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Movimento 'Servir o Benfica' fala em "lamentável processo de vitimização" de Rui Costa e volta a questionar Conselho Fiscal

Continua a troca de cartas entre o movimento 'Servir o Benfica' e o Conselho Fiscal do clube. Os três sócios do movimento respondem agora à resposta do órgão e de Rui Costa a uma primeira missiva em que questionavam os negócios do vice-presidente e do filho com o Benfica. Não se consideram esclarecidos e deixam mais perguntas

Diogo Pombo e Lídia Paralta Gomes

MIGUEL A. LOPES/LUSA

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Três sócios do movimento ‘Servir o Benfica’ começaram por enviar uma carta ao Conselho Fiscal do clube em que questionavam alegados negócios de uma empresa da qual Rui Costa é acionista, a Footlab, com o Benfica, bem como o alegado papel de Filipe Costa, filho de Rui Costa, no processo de contratação de três atletas para a equipa feminina das águias, algo que consideraram “uma violação clara” dos estatutos do clube.

Seguiu-se a resposta, com o Conselho Fiscal do Benfica a sublinhar que não existem incompatibilidades já que Rui Costa “apenas passou a estar sujeito ao previsto no artigo 44.º dos Estatutos depois da sua eleição” para os órgãos sociais do clube, que aconteceu a 28 de outubro de 2020, aquando da última eleição de Luís Filipe Vieira.

Junto com a resposta do Conselho Fiscal aos três sócios vinha uma carta assinada por Rui Costa, que acusava a carta do ‘Servir o Benfica’ de ser “falsa e de má-fé”, visando denegri-lo a si e à sua família.

Rui Costa sublinhava ainda que a Footlab está registada em nome da sociedade 10 Events Lda., e não da 10 Invest, a que os três sócios do movimento ‘Servir o Benfica’ se tinham referido na sua queixa, e que o seu filho “nunca participou em qualquer negociação que envolvesse o Sport Lisboa e Benfica”.

Ora na volta do correio, numa carta enviada esta segunda-feira ao Conselho Fiscal e à qual a Tribuna Expresso teve acesso, Francisco Benitez, Tiago Godinho e Gonçalo Pereira voltam a deixar dúvidas sobre o envolvimento de Rui Costa e do filho, Filipe Costa, em negócios relacionados com o Benfica, frisando aquilo que dizem ser “um lamentável processo de vitimização e de intenções sobre os sócios signatários” por parte do agora autodenominado presidente do Benfica.

Na carta, o movimento lembra que a 10 Events tem também “como accionista o mencionado membro dos órgãos sociais Rui Manuel Costa” e que a empresa partilha com a 10 Invest “o mesmo endereço fiscal”.

Na resposta aos sócios, Rui Costa havia sublinhado que o filho tinha estagiado com um empresário desportivo “sem obter para si qualquer proveito ou dividendo”, mas o movimento recorda na carta que Filipe Costa trabalhará, de acordo com informações dadas pelo próprio nas redes sociais, há mais de quatro anos com a Ksirius Football Management e que terá mesmo participado na apresentação de atletas no Estádio da Luz, dando como exemplo a norte-americana Caroline Vanslambrouck. Os sócios dizem ainda que nas redes sociais, Filipe Costa se apresenta como “business partner” e não como estagiário da sociedade Ksirius Football Management, que representa 10 jogadoras neste momento ligadas ao Benfica.

Quanto à ligação da Footlab, empresa da qual Filipe Costa é CEO, ao Benfica, que Rui Costa diz desconhecer, os três sócios escrevem que, de acordo com o site dos encarnados, a Footlab é parceiro oficial do Benfica e oferece mesmo 5% de desconto nos seus serviços a sócios dos encarnados.

“Acreditamos tratar-se este desconhecimento da parceria - quer por via da sua empresa quer por via das funções exercidas no clube - de um mero lapso, e não de má-fé por parte do vice-presidente do Sport Lisboa e Benfica”, pode ler-se na carta enviada ao Conselho Fiscal.

Face às dúvidas que o movimento ‘Servir o Benfica’ considerou não terem sido esclarecidas, o grupo de sócios volta a questionar o Conselho Fiscal sobre, por exemplo, “o valor total transacionado até à presente data entre o Sport Lisboa e Benfica, a Footlab, a 10 Invest, a 10 Events ou qualquer outra sociedade detida pelo Presidente Rui Manuel Costa, direta ou indiretamente”, bem como as relações entre o Benfica e a Ksirius Football Management e se foram celebrados ou realizados aditamentos aos contratos das atletas representadas pela sociedade durante o ano de 2020 e 2021.

Ficam ainda questões sobre como é “regulada a parceria entre o Sport Lisboa e Benfica e a Footlab”.

“A confirmar-se estas informações, e os indícios supramencionados, o que irá fazer o Conselho Fiscal do Sport Lisboa e Benfica perante a gravidade das mesmas, nomeadamente no que respeita à ação disciplinar sobre o acima referido funcionário, prevista no art. 44º, nº 10 dos estatutos do Sport Lisboa e Benfica?”, questiona ainda o movimento.