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Benfica vai vetar a "inoportuna" operação de compra de ações por John Textor, com quem não se quer reunir

A direção do Benfica afirma que desconhece "em absoluto" a "existência de negociações", e o seu conteúdo, entre José António dos Santos e John Textor, empresário americano que pretende comprar 25% do capital da SAD do clube. Em comunicado, garante que se vai opor à operação caso venha a ser discutida na Assembleia-Geral marcada para a próxima semana

Diogo Pombo

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O Benfica vai exercer o seu direito de vetar a entrada no capital da SAD de John Textor, que considera ser "uma entidade concorrente" apesar dos pedidos e justificações do empresário norte-americano para que não fosse visto como tal. "A direção declara considerar inoportuna esta operação, pelo que à mesma se oporá", revelou, esta sexta-feira, o órgão agora presidido por Rui Costa.

Em comunicado, a direção do clube explica que "apenas tomou conhecimento da existência" do acordo entre José António dos Santos e John Textor - para a compra, da parte do segundo, de 25% do capital da SAD do Benfica detido pelo primeiro - quando "o mesmo foi noticiado ao público", alegando, também, desconhece o conteúdo.

Como tal, e por "considerar inoportuna esta operação", a direção do Benfica declara que "se oporá, no exercício dos seus direitos e deveres", à sua realização caso a mesma venha a ser votada na Assembleia-Geral do clube, agendada para a próxima semana. O clube ainda deu conta de que "considera" também "inoportuno receber, de maneira formal ou informal, o Sr. John Textor nesta altura".

O comunicado da direção do Benfica, na íntegra:

"1 – A Direção do Sport Lisboa e Benfica reuniu esta manhã para formalizar, no âmbito dos estatutos, as alterações necessárias à sua composição em face da renúncia ao mandato de Luís Filipe Vieira. Jaime Antunes foi confirmado como Vice-Presidente efetivo.

2 – No decurso desta reunião foi igualmente realizada uma reflexão sobre o atual momento do Clube, com particular destaque para as declarações públicas do Sr. John Textor e o anunciado interesse em adquirir parte da SAD do Sport Lisboa e Benfica.

3 – A Direção do Sport Lisboa e Benfica desconhecia em absoluto a existência das negociações que conduziram à assinatura de um acordo para a compra de 25% do capital da Benfica SAD entre o acionista privado José António dos Santos e o investidor John Textor. Apenas tomou conhecimento da existência desse acordo, cujo conteúdo desconhece, quando o mesmo foi noticiado ao público.

4 – Como detentor de ações de Categoria A no capital da Benfica SAD, o Sport Lisboa e Benfica pode, em determinadas circunstâncias definidas no art. 13.º dos estatutos daquela empresa, nomeadamente se estiver em causa a aquisição de uma participação qualificada por entidade concorrente, vetar essa aquisição. Esse direito foi objeto de formulação específica na revisão estatutária da Benfica SAD promovida por iniciativa do Clube durante o último mandato dos órgãos sociais.

5 – Em face do exposto, e uma vez que o investidor John Textor invoca que a referida compra depende de aprovação prévia em Assembleia Geral da Benfica SAD com o voto favorável do Sport Lisboa e Benfica com base no referido art. 13.º dos estatutos da Benfica SAD, a Direção do Sport Lisboa e Benfica, na sua reunião de hoje, declara considerar inoportuna esta operação, pelo que à mesma se oporá, no exercício dos seus direitos e deveres, caso esta matéria venha a ser sujeita a deliberação em Assembleia Geral de Acionistas da Benfica SAD, tornando pública esta sua decisão de imediato por entender que a mesma contribui para esclarecer a posição do Sport Lisboa e Benfica a este respeito, evitando-se assim dúvidas e especulações.

6 – Neste contexto, a Direção do Sport Lisboa e Benfica esclarece ainda que considera inoportuno receber, de maneira formal ou informal, o Sr. John Textor nesta altura."