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Lance Armstrong: "Toda a gente se dopava e eu teria ganhado de qualquer maneira mesmo se estivesse limpo"

Protagonista de um dos maiores escândalos de dopagem da história do desporto, Lance Armstrong promete contar a sua verdade num documentário que estreia na próxima segunda-feira, na ESPN. Nele, o norte-americano diz que se dopou pela primeira vez aos 21 anos e que as substâncias proibidas poderão ter tido um papel no cavalgar do cancro contra o qual teve de lutar em 1996

Lídia Paralta Gomes

Lucas Jackson

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Chama-se "LANCE", assim mesmo, com todas as letras em caixa alta, e a primeira de duas partes deste documentário estreia na próxima segunda-feira na ESPN, dentro da série "30 for 30". Nele, Lance Armstrong promete contar a sua verdade sobre o escândalo de doping que derrubou uma das melhores histórias que o desporto nos contou e que afinal era demasiado boa para ser verdade: a do homem que, depois de bater o cancro, venceu sete vezes o Tour, mais do que qualquer outro ciclista na história.

Em 2013, cercado pela imprensa e pelas revelações de antigos colegas, Lance Armstrong confessou o elaborado esquema que enganou meio mundo e perdeu todos os títulos. Agora, haverá mais revelações, num documentário assinado por Marina Zenovich, que entre março de 2018 e o verão de 2019 seguiu o norte-americano de 48 anos.

Nos teasers já disponíveis, um aparentemente pouco arrependido Lance Armstrong admite que logo no primeiro ano como profissional já se dopava. "A primeira vez que tomei hormonas de crescimento foi em 1996. A primeira vez que me dopei diria que foi com 21 anos. Na minha primeira temporada como profissional já tomava cortisona. A EPO era outro nível", revela, não colocando de lado a hipótese de os seus hábitos terem contribuído para o cavalgar do cancro, em 1996.

"Se fiquei doente por causa do doping? Não posso garantir que não. As hormonas de crescimento têm um efeito estimulante no crescimento de células, é usado para coisas boas. Não faz sentido que, tendo essas células algo de mau, não fossem também elas estimuladas", questiona.

Num documentário em que pede desculpa, mas sublinha que faria tudo outra vez, Armstrong garante que mesmo limpo seria o melhor. "Não quero que isto seja uma desculpa, mas toda a gente se dopava e eu teria ganhado de qualquer maneira mesmo se estivesse limpo", assegura o antigo ciclista, banido para a vida pela União Ciclista Internacional.

"LANCE" revisita ainda a construção mental de Armstrong, a juventude problemática às mãos de um padrasto violento e os primeiros sinais de que o texano não olhava a meios para atingir os seus objetivos: em adolescente já forjava certificados de nascimento para participar em provas de triatlo.

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