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Benfica

Foi preciso trazer um Chiquinho também

O médio foi decisivo ao marcar o segundo golo do Benfica e a dar a vitória aos encarnados sobre o Santa Clara num jogo em que os açorianos venderam muito cara a derrota por 2-1 e só se podem queixar de si (e da sorte) por não saírem da Luz com, pelo menos, um ponto

Tiago Oliveira

Chiquinho, depois de marcar ao Santa Clara

Getty Images

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Por essa estrada, como diria Zeca Afonso, veio Chiquinho e o médio aproveitou para dar um pouco mais de cor a uns encarnados que apareceram muito murchos na ressaca do dia da liberdade. Sem rasgo nem criatividade, podem agradecer a vitória por 2-1 frente ao Santa Clara ao momento infeliz de Carlos Júnior, à falta de mais acerto na finalização e à grande exibição de Helton Leite, que parou quase tudo. Não foi bonito, foi sofrido, mas a operação acabou por ter o resultado pretendido.

Os açorianos fizeram o suficiente para sair com outro resultado da Luz e voltaram a mostrar que a época tranquila que estão a realizar não é fruto do acaso. Bom trabalho de Daniel Ramos que pegou na base de trabalho sólido dos últimos anos para criar uma equipa que joga como tal, e com um conjunto de jogadores que parece sempre saber o que fazer em campo.

A ideia de jogo positiva dos visitantes cedo se mostrou no recinto encarnado e o Benfica foi sempre revelando muitas dificuldades em contrariar o jogo do Santa Clara. As águias entraram em campo com Weigl e Éverton como novidades no onze e com Jorge Jesus a não abdicar do 3-4-3, como de resto tem sido recorrente nos últimos jogos.

À entrada positiva do Santa Clara o Benfica respondeu com a primeira grande oportunidade do jogo, com Pizzi a rematar rente ao poste esquerdo aos 11 minutos após um boa jogada individual. Uma gota no oceano, diga-se, porque os encarnados revelavam-se incapazes de pegar no jogo e, durante boa parte, só deu Santa Clara. Literalmente, como vai perceber no próximo parágrafo.

Baliza errada

Os açorianos ameaçavam e acabaram por marcar. Com a pequena nota de ter na sido na própria baliza. Incursão de Everton pela direita a passar em velocidade por três jogadores do Santa Clara e a centrar para o meio, onde apareceu a infeliz cabeça de Carlos Júnior a desviar a bola para um autogolo que colocava o Benfica em vantagem completamente contra a corrente do jogo, aos 26 minutos.

Já se sabe que o futebol tem destas coisas e mesmo a fazer muito pouco por isso, o Benfica podia logo a seguir ter aumentado a vantagem para 2-0. Não tivesse Seferovic feito aquilo que parecia o mais difícil quando tinha a baliza à sua mercê e rematado por cima.

Podia ter sido um jogo diferente, só que a vantagem não aumentou, e o Santa Clara continuou a dominar perante o torpor benfiquista. Os açorianos atacavam com um futebol esclarecido e vistoso de pé para pé, e foram a perder para o intervalo sem ter feito por o merecer. O que poderá ter espicaçado os jogadores para a entrada de rompante na segunda parte em que os encarnados mal conseguiam sair da sua metade do campo.

Com Cryzan e Lincoln em destaque, os remates e as ameaças iam surgindo com naturalidade. Helton Leite mostrava-se seguro e foi com uma grande intervenção que negou o que seria um golo muito bem conseguido de Rafael Ramos, na cobrança de um livre direto aos 59 minutos. O Benfica não conseguia sacudir a inoperância, e na sequência de uma série de passes falhados por Éverton, Jorge Jesus prescindiu do brasileiro para colocar Chiquinho em campo.

Primeiro remate

O golo parecia estar cada vez mais próximo e acabou mesmo por surgir, desta feita, pelo prisma visitante, na baliza certa. Falha de Otamendi que perde a bola para Lincoln, com este a cruzar de pronto para a entrada da grande área onde apareceu Anderson Carvalho a rematar aos 62 minutos para o fundo das redes encarnadas.

Era o empate merecido e o Benfica parecia estar vulnerável. Do banco, a ansiedade era visível e Jorge Jesus fez entrar Darwin para tentar mexer com a equipa. E, mesmo sem deslumbrar, acabou por conseguir, quando o Benfica voltou a colocar-se em vantagem. Naquele que foi o primeiro remate das águias em toda a segunda parte, Chiquinho também apareceu solto de marcação para converter um cruzamento de Diogo Gonçalves aos 73 minutos e penalizar a boa resposta do Santa Clara.

O segundo golo tirou um pouco de oxigénio aos açorianos, que continuaram mais atacantes, mas sem conseguir impor o domínio e futebol escorreito que demonstravam antes, ao passo que o Benfica conseguia controlar melhor as incidências e libertar-se mais no ataque, apesar da falta de clarividência no último terço continuar a ser uma constante.

Certo é que o marcador não voltou a mexer e o Benfica emerge vitorioso de um jogo muito difícil e em que o Santa Clara pode pensar que merecia algo mais. Chiquinho saiu à rua na hora certa para aumentar a vantagem do Benfica sobre o Braga e esperar para ver o que faz o FC Porto em Moreira de Cónegos.