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Benfica

O império Roman

Yaremchuk foi pela primeira vez titular e em pouco mais de uma parte mostrou pormenores de classe, marcou um golo e deu outro a marcar. O Benfica venceu por 2-0 um Arouca que aos 8 minutos já jogava com menos um e ainda conseguiu gerir as peças mais importantes para o jogo com o PSV

Lídia Paralta Gomes

Gualter Fatia/Getty

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O Euro 2020 foi assim apenas uma espécie de confirmação. Que não nos levem a mal os belgas, mas que raio ainda andava lá a fazer Roman Yaremchuk? Era homem para outras paragens, pelo que conseguia fazer daqueles 1,91m de boa técnica, talvez o surpreendente é que tenha vindo aterrar a Portugal - e que não me levem a mal os portugueses.

Porque em pouco mais de uma parte - saiu pouco depois dos 55’ - o avançado ucraniano, que ainda anda a fazer a sua pré-época, como disse Jorge Jesus, mostrou o porquê de há uns meses andarmos por ele a suspirar no campeonato pan-europeu e bastaram dois lances, uma assistência e um golo, e mais uns quantos pormenores de qualidade, num jogo que se foi facilitando para o Benfica depois de logo aos 8 minutos o Arouca ficar a jogar com menos um.

O lance foi bizarro. Talvez Manuel Mota não devesse ter dado a lei da vantagem num fora de jogo e talvez Victor Braga, o guarda-redes do Arouca, não devesse ter confiado num apito que não apareceu: lançou a bola para a frente, os colegas não perceberam e Yaremchuk, atento, foi discutir o lance. Braga, para evitar o golo quase certo, foi com a mão a uma bola fora da área e acabou expulso.

No livre que se seguiu, Waldschmidt enviou à barra, Everton na recarga rematou ao poste e parecia vir aí avalancha de ataque do Benfica. Não aconteceu assim com todas essas letras. Com 10, o Arouca acantonou-se nos últimos 30 metros, mas não desistiu de discutir o jogo. Susteve bem o Benfica, que em ataque apoiado não conseguiu aproximar-se da baliza e só quando resolveu arriscar é que a equipa recém regressada à I Liga perdeu o jogo. Aos 38’, o Arouca tentou subir, Pizzi recuperou a bola e o Benfica partiu para o contra-ataque. João Mário conduziu, passou para Yaremchuk e o ucraniano atirou o primeiro pormenor de quem chegou para fazer a diferença: encarou o seu marcador, esperou que este viesse à queima e ultrapassou-o num timing perfeito. E depois cruzou perfeitinho para Waldschmidt, que só teve de encostar.

NurPhoto/Getty

Cinco minutos depois, com o Arouca demasiado preocupado com o eixo, o golo apareceu nas alas. Pizzi cruzou e ao cruzamento do português, Yaremchuk respondeu com uma desmarcação felina e um esforço extra para chegar à bola com um remate semi-acrobático, que praticamente matava o jogo ainda antes do intervalo, apesar do Arouca ainda ter criado perigo na 1.ª parte.

Os primeiros minutos do início da 2.ª parte foram suficientes para Jorge Jesus perceber que esta tórrida tarde de sábado em Lisboa estava mais que controlada e que há jornadas europeias à espera do Benfica. Yaremchuk foi um dos primeiros a sair, tal como o pêndulo João Mário e Pizzi e os segundos 45 minutos foram de domínio com bola e várias aproximações à baliza do Arouca em que os encarnados poderiam ter feito mais. Deu ainda para o regresso de André Almeida, 10 meses depois de uma grave lesão no joelho, para Gonçalo Ramos falhar um golo de baliza aberta e Waldschmidt ver um golo anulado antes de sair e também ele descansar para a Champions.

Mas a história do jogo há muito que estava feita e estava escrita em boa parte por um ucraniano de 25 anos que em pouco tempo já parece mostrar que é, de facto, reforço sério para o Benfica e para a liga portuguesa. Ainda é cedo, é certo, mas este pode ser o início do império Roman.