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“Estou sem palavras. Não sei o que se passa comigo”: Alaphilippe vence terceira etapa e assume liderança da geral

Alaphilippe, de 27 anos, completou os 215 quilómetros entre a cidade belga de Binche e Épernay em 4:40.29 horas

Lusa

ANNE-CHRISTINE POUJOULAT

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O ataque solitário de Julian Alaphilippe na última subida categorizada valeu hoje ao francês a vitória na terceira etapa da Volta a França em bicicleta e a subida à liderança da geral individual.

Alaphilippe, de 27 anos, completou os 215 quilómetros entre a cidade belga de Binche e Épernay em 4:40.29 horas, menos 26 segundos do que o pelotão, em que o mais rápido foi o australiano Michael Matthews (Sunweb), segundo colocado, seguido de Jasper Stuyven (Trek-Segafredo), terceiro.

Com o belga Tim Wellens (Lotto Soudal) sozinho na frente, como único resistente à chegada ao Côte de Mutigny, a 16 quilómetros do fim, Alaphilippe viu uma aberta para um ataque, que lhe permitiu bonificar cinco segundos, atrás dos 10 de Wellens.

Surpreendido por ninguém o ter perseguido ou juntado ao esforço, o francês, que esta temporada venceu já a Milão-San Remo e a La Fléche Wallonne, aguentou as subidas até final e cortou a meta sozinho, com um tempo que lhe permite assumir a liderança.

“Estou sem palavras. Não sei o que se passa comigo. Sabia que esta etapa me assentava bem e fugi às quedas. Senti-me tão bem que acelerei na subida de Mutigny, mas não pensei que fosse o único. Dei tudo”, descreveu o vencedor, no final da tirada.

Quando percebeu que tinha “30 ou 40 segundos” de vantagem, deu tudo para conseguir “cumprir a expectativa de ser o favorito”, ficando “feliz” por poder vestir a camisola amarela e ter já uma vitória em etapa.

O resultado permite ao francês destronar o holandês Mike Teunissen (Jumbo-Visma), vencedor da primeira etapa e desde então camisola amarela, liderando com 20 segundos de vantagem sobre o belga Wout van Aert (Jumbo-Visma), segundo da geral, e 25 face a Steven Kruiswijk (Jumbo-Visma), terceiro.

É a primeira vez que um francês conquista a camisola amarela em cinco anos, quando Tony Gallopin o conseguiu, e logo no dia em que a 'Grande Boucle' entrou em França, depois de dois dias em Bruxelas.

Nas contas da geral, o russo Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) cedeu muito tempo e poderá ter perdido o ‘comboio’, enquanto os restantes concorrentes ficaram entre os 26 e os 31 segundos de atraso para o primeiro, sendo que o traçado das próximas etapas parece beneficiar Alaphilippe, pelo menos até à sexta etapa, a estreia da alta montanha em La Planche des Belles Filles.

Quanto aos portugueses, Rui Costa (UAE Emirates) foi 41.º, a 31 segundos, e segue no 39.º posto da geral, a 1.28 minutos do camisola amarela, enquanto Nelson Oliveira (Movistar) subiu ao 98.º, após ter sido 97.º, e José Gonçalves caiu para 119.º, após perder quase 14 minutos, sendo 147.º.

Na terça-feira, a quarta etapa liga Reims a Nancy, ao longo de 213,5 quilómetros, com duas contagens de montanha de quarta categoria, a última das quais dentro dos últimos 20 quilómetros.