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CMVM já tem respostas do Benfica sobre relação entre Vieira e "rei dos frangos"

Soares de Oliveira não está preocupado com relação profissional entre o presidente do Benfica e o maior acionista da SAD

Diogo Cavaleiro

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A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) está mesmo a investigar a relação profissional entre Luís Filipe Vieira e o principal acionista individual da SAD do Benfica, José António dos Santos, conhecido como 'rei dos frangos', segundo confirmou o presidente executivo da SAD, Domingos Soares de Oliveira, em entrevista à TVI24.

“A CMVM questionou o presidente, Luís Filipe Vieira. Questionou também a Benfica SAD relativamente a esta matéria. As respostas foram dadas. A CMVM fará o trabalho que tiver que fazer”, declarou o braço-direito para as finanças do clube na entrevista dada esta quarta-feira, 30 de junho.

Soares de Oliveira confirmou assim a notícia avançada inicialmente pelo Correio da Manhã, adiantando que as respostas já foram transmitidas ao regulador do mercado de capitais.

O 'rei dos frangos' - presidente do Crédito Agrícola da Lourinhã - é sócio de Luís Filipe Vieira e da sua filha em duas empresas imobiliárias em Portugal e assumiu a dívida de que o líder do Benfica era avalista numa empresa de pneus da Amadora, a David Maria Vilar. Além disso, foi José António dos Santos que, há meses, adquiriu a dívida que uma empresa de Vieira (Imosteps) tinha ao Novo Banco.

O empresário e o universo familiar de José António dos Santos têm já mais de 16% da SAD encarnada, que é controlada pelo Benfica, com 67% do capital – que queria, na OPA chumbada há um ano pela CMVM, chegar aos 95%.

Para Domingos de Oliveira, não é “preocupante” que o presidente da SAD do Benfica tenha uma relação profissional com José António dos Santos. E deu exemplos de outros antigos acionistas também ligados ao clube: “Joaquim Oliveira, que detinha os direitos televisivos do Benfica. A Somague, que construiu o estádio. O Novo Banco, que era principal financiador”. “Não me lembro de estas questões terem levantado dúvida seja a quem for”.

A CMVM está a investigar essa relação depois de há um ano ter chumbado a oferta pública de aquisição que o clube lançou sobre a SAD, da qual o principal beneficiário seria o chamado rei dos frangos. O empresário poderia fazer uma mais-valia de 11 milhões na operação de 32 milhões.

Na OPA, a estrutura de financiamento seria baseada na SAD: ou seja, ela própria iria acabar por pagar para que o clube comprasse as suas próprias ações. Essa operação não era legal e a CMVM travou-a, como ainda recentemente lembrou a própria autoridade dos mercados. Apesar disso, Soares de Oliveira diz que tem com a CMVM uma relação “honesta”, ainda que com divergências, e continuou a defender o racional da operação.

Na entrevista à TVI24, Soares de Oliveira recusou-se a comentar se o papel de Luís Filipe Vieira enquanto devedor do Novo Banco prejudica o Benfica. “Nestes 17 anos, ter Luís Filipe Vieira como presidente é um privilégio”, foi o que disse. Além disso, recusou qualquer razão que justifique a ideia, que consta do pedido de destituição que está em tribunal (da autoria de Jorge Mattamouros), sobre a utilização do Benfica em benefício próprio do presidente: “Não tenho nenhum conhecimento de qualquer facto para poder sustentar uma afirmação dessas”.