Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
Benfica

Cebolinha e uma tira de apenas 20 minutos

Em Tondela, o Benfica entrou bem, marcou dois golos nos primeiros 20 minutos e depois, melhor ou pior, foi gerindo o encontro que antecede a receção ao FC Porto da próxima quinta-feira. Uma assistência e um golo (fantástico) de Everton arrumaram cedo a questão

Lídia Paralta Gomes

PAULO NOVAIS/LUSA

Partilhar

Olho para a imagem da banda desenhada brasileira e para o jogador que esta época chegou ao Benfica vindo do Grémio e não posso deixar de sentir a chegar um daqueles sorrisos trocistas que aparecem exclusivamente ao canto da boca quando, na nossa cabeça, uma peça inesperada encaixa em outra mais inesperada ainda.

São parecidos, de facto, não sei se é de Everton, o rapaz de carne e osso, ser também baixinho, na verdade acho que é mais o cabelo, Everton tem mais do que aqueles cinco finos fios de cabelo no topo da cabeça do boneco tornado personagem por Maurício de Sousa, mas eles no futebolista eles também andam ali algures no ar, com uma derivação de poupa para a direita.

Uma direita bem metida, em arco, com uma derivação flutuante para o canto esquerdo da baliza de Trigueira foi também o que colocou Everton, Cebolinha de sua alcunha, no centro da vitória do Benfica em Tondela, 2-0 com dois golos nos primeiros 20 minutos, um da autoria do brasileiro, outro com assistência vinda do seu pé, num jogo que os encarnados quiseram fechar cedo para cedo se começarem a preocupar com outro jogo, o de quinta-feira, frente ao FC Porto.

A entrada foi forte, mais dos 10 minutos para a frente do que para trás, porque no arranque o Tondela ainda tentou pressionar o Benfica e impedir saídas limpas para o ataque dos encarnados. Mas mal Jorge Jesus exigiu velocidade, as oportunidades apareceram. Primeiro aos 9’, com Seferovic a falhar na área uma bola que lhe foi oferecida por Grimaldo depois de um bom trabalho de Waldschmidt pela esquerda.

Aos 12’, de novo pela esquerda, Everton arrancou, foi à linha e cruzou para a área. A bola passou por Grimaldo e Seferovic antes de encontrar Pizzi ao segundo poste, que com um remate cruzado bateu Trigueira pela primeira vez.

PAULO NOVAIS/LUSA

Os minutos que se seguiram foram de recriação encarnada, com vários momentos coletivos de qualidade e a certeza que o Benfica ia à procura de mais. Everton esteve perto aos 15’, após uma boa jogada de entendimento, e conseguiria aos 19’, na sequência de um lance rápido da equipa de Jorge Jesus. Seferovic lançou Pizzi ainda antes do meio campo, Pizzi encontrou Everton e o brasileiro sócia de personagem de tirinhas, que hoje andou tão danado para arranjar problemas ao Tondela como Cebolinha a Mónica, fletiu ligeiramente e marcou um bonito golo.

A partir dos 20 minutos a banda desenhada acabou, metaforicamente, claro, porque o jogo ainda teve muitas páginas, mas para o Benfica acabou ali o esforço. Muito provavelmente com a cabeça já em quinta-feira, os encarnados procuraram controlar com bola, com ritmo q.b., o que poderia ter sido um problema caso Mário Gonzalez estivesse em dia sim.

O avançado do Tondela foi o protagonista do único lance de perigo da equipa da casa na 1.ª parte, aos 22’, e na 2.ª parte acabou por não acompanhar com eficácia a subida de rendimento da sua equipa, nomeadamente de Salvador Agra. Com pelo menos três lances em que surgiu na cara de Helton Leite, o espanhol perdeu sempre o duelo com o guarda-redes brasileiro, muito atento e decisivo para manter a tranquilidade da sua equipa, que de tempos a tempos na 2.ª parte pareceu demasiado adormecida para quem queria segurar um resultado.

Mas segurou, com menor ou maior imposição, e a falta de eficácia do Tondela até deu para Jorge Jesus fazer estrear o jovem central Morato, num jogo em que não pode contar com Otamendi e voltou a apostar numa linha de quatro defesas.