos atingir é dentro daquilo que o Benfica pode fazer. Quanto ao segundo lugar, é verdade. Não estamos dependentes de nós, mas temos qualidade para lá chegar".

O título

"Sinto mais difícil [a conquista do título]. Agora, a pressão é sempre a mesma. Um clube que tem sede de ganhar, como é o caso do Benfica, que neste ano não está a fazer um campeonato como eu e os benfiquistas estaríamos a pensar... Não é nada que eu já não tenha passado neste clube."

Objetivo passa pelo segundo lugar?

"Não podemos fingir que somos cegos. Eu assumo as minhas responsabilidades, não fujo a nenhuma pergunta. Faltam 21 pontos, o Sporting tem 12 de avanço. Matematicamente é possível, mas é quase impossível. Não vou estar a vender banha da cobra. Isto não são as histórias da carochinha. Sabemos que tanto para o FC Porto como para o Benfica vai ser muito duro, alguém vai continuar a perder pontos. Como eu disse na minha primeira intervenção, está difícil ganhar pontos. Principalmente nesta segunda volta."

Título impossível?

"Não é impossível. Não tem nada a ver. Para mim, se o Benfica ganhar a Taça de Portugal e ficar diretamente apurado na Champions continua a não ser uma boa época. Os meus últimos anos no Benfica foi a ganhar tudo. O segundo lugar e a Taça de Portugal são objetivos que não me satisfazem".

A Superliga

"Nem eu nem ninguém teve muito tempo para acompanhar, até porque em dois dias tudo mudou. O futebol ao longo da história é um jogo feito para pessoas, para o povo, um jogo em que os melhores criam um historial que é conquistado por resultados desportivos e não por um torneio em que nem todos têm essa capacidade para lá chegar desportivamente. Não vou dizer que não acreditava, porque agora é mais fácil dizê-lo, mas é contra a natureza do desporto. As pessoas que têm respeito pelo desporto nunca vão por uma coisa dessas".

Rendimento de Everton

"Cada caso é o seu caso. Ele sabe que não está a jogar ao nível que jogava no Brasil, assim como eu sei. O futebol em Portugal é diferente. No Brasil, todas as equipas jogam para ganhar e com a intenção de serem ofensivas durante o jogo, isto seja que equipa for. Em Portugal, somos muito mais evoluídos taticamente, sabemos mais como parar o jogo do adversário. As capacidades estão dentro dele e acredito que nestes últimos sete jogos não vai ser o mesmo mas que no próximo ano vai entrar em pleno. Chegou com 21 jogos já em cima dele. Acredito que este poderá ser um dos aspetos... Tenho de dar o benefício da dúvida, não pela qualidade dele. A seleção do Brasil é a melhor do mundo e se eles quiserem partir e fazer duas continuam a ser as duas as melhores do mundo. Ele tem tudo para jogar ao nível dele, mas é verdade que este ano não tem conseguido".

O Portimonense

"A equipa trabalhou como vinha a trabalhar, com a mesma confiança. Sabemos que o adversário está moralizado, mas também conscientes de que temos capacidade e qualidade para ultrapassá-los. Reconhecendo a qualidade do adversário, sabemos que vamos passar por algumas dificuldades".

Três centrais?

"Começámos com um sistema e mudámos para outro. Não só em função do Benfica e dos jogadores, mas também em função do nosso adversário. São sistemas muito parecidos, é fácil de mudar mudando apenas um só jogador. Escolhi estes dois porque é a base de tudo. É claro que amanhã terei de escolher um destes dois. Não é o facto de teres perdido com o Gil Vicente que vai mudar a tua ideia para Portimão."

Cansaço dos jogadores no jogo com o Gil Vicente

"Depois desse jogo, especulou-se muito que os jogadores poderiam estar mais cansados. Só quem não entende nada de treino, não tem noção nenhuma do que é trabalhar hoje as grandes equipas, e eu estou a considerar o Benfica e a minha forma de trabalhar, de alto nível, é que pode ter alguma dúvida e escrever alguma coisa sobre uma semana de trabalho normal de uma grande equipa. Porque as grandes equipas hoje, com as novas tecnologias, um treinador sabe que... Vou dar um exemplo, um fiz um exercício de 20 minutos. Eu sei que naquele exercício, porque cada jogador tem um GPS, qual é a intensidade do treino. Se é 70, 50, 20%, qual é a intensidade de cada exercício. Portanto, é uma estupidez quando se fala disto hoje em dia no futebol. Isto para dizer que qualquer treinador sabe as intensidades, porque as novas tecnologias assim o permitem, se é muita ou pouca intensidade."