Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
Benfica

Ó pai, porque é que precisas de whisky para ver o Benfica?

Com um plantel feito em cima do joelho com a mesada dos pais ou com uma vaquinha recolhida na escola, Pinto da Costa consegue criar no FC Porto uma cultura de vitória e um grau de empenho europeu que não vejo no Benfica, que escorre dinheiro, investimento, e bazófia

Henrique Raposo

BSR Agency

Partilhar

Ainda sou do tempo em que um benfiquista podia abrir ou fazer uma bebida festiva antes do jogo europeu. Quarta-feira era sinónimo de pagode, alegria, relaxe. Abrir um champanhe ou fazer uma caipirinha eram atividades aceitáveis e adequadas ao momento: o Benfica ia viver mais um momento de glória europeia; mesmo quando perdia, deixava cicatrizes no adversário. Os mais novos talvez não se lembrem, mas depois de aparecer nas finais de 88 e 90, o Benfica esteve a uma vitória de aparecer na final de 92, a primeira do modelo Liga dos Campeões.

Depois de despacharmos o Arsenal, campeão inglês, no acesso à fase de grupos, participámos num grupo que também tinha Barcelona e Dínamo de Kiev. Para chegar à final, precisávamos vencer em Camp Nou no último jogo. Perdemos, porque o lateral direito José Carlos, hoje comentador da "SportTV", apanhou pela frente um ciclone búlgaro chamado Stoichkov.

O tempo passou. A decadência instalou-se, tal como o renascimento dos últimos dez anos. Só que falta algo a este renascimento que começou com a primeira equipa do Jesus em 2009/2010: a grandeza europeia demonstrada na Liga dos Campeões. Eu prefiro uma boa campanha na Liga dos Campeões, com grandes vitórias sobre o Barça ou Man United, do que mais um campeonato português.

Quando é que foi a última grande vitória do Benfica sobre um grande europeu? Se um benfiquista no passado podia abrir o champanhe antes do jogo europeu, porque sabia que ia ter o sabor da glória no palato, agora o benfiquista sabe que deve abrir uma bebida mais depressiva, talvez whisky, porque sabe que a equipa não consegue dar o salto mental da mediania para a grandeza europeia. Mesmo quando domina um jogo na Champions, como ontem, a equipa não está segura de si. Mesmo quando tem grandes plantéis, como é o caso desta época, a equipa não atravessa os campos da Champions com aquele porte aristocrático, aquela atitude à Duque de Norfolk que vence jogos por si só.

Artigo Exclusivo para assinantes

No Expresso valorizamos o jornalismo livre e independente

Já é assinante?
Comprou o Expresso? Insira o código presente na Revista E para continuar a ler
  • A Leste do golo
    Benfica

    O Benfica empatou (0-0) frente ao Dínamo Kiev, no primeiro jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões. Num duelo quase sempre dominado pela equipa de Jesus, mas no qual as águias revelaram dificuldades para ter oportunidades de golo, o ucraniano Yaremchuk, diante do clube onde se formou, esteve perdulário. Na parte final da partida, Vlachodimos voltou a vestir a pele de herói, antes de o VAR anular um golo que teria derrotado o Benfica ao minuto 93