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Benfica

Uma escorregadela, a felicidade e um Vizela de se lhe tirar a boina

O Vizela quis ganhar, fez por ganhar e podia mesmo ter ganhado ao Benfica. Mas a estrelinha salta de estádio em estádio, não é pertença de um só clube e um erro involuntário de Samu, um dos mais perigosos dos minhotos, aos 90'+8, ditou o único golo do jogo. O Benfica venceu por 1-0 e está de regresso à liderança da I Liga

Lídia Paralta Gomes

MANUEL FERNANDO ARAUJO/EPA

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Muito nos queixamos nós do futebol português - e tantas vezes com razão - mas é impossível olhar para trás sem constatar o óbvio: por estes dias, a velha estratégia de defender o pontinho é, felizmente, mais uma exceção do que a regra e nisso o salto de qualidade é claro face a outras décadas de maus relvados, estádios aos pedaços, chuteiras ao alto e defesas de facas nos dentes.

Porque, em geral, há qualidade nos bancos, há vontade nos treinadores em se agarrarem a ideias positivas e a estratégias que pensam na vitória e não na sobrevivência no campo de batalha. E é por isso que hoje Samu vai dormir mal.

O médio do Vizela foi quase sempre o homem que tornou em remates perigosos as transições venenosas da sua equipa. Foi ele que quase marcava aos 10’, quando Vlachodimos errou, foi ele que rematou forte aos 25’, dando mais uma vez trabalho ao grego. Foi ele também que deu a bola a Schettine para aquele que seria um dos lances de maior perigo do Vizela na 2.ª parte, aos 63’. E depois de tudo isto foi dele a escorregadela fatal, nos últimos segundos de jogo, quando o empate já parecia certo, que permitiu ao Benfica a recuperação de bola que deu a jogada do único golo do encontro, já em horas mais que extraordinárias - o relógio estava nos 90’+8.

Se na última época falámos tanto de estrelinha, aqui também vai ter de ser.

MANUEL FERNANDO ARAUJO/EPA

Porque o Benfica sai de Vizela com uma vitória que saberá que não mereceu. Os campeões também se fazem disto, todos sabemos, dos triunfos na marra, na sorte, nos lances fortuitos. A norte está uma equipa fiel a uma ideia de ataque, que não se vende por receber um grande, que na 1.ª parte conseguiu ter mais remates que o Benfica e na 2.ª, mesmo com uma óbvia quebra física, nunca deixou de procurar a baliza de Vlachodimos. E isso teve como consequência um jogo aberto, com espaços para jogar de parte a parte, espaços esses que o Benfica raramente teve criatividade para aproveitar.

A nem sempre habitual segurança de Charles e o jogo sólido de Aidara e Ivanilson fecharam atrás aquilo que o Vizela procurou resolver na frente, olhos nos olhos com o Benfica e com um estádio reunido à volta da equipa da terra, algo tão pouco usual por cá e que deixa o aviso para futuras visitas de grandes: em Vizela será sempre muito difícil passar.

E pelas filosofia de Álvaro Pacheco também. O treinador da boina quis sempre ganhar, até ao fim, a sua equipa teve até mais bola nos últimos minutos que os encarnados, e merecia pelo menos o ponto. Perder este jogo à conta de uma infelicidade vai doer, mas as ideias, essas, saem incólumes, intactas, valorizadas até. Não servirá isto como vitória moral para este domingo, mas talvez leve a muitas vitórias reais para o Vizela no futuro.

Quanto ao Benfica livra-se à última da hora daquilo que parecia ser o quarto jogo consecutivo sem ganhar nos 90 minutos. Está de regresso à liderança da I Liga, mas o susto foi grande.