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Benfica

Não há má defesa que não corte a raiz ao pensamento

O Benfica mantém o seu registo 100% vitorioso após um triunfo por 3-1 frente ao Vitória, em Guimarães, num jogo vivo, animado, cheio de oportunidades de parte a parte e onde a decisão esteve nos erros individuais da defesa da equipa da casa

Lídia Paralta Gomes

MIGUEL RIOPA/Getty

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Uma pessoa olha para um Sporting - Marítimo e para um Vitória - Benfica e, friamente, o resultado é o mesmo: a equipa menos favorita perdeu, leva zero pontos desta jornada. Mas uma delas esteve mais perto de pontuar, a equipa que jogou 90 minutos para o pontinho, que na 1.ª parte já abraçava amorosamente o anti-jogo, que se deu ao ridículo de ter um guarda-redes expulso à conta de um primeiro cartão amarelo recebido por perder tempo.

O torna meio desolador olhar para a situação do Vitória nesta liga e pensar o que poderia ser esta equipa com outra qualidade lá atrás. O Vitória quer jogar e jogar bem e haverá poucos jogos nesta edição da I Liga tão animados e com tantas oportunidades de golo de parte a parte. Mas no final de contas o que fez o prato da balança pender definitivamente para o lado do Benfica foram erros individuais e de abordagem da linha defensiva do Vitória, erros que tornam impossível competir lá para cima - e até quem mete velinhas e reza todas as noites aos santos padroeiros do futebol de ataque sabe que não há ideia, por mais bela que seja, que resista a uma má defesa.

E por isso não tem qualquer discussão a vitória do Benfica em Guimarães, a sétima seguida na liga, num jogo em que, como até vaticinou Jorge Jesus na antevisão, nem sempre os líderes do campeonato estiveram por cima. Mas para lá da qualidade individual, o Benfica é também uma equipa infinitamente mais adulta que o Vitória de Pepa, que tem o talento e a matéria prima do meio-campo para a frente para executar aquilo que pensa para o futebol, mas inúmeros buracos negros lá atrás.

HUGO DELGADO/EPA

Números e resultados à parte, naturalmente que o Vitória - Benfica foi um jogo muito mais agradável de ver do que o Sporting - Marítimo, porque aqui houve duas equipas a querer ganhar. O Vitória começou desde logo a procurar os caminhos da baliza (Estupiñan apareceu com perigo na área aos 9’ e aos 15’) e o Benfica respondia, com a velocidade de Rafa e Darwin e o faro de Yaremchuk a deixarem a cabeça em água a Borevkovic e Mumin, os dois centrais do Vitória, ambos com um final de tarde para esquecer. A aposta num meio-campo menos criativo também não correu propriamente bem a Pepa, com o Benfica a ter quase sempre o tempo e o espaço para desenvolver o ataque.

Aos 18’, Yaremchuk deu o primeiro aviso, ao rematar sem ângulo quando tinha Darwin sozinho na área, mas a partir daí acabaram as contemplações. O Benfica assentou as zonas de pressão, o Vitória deixou de conseguir sair a jogar e à meia-hora de jogo Vertonghen meteu um fabuloso passe entrelinhas para o ataque, que apanhou a defesa da equipa da casa mal colocada. O avançado ucraniano agradeceu o gesto com um toque de classe para picar a bola por cima de Trmal e abrir o marcador.

Daí até final da 1.ª parte, o Vitória perdeu-se, deixou de conseguir sair sequer do seu primeiro terço defensivo, não teve resposta para a pressão do Benfica. Aos 41’, foi essa mesma pressão que provocou o erro de Borevkovic, que perdeu a bola para Grimaldo a tentar sair a jogar com a bola controlada. Rafa rapidamente isolou Yaremchuk e o avançado, ao tentar aparentemente cruzar para Darwin, viu Mumin desviar a bola para a baliza. E até ao intervalo, sucederam-se as oportunidades do Benfica, que podia ter terminado a 1.ª parte a golear.

Na 2.ª parte, o Vitória voltou a entrar bem, a aproveitar um relaxamento encarnado, talvez demasiado cedo, demasiado otimista. Sorte o Benfica terá tido com o desacerto na finalização de Marcus Edwards, por duas vezes perto do golo, com a falta de mira de Estupiñan e com a generalizada dificuldade do Vitória em entregar últimos passes ou derradeiros remates mortíferos.

HUGO DELGADO/Lusa

O Benfica, ainda assim, não estava exatamente encostado às cordas, embora a sair com menos frequência e acerto, com Darwin particularmente desastrado, o que deu azo até a um breve bate-boca com Jorge Jesus que deixou o treinador do Benfica pior que estragado.

Mas com o Vitória com uma taxa de eficácia de bradar aos céus, já se via a história a ser escrita. E num contra-ataque aos 73’, Rafa conduziu e João Mário rematou à entrada da área. E como não só de erros vive a defesa da equipa de Guimarães, também houve azar, com a bola a bater no calcanhar de Mumin para desviar a trajectória e tornar-se impossível de defender para Trmal.

O golo do Vitória, o 3-1 com que terminaria o jogo, só apareceu de grande penalidade, aos 78’, fazendo ainda brilhar os olhos dos adeptos vimaranenses e dando um boost de energia aos jogadores da casa. Mas rapidamente o Benfica corrigiu, acabando o jogo a gerir, até porque há duelo com o Barcelona na quarta-feira para a Liga dos Campeões.

Noves fora, o que fica? Um belo jogo de bola, uma vitória importante para o Benfica e a certeza que, antes de tudo, é preciso defender decentemente. Ainda assim, critiquem-me se quiserem, mas mais Vitórias e menos Marítimos, por favor.