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Benfica manda carta a Vieira: quer mais dados sobre comprador de ações e pede que pense no clube

Clube presidido por Rui Costa quer saber quem é o comprador de ações de Vieira, e empurra decisão sobre direito de preferência para próxima direção

Diogo Cavaleiro

MIGUEL A. LOPES/LUSA

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O Benfica enviou uma carta a Luís Filipe Vieira considerando que faltam informações essenciais para se poder pronunciar sobre o direito de preferência que tem sobre as suas ações da SAD, nomeadamente quem é o comprador. Além disso, pede que o ex-presidente pense nos “superiores interesses” do clube e só avance para esta transação quando houver uma nova direção em funções.

Embora tenha deixado de ser presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira continua a ser dono de 3,28% da SAD. São mais de 753 mil ações que continuam a ser imputadas ao clube porque há um direito de preferência, o que quer dizer que Vieira, antes de vender, tem sempre de falar com o Benfica, para decidir se adquire ou não ao preço em causa.

Na semana passada, Vieira comunicou que tinha um comprador, sem o identificar, mas que o preço seria de 7,80 euros (bastante acima do preço habitual das ações da SAD na Bolsa de Lisboa mas abaixo dos 8,70 euros que John Textor, o investidor americano que quer adquirir 25% do capital, considerou “barato”). Deu até dia 15 de setembro para o Benfica se pronunciar.

Dois dias antes (com as ações nos 4,94 euros), o clube agora presidido por Rui Costa (embora numa direção demissionária) deu uma resposta. Sem conclusão. “Tendo em conta os elementos de informação constantes da referida carta e aqueles que, nos termos da lei, deverão ser comunicados ao beneficiário de um direito de preferência, constatamos que não foram comunicadas informações essenciais e necessárias sobre os termos e condições contratuais relevantes, designadamente, a identidade do potencial comprador, o(s) prazo(s) e condições de pagamento do preço e eventuais condições adicionais que se mostrem relevantes no contexto do negócio”, indica o comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) esta segunda-feira, 13 de setembro.

Ou seja, o Benfica quer saber sobretudo quem é o comprador e também quando é que teria de pagar os tais 5,9 milhões de euros, o valor global a pagar se comprasse o bloco àquele preço.

Decisão para próxima direção

Mas além destas dúvidas – que defende que legalmente têm de ser transmitidas por Vieira –, há mais. O clube quer que o ex-presidente pense no clube.

“Estando em preparação um ato eleitoral, agendado para o dia 9 de outubro, na sequência da demissão dos membros da direção em funções, qualquer eventual comunicação para exercício de direito de preferência deveria, em atenção aos superiores interesses do Sport Lisboa e Benfica, ser comunicada de forma a poder ser analisada pela nova direção, em tempo adequado após início das suas funções”, indica também o comunicado.

Incerteza sobre acionistas

Neste momento, há uma incerteza sobre a estrutura acionista da SAD do Benfica. O Benfica tem quase 67% da SAD (sendo que estão aqui incluídos os 3,28% de Vieira devido ao direito de preferência), mas os acionistas minoritários estão ainda por definir.

José António dos Santos e os acionistas do grupo Valouro, direta e indiretamente, têm acordo para serem donos de 23,11% do capital da SAD (juntando as suas posições e as de José Guilherme e Quinta de Jugais) e têm um acordo com John Textor para lhe vender 25%. Um entendimento que vai também até dia 15 de setembro, mas sobre o qual também há incertezas: isto porque Textor, acionista do clube inglês Crystal Palace, é visto como investidor concorrente e, quando tal acontece, é necessária a autorização do clube para superar a fasquia de 2% do capital. E o clube presidido por Rui Costa deixou claro que não iria autorizar. Mas não houve ainda um desfecho efetivo sobre o que vai acontecer.

Para já, nem o clube, nem o advogado de José António dos Santos responderam às questões do Expresso sobre esta matéria.