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Jorge Jesus: "Fora das quatro linhas encontrei um futebol português pior do que quando saí daqui: está muito agressivo"

Em jeito de balanço da época que marcou o seu regresso a Portugal, o treinador do Benfica diz que encontrou um futebol taticamente mais evoluído, mas fora de campo a história é diferente. Antes do último jogo do campeonato, e na semana em que joga a final da Taça, frisou ainda que não vai abdicar de Haris Seferovic para o encontro com o Vitória

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MARIO CRUZ

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V. Guimarães

“As minhas decisões e opções serão em favor da responsabilidade que caracteriza independentemente que seja um jogo sem objetivo, mas os jogadores tem a responsabilidade de vestir a camisola do Benfica e o Benfica joga sempre para ganhar, para jogar bem e dar espectáculo quando pode. A minha abordagem ao jogo terá esses factores em conta. Se há dúvidas em função da final de domingo? Também direi que sim, mas não foi esse o foco. O Vitória vai jogar só para a vitória, tem o objetivo das competições europeias. Está muito mais motivado que o Benfica, o que não quer dizer que os jogadores do Benfica não estejam motivados. Mas às vezes os jogadores, em vez de serem favorecidos pela motivação é ao contrário, jogam todos com ansiedade e a tremer. A nossa grande responsabilidade é jogar para ganhar. Individualmente o Vitória tem jogadores de grande qualidade, não me perguntem porque é que mudou tantas vezes de treinador porque eu não sei”

Melhor da época

“O que saliento para o crescimento na 2.ª volta foi o facto de termos mais tempo para trabalhar. De trabalhar com uma equipa que deixou de estar doente, que pode trabalhar com intensidade mais alta, mais minutos. Isso fez com que eu passasse melhor as ideias. Começamos a jogar com dois sistemas e isso fez-se com tempo de treino. E alguns jogadores individualmente começaram a render mais. Penso que esse foi o factor mais importante para sermos a equipa com mais pontos na 2.ª volta”

Seferovic

“Esse não vou abdicar certamente. Vai jogar se tudo correr normalmente até lá. O mais importante são os objetivos coletivos e não os individuais, neste jogo o único objetivo coletivo é a vitória, mas podendo incluir um objetivo individual que é poder ajudar o Seferovic a ser o melhor marcador…”

Dois jogos em três dias

“No penúltimo jogo, na Madeira, já fizemos várias modificações, como fizemos na Liga Europa, quando jogávamos de três em três dias. Este jogo assemelha-se porque jogas quarta-feira e domingo tens uma decisão. A ideia é a mesma”

Bancadas sem adeptos

“Claro que eu gostava que pudesse haver adeptos. Mas se não é possível, em defesa do coletivo, acho que está certo. Não é por mais 90 minutos que vai mudar alguma coisa. Se houvesse mais jogos seria mais interessante. Mas quero dizer que o futebol tem todas as condições para ter adeptos: é um espaço controlado, aberto, não é em pavilhões. Permite toda a segurança, até porque as pessoas no desporto foram as primeiras a perceber como lidar com a covid, ao mesmo tempo que trabalhavam”

Muitos jogos em agosto

“Claro que preocupa, mas não me preocupa tanto como me preocupava o ano passado porque não vou trabalhar com jogadores que nunca tinham trabalhado comigo, vou trabalhar com uma equipa que tem um ano de trabalho. Tudo é mais fácil. E há um ano na Champions era só um jogo, agora serão dois, tudo é diferente, para melhor”

Que futebol português encontrou?

“Estive quase três anos fora e isso fez-me crescer como treinador, vim com outras ideias. Encontrei um futebol português taticamente mais evoluído, pela qualidade dos treinadores, encontrei as equipas mais pequenas mais equilibradas em relação aos quatro grandes. Mas fora das quatro linhas encontrei um futebol português pior do que quando saí daqui: está muito agressivo, não há respeito por muitas coisas que acontecem. A comunicação fora das quatro linhas não valoriza o futebol português, não defende o respeito entre as pessoas”

Palavras de Jaime Antunes

“Não preciso que o vice-presidente do Benfica me venha alertar para esse facto [obrigatório entrar na Champions] porque sobre isso eu falo todos os dias com o presidente, com o Rui Costa, com o Domingos Soares de Oliveira. Com essas pessoas é com quem estou habituado a falar de futebol. [Humildade?] Não sei onde é que ele quis chegar. Com as pessoas a quem tenho de responder sou humilde, para as pessoas que não têm nada a ver com isto e que falam do que não devem falar, essas é que não são humildes”

Vlachodimos, último jogo?

“Até lhe posso acrescentar que amanhã vai jogar”

Everton beneficia de novo sistema?

“Tem a ver, sim. Não só para o Everton como também para os nossos dois laterais. Individualmente tiveram rendimento maior”