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O histórico escudeiro volta a bater o chefe no ziguezague do Alpe d’Huez

Quando toda a gente pensava que esta quinta-feira seria dia para Chris Froome atacar, voltou a ser o seu braço direito a brilhar na mais mítica das montanhas da Volta a França. Geraint Thomas tornou-se não só no primeiro britânico a vencer no Alpe d'Huez como o primeiro ciclista a fazê-lo vestido de amarelo

Lídia Paralta Gomes

MARCO BERTORELLO/Getty

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São quatro as vitórias de Chris Froome no Tour e parte delas o britânico nascido em Nairobi terá de agradecer a Geraint Thomas, seu escudeiro montanha acima, sempre fiel na tarefa tantas vezes inglória de poupar o mais possível o líder da equipa, para que este possa atacar no final.

Acontece que em fevereiro, o galês de proeminentes patilhas já tinha avisado que estava a preparar a Volta a França como se líder fosse e a verdade é que esta quinta-feira, no Alpe d’Huez, talvez a mais mítica das montanhas da prova, agarrou a sua segunda vitória de etapa seguida, à frente do putativo número 1 da Sky.

Para lá daquilo que significa ter no currículo uma vitória à chegada no ziguezague do Alpe d’Huez, Geraint Thomas conservou e reforçou a camisola amarela que já era sua de véspera, quando venceu a etapa 11, em La Rosière, com 20 segundos de vantagem para Tom Dumoulin e Chris Froome.

Desta vez a diferença não foi tão acentuada, numa etapa que teve como animador inicial o holandês Steven Kruijswijk (LottoNL-Jumbo), que empreendeu uma fuga em solitário na subida ao Croix-de-Fer e que durou até aos 5 quilómetros finais do Alpe d’Huez. Um esforço inglório do holandês, que se viu apanhado por um grupo daqueles que confirmaram esta tarde o estatuto de principais candidatos à vitória final em Paris: Thomas, Froome e Tom Dumoulin, além do francês Romain Bardet.

Num final de etapa em que todos atacaram, venceu o último a fazê-lo, Geraint Thomas, à frente de Dumoulin e Bardet. O ciclista nascido em Cardiff há 32 anos e que conta com duas vitórias na Volta ao Algarve, entrou para a história a dobrar: tornou-se no primeiro britânico a vencer no Alpe d’Huez e no primeiro ciclista a fazê-lo vestindo a amarela.

Na geral, Thomas aumentou diferenças: Froome continua em 2.º, mas agora a 1m39s e Dumoulin 3.º a 1m50s. No final, sublinhou que vai "tentar manter a amarela mais uns dias", mas que "Froome continua a ser o mais forte". Apenas cuidado ou palavra de fiel escudeiro?

O grande derrotado da jornada foi Nairo Quintana (Movistar), que descolou do grupo do camisola amarela a meio da última subida e é agora 9.º na geral, já a 9m13s de Thomas.