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Entrevista a Francisco Benitez: “Em 13 anos, nunca vimos Rui Costa dar um murro na mesa. Assusta um pouco e demonstra passividade”

O candidato da Lista B, que nas últimas eleições retirou a candidatura para se juntar à de João Noronha Lopes, diz que o Benfica precisa de um "rumo novo" e explica o que isso é. Em entrevista à Tribuna Expresso, Francisco Benitez comenta a transição de Rui Costa para presidente, o papel que reserva para Jorge Jesus e reflete ainda sobre questões como revisão dos estatutos, OPA, o legado de Luís Filipe Vieira. E explica o destino que traçou para a formação e modalidades

Hugo Tavares da Silva

Pedro Nunes

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Resumidamente, quem é o Francisco Benitez e o que é e porque surgiu o movimento 'Servir o Benfica'?
Eu tenho 57 anos, sou empresário, tenho quatro filhos e nasci no seio de uma família benfiquista. Os meus pais, ambos, ultrapassaram os 50 anos de sócio do Benfica, eu e os meus irmãos, somos três, também todos temos mais de 50 anos de sócio do Benfica. Os meus filhos, sobrinhos, todos eles, são inscritos no Benfica logo quando nascem, portanto é uma família de grandes benfiquistas. Isso fez com que eu sempre tivesse essa vontade de servir o Benfica, de fazer parte do universo benfiquista, de intervir diretamente no universo benfiquista. Por isso, desde novo, tentei no futebol, jogava mais ou menos, ainda fui a um treino de captação, mas foi-me dito na altura que eu era muito franzino, portanto não podia ir. Como me disseram que eu era franzino, fui para o râguebi do Benfica e aí tornei-me um bocado mais robusto. Fiz os escalões todos, dos infantis aos seniores, no Benfica. Ficou sempre essa vontade, enfim, de querer servir e ajudar o Benfica, de querer participar ativamente na vida do Benfica.

Em 2010, 2011, há uma célebre Assembleia Geral do Benfica que ficou conhecida como "a assembleia geral da buzina". E eu, que já não ia a assembleias gerais há algum tempo, fui a essa, a convite de um amigo. Eram dados três minutos às pessoas para falarem e, ao fim desses três minutos, se a pessoa não se calava, tocava uma buzina. Achei que aquilo não era nada do Benfica, o Benfica não é assim, nunca foi, não é assim que o entendo, portanto temos de fazer alguma coisa para mudar esta situação. O Benfica tem de ser uma coisa democrática, foi sempre assim que me ensinaram, que o Benfica era de todos, que todos os benfiquistas tinham oportunidade falar e demonstrar as suas ideias, portanto aí criámos uma associação de adeptos benfiquistas, no sentido de trazer mais benfiquistas para a vida ativa, que não se resume ao tempo de um jogo ou estar num pavilhão a apoiar a equipa, que também é muito importante, é o mais importante, mas a parte política do Benfica também extraordinariamente importante. O nosso objetivo era trazer mais gente para participar ativamente na vida do Benfica e conseguimos. Houve vários trabalhos, fizemos várias apresentações que enviámos ao Benfica, com várias ideias, nomeadamente o 'Sócio Família', o escalonamento para a divisão dos bilhetes, o Benfica Tour, para visitar a história do Benfica. Foram várias ideias que fomos dando no sentido de acrescentar valor, para que o Benfica pudesse ser melhor e maior. Depois surgiu a discussão interna: estamos sempre a participar ativamente na vida do Benfica, portanto as eleições são um momento em que devemos realmente participar. É um momento onde se deve discutir o Benfica a sério, profundamente. Faz todo o sentido que nos apresentemos a eleições, com o mesmo sentido que temos, de dar e discutir ideias, de dar valor ao Benfica. E assim foi. O movimento, que é um prolongamento da outra associação que tínhamos, nasceu em 2020, para as eleições.

Quando tomámos a decisão de ir para eleições, o Benfica levava sete pontos de avanço, iria ser campeão, mas o objetivo era discutir o Benfica e trazer novas ideias. Concorremos. No final, achámos que havia vontade de ambas as partes de unir as duas candidaturas [refere-se a João Noronha Lopes], unimos as candidaturas, foi o que foi, é história. Mas continuámos com o mesmo princípio, o nosso trabalho não se resume às eleições, as eleições fazem parte do nosso trabalho, portanto o trabalho continua. Fomos apresentando ideias, falando com mais benfiquistas, alertando para situações, por exemplo, como a transparência e democracia. Eram palavras que tinham sido banidas do léxico dos benfiquistas. Hoje em dia, quase todos já falam de transparência e democracia, até a lista concorrente, quando esteve lá tantos anos e essas palavras não eram usadas. Conseguimos trazer isso para a agenda do Benfica, vamos continuar.

Nas últimas eleições, em outubro de 2020, acabou por retirar a candidatura e juntar-se a João Noronha Lopes.
Unir, sim. Essa união foi feita com base em princípios, ou seja, não foi uma união em que se chegou ali e "vamo-nos unir", não. Houve um acordo entre vários princípios que tínhamos e que eram comuns à candidatura de João Noronha Lopes. Se esses princípios não existissem, nunca nos iríamos unir. Havia efetivamente princípios comuns e considerámos que juntos seríamos mais fortes.

Queria perguntar-lhe se está surpreendido ou desiludido por Noronha Lopes não ter avançado para estas eleições [9 de outubro]?
Não, respeito a decisão dele. Ele tem argumentos, em termos familiares e profissionais, que não lhe permitem avançar. Respeito.

Noronha Lopes chegou a ter algum peso nas eleições.
Claro, e eu também espero vir a ter esse peso nestas eleições.

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