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Ramos de golos mantêm Benfica na luta pelo segundo lugar

Gonçalo Ramos saiu do banco para bisar e garantir a a vitória do Benfica frente ao Nacional (1-3), num jogo em que os encarnados entraram muito mal, passaram o jogo quase todo atrás do prejuízo e deram a volta em poucos minutos, perante um adversário que vendeu cara a derrota

Tiago Oliveira

Gonçalo Ramos foi decisivo ao bisar na partida

HOMEM DE GOUVEIA/Lusa

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O banco faz a diferença. Ou não tivesse sido aqui que residiu o segredo da vitória do Benfica perante o Nacional e que permite aos encarnados não perderem de vista o segundo lugar. E com um nome em particular destaque. Gonçalo Ramos conta poucos minutos ao serviço da equipa principal do Benfica mas, felizmente para os encarnados, os golos não se medem aos minutos. Bastaram seis em campo para o jovem avançado fazer o golo que consumou a reviravolta do Benfica e mais cinco para bisar e selar o triunfo por 3-1 na Choupana.

Com seis alterações relativamente ao onze que empatou com o FC Porto na última jornada, a equipa de Jorge Jesus regressava aos dois centrais e dava a oportunidade a uma série de jogadores pouco rotinados a jogar em conjunto, o que foi notório. A entrada foi desconjuntada, com as águias a falharem um sem número de passos e a mostrarem-se, quase sempre, inoperantes no ataque à grande área adversária. O que, sejamos justos, também se deve em grande parte à postura do anfitrião em campo.

Ao ritmo da arrancada

Os alvinegros arrancaram numa velocidade acima dos encarnados e desde cedo colocaram a defesa do Benfica em sentido. Em particular, Bryan Riascos, um dínamo constante ao longo do jogo, que com as suas arrancadas e poderio físico causou muitas dificuldades aos encarnados, sobretudo a Gilberto, que nunca se revelou confortável perante o oponente.

Foi precisamente numa dessas corridas que surgiu a primeira grande oportunidade de golo do encontro. Com o Nacional a canalizar muito jogo pela esquerda, Riascos pegou na bola e, aos oito minutos, partiu da linha lateral, fletiu para o meio, e disparou forte para uma defesa atenta de Helton Leite. O primeiro aviso estava dado mas de pouco serviu. O primeiro golo estava já ao virar do canto.

A bola parada foi parar à cabeça infeliz de Seferovic, com o suíço a desviar na grande área na direção de Riascos que, acampado em cima da linha de golo, só conseguiu desviar de peito para o poste. Com sorte, o ressalto foi parar ao joelho de Pedrão, que colocou a bola dentro da baliza e deixou o Benfica em desvantagem.

Os encarnados nunca conseguiram responder ao 1-0 ao longo da primeira parte e, além de algumas arrancadas de Nuno Tavares, pouco incomodaram o Nacional, salvo duas perdidas de Seferovic. Quem esteve mais perto de marcar foram mesmo os alvinegros, que viram Helton Leite a ser decisivo de novo e a impedir Éber Bessa de celebrar aos 33 minutos, após este ter irrompido pela meio da atordoada defensiva benfiquista.

Primeira parte muita fraca do Benfica, com uma mudança completa ser necessária para manter as águias na luta pelo objetivo de ainda atingir o segundo lugar. É aqui que entra o banco e a diferença de recursos que fez a balança pender para o lado encarnado. Ao intervalo, Jorge Jesus, que ao longo dos primeiros 45 minutos se mostrou bem audível no desagrado para com a exibição da equipa, lançou Grimaldo, Éverton e Pizzi, para tentar reverter a situação e levar de vencida um Nacional desesperado por pontos na luta pela manutenção na Primeira Liga.

Bis a dobrar

Os madeirenses até estiveram próximos de aumentar a vantagem logo no reatamento, com Helton Leite (de novo) a impedir os festejos, só que com a diferença de armas do Benfica a partir do banco, a pressão foi-se acentuando. A intervenção do VAR apontou uma falta de Lucas Veríssimo, sobre Pedro Mendes, que tornou inválido o remate de longe de Nuno Tavares que havia dado o empate do Benfica aos 52 minutos, com os encarnados, apesar da desinspiração, a revelarem-se mais intensos nos duelos e na procura da vitória.

As entradas de Darwin e Gonçalo Ramos, juntamente com os desiquilíbrios individuais provocados por Everton, acentuaram a tendência e o Nacional via-se cada vez mais pressionado. O treinador Manuel Machado procurou responder e refrescar o ataque, mas o empate não ia tardar. Se Pedrão tinha sido feliz na primeira parte, foi infeliz na segunda ao estar no sítio errado à hora errada para desviar, para a própria baliza, um remate de Seferovic, após boa jogada de Everton pela esquerda.

1-1 aos 78 minutos e estava feito o primeiro bis da tarde. Com o empate a não servir as pretensões do Nacional, Manuel Machado arriscou e desequilibrou a equipa, que ficou mais exposta. O segundo e o terceiro bis vieram logo a seguir com autoria de, adivinhou, banco.

Duas assistências de Darwin para duas finalizações seguras de Gonçalo Ramos que marcou os primeiros golos nesta edição do campeonato e permite ao Benfica manter-se na luta pelo segundo lugar, quando faltam dois jogos para terminar a prova, enquanto o Nacional precisa de um milagre para evitar a despromoção. Do outro lado, na riqueza do banco à procura da riqueza da Champions, brilhou a riqueza dos Ramos da cantera.