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Confiar no darwinismo

O Benfica ainda sofreu primeiro em casa do Portimonense, mas a entrada de Darwin Nuñez ao intervalo foi o clique que faltava para a evolução do jogo encarnado, frouxo na 1.ª parte, altamente eficaz na 2.ª metade. A equipa de Jorge Jesus venceu por 5-1 e regressou aos triunfos depois do trambolhão do fim de semana

Lídia Paralta Gomes

LUIS FORRA/EPA

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Cientifica e antropologicamente falando, devemos sempre confiar no darwinismo. Futebolisticamente, tem dias. Darwin Nuñez chegou ao Benfica enrolado num manto de milhões e a primeira época na Luz tem sido de luzes e sombras. Que o rapaz tem qualidade, parece evidente. Que é mais verde que uma videira na primavera, também.

Mas esta quinta-feira, em Portimão, Jorge Jesus em bom tempo confiou em Darwin e o avançado foi mesmo um talismã para a evolução da espécie futebolística que o Benfica estava a tentar jogar, mas que esteve sempre como que emperrada na 1.ª parte.

Com muita bola, muita circulação, mas com dificuldades a criar verdadeiro perigo - e com a opção de três centrais a trazer muito pouco à equipa a nível de dinâmicas ofensivas - o Benfica ia vivendo das combinações Rafa/Pizzi, mais bonitas que eficazes, com o Portimonense à espreita de um contra-ataque ou de um erro.

Erro - ou uma sucessão de erros - que apareceu aos 43’. Boa Morte rodou e tirou Vertonghen e Gabriel no lance, Grimaldo foi pouco agressivo e o médio do Portimonense teve tempo e liberdade para encontrar Beto no espaço, que voltou a marcar na Liga.

O golo do Portimonense castigava alguma parcimónia do Benfica no último terço, mas ainda antes do intervalo o que não tinha sido eficaz ao longo de toda a 1.ª parte acabou por funcionar: Vertonghen finalmente subiu e picou para Grimaldo, que de cabeça encontrou a entrada de rompante de Pizzi na área.

Com o jogo empatado, mas indicações nem sempre positivas da sua equipa, Jorge Jesus quis abanar: tirou Gabriel do meio-campo, confiando na capacidade dos seus três centrais em parar o ataque dos algarvios, e lançou Darwin para fazer companhia a um Seferovic muito apagado no 1.º tempo.

LUIS FORRA/LUSA

E com Darwin o ataque do Benfica encontrou outros espaços, fluiu. Logo no arranque, o uruguaio surgiu sozinho, mas atirou por cima uma bola que vinha de um ressalto adversário. Foi a primeira ameaça para o que aconteceria poucos minutos depois: num ataque rápido, Taarabt lançou o jovem avançado que ganhou em potência aos dois centrais do Portimonense e consumou a reviravolta.

A partir daí o Benfica soltou-se definitivamente. Darwin podia ter bisado aos 59’, mas magnanimamente tentou oferecer a Seferovic, a pior opção naquela jogada, mas o suíço ainda teria as suas oportunidades. Aos 64’, numa boa jogada pela direita, Diogo Gonçalves foi inteligente a encontrar o avançado na área e Seferovic fez o seu primeiro golo no jogo com um remate forte. Dez minutos depois foi Grimaldo o carteiro, com um cruzamento perfeito depois de mais uma jogada coletiva do Benfica, muito mais rápido e eficiente após o intervalo.

O Benfica ainda voltaria a marcar por Everton quando Artur Soares Dias já se preparava para dar por terminado o jogo, conseguindo assim voltar às vitórias depois do trambolhão na Luz frente ao Gil Vicente. Ainda houve um susto e o Portimonense foi sempre uma equipa capaz de criar perigo com bola e nas transições, mas as mudanças de Jorge Jesus ao intervalo acabaram por fazer a diferença. E esta noite foi noite para confiar no darwinismo, até futebolisticamente falando.