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Rui Costa respondeu ao movimento ‘Servir o Benfica’: “É uma missiva falsa e de má-fé, que visa denegrir-me pessoalmente e à minha família”

O Conselho Fiscal do Benfica respondeu aos três sócios do movimento 'Servir o Benfica' que apontaram uma possível "violação clara" dos Estatutos do clube cometida por Rui Costa. A carta, a que a Tribuna Expresso teve acesso, explica que as alegações, na prática, nem se aplicam ao vice-presidente do Benfica, que também se endereçou aos associados em questão: "desconheço, em absoluto, qualquer informação, [que] será sempre falsa, de uma alegada parceria entre a Footlab e o Benfica"

Diogo Pombo

Gualter Fatia

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O Conselho Fiscal do Benfica esclareceu os três sócios do movimento 'Servir o Benfica' que, esta quinta-feira, questionaram acerca de uma possível "violação clara" dos Estatutos do clube cometida Rui Costa, devido ao suposto envolvimento do filho, Filipe Costa, na transferência de três jogadoras para a equipa de futebol feminino do clube - porque, na prática, não se aplicam as incompatibilidades alegadas.

A suposta participação de Filipe Costa na contratação de três jogadoras para a equipa de futebol feminino do clube - Caroline VanSlambrouck, a 15 novembro 2019; Thembi Júnior Kgatlaba, a 27 janeiro 2020; e Ucheibe Christy, a 14 fevereiro 2020 - teria acontecido antes de o pai, Rui Costa, ter integrado os órgãos sociais do Benfica, enquanto vice-presidente do clube. Foi a 28 de outubro de 2020, aquando da última reeleição de Luís Filipe Vieira.

Na resposta enviada pelo Conselho Fiscal do Benfica ao movimento e a que a Tribuna Expresso teve acesso, é explicado que Rui Costa "apenas passou a estar sujeito ao previsto no artigo 44.º dos Estatutos depois da sua eleição".

No número 4 do referido artigo, consta que "os membros dos órgãos sociais não podem, direta ou indiretamente, estabelecer com o Clube e sociedades em que este tenha participação relevante, relações comerciais ou de prestação de serviços, ainda que por interposta pessoa, considerando-se para estes efeitos, nomeadamente, o cônjuge, ascendentes e descendentes". Portanto, tal previsão não se aplicaria devido a uma incompatibilidade temporal.

Mas, na resposta enviada pelo Conselho Fiscal do Benfica consta, também, uma carta assinada por Rui Costa. "A missiva é falsa e de má-fé, tendo como objetivo denegrir-me pessoalmente e à minha família", começa por escrever, antes de abordar as alegações.

O vice-presidente do clube da Luz corrigiu uma das condições que, alegadamente, violariam os Estatutos, relacionadas com a empresa detentora da Footlab - "a marca está registada em nome da sociedade 10 Events Lda., e não da 10 Invest - Sociedade Gestora de Participações Sociais, Lda.", a que os três sócios do movimento 'Servir o Benfica' se tinham referido na sua queixa.

Rui Costa enviou até, em anexo, cópia do registo da dita empresa no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, para defender que a 10 Events "tem como objetivo", por exemplo, "a gestão de instalações desportivas, o "aluguer de equipamento desportivo" ou a "promoção e organização de eventos desportivos". Nunca se refere, porém, ao cargo de CEO que o filho, Filipe Costa, diz ocupar segundo a sua página na rede profissional LinkedIn.

O vice-presidente e ex-jogador do Benfica, depois, não nega que o filho terá participado nos negócios das transferências das três jogadores em causa, referindo que Filipe Costa "estagiou junto de um empresário desportivo, sem obter para si qualquer proveito ou dividendo".

Rui Costa, contudo, defendeu que o filho "nunca participou em qualquer negociação que envolvesse o Sport Lisboa e Benfica", afirmando que tal poderá ser atestado pelos "contratos das atletas em causa", o Fernando Tavares, o vice-presidente "com o pelouro das modalidades" e Luís Baptista, team manager da equipa de futebol feminino.