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Volta a França: E tudo o vento levou na segunda vitória de Wout van Aert

Belga voltou a vencer no Tour, numa etapa marcada pelo importante tempo perdido por candidatos à geral como Tadej Pogacar ou Mikel Landa. Os culpados? O ritmo da INEOS e o vento, que ajudou a fragmentar o pelotão a 40 quilómetros da meta

Lídia Paralta Gomes

KENZO TRIBOUILLARD/Getty

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Lento, chato, sem incidências. Dizia-se sobre este Tour de 2020. Até que à 7.ª etapa, uma tirada tranquila, pelo menos no papel, com um final em linha, apareceu um dos elementos que os ciclistas mais temem: o vento.

O vento costuma ser impiedoso para os mais desatentos, mais até que uma montanha, e que o digam candidatos à geral como Tadej Pogacar (UAE Emirates), Mikel Landa (Bahrain-McLaren), Richie Porte (Trek) ou Esteban Chaves (Mitchelton-Scott), que numa etapa aparentemente sem história deitaram fora muitas das suas aspirações, ao perder 1,21 minutos, apanhados num corte do pelotão causado, precisamente, pelo vento.

Tudo aconteceu a 40 quilómetros da meta, à saída de Castres. O ritmo da Bora e mais tarde da INEOS surpreendeu muito gente, com o vento lateral a ajudar a fragmentar o pelotão em vários grupos. Os dois principais candidatos, Primoz Roglic (Jumbo-Visma) e Egan Bernal (INEOS), bem protegidos pelos colegas, ficaram no primeiro grupo, mas muitos homens importantes perderam o contacto com o grupo principal, ao qual nunca mais conseguiram aproximar-se.

Azar também para Richard Carapaz (INEOS): o equatoriano seguia no grupo da frente quando furou e acabou por chegar no grupo de Pogacar e Landa. Mais um candidato ao top 10 a perder tempo de forma inesperada.

No final, em Lavaur, e já com poucos homens rápidos na frente, deu para novo espectáculo de Wout van Aert (Jumbo-Visma), que depois do escudar Roglic nos momentos mais complicados da etapa, ainda arranjou forças para discutir a vitória, tornando-se também no primeiro ciclista a bisar nesta edição do Tour, depois da vitória há dois dias em Privas.

Adam Yates (Mitchelton-Scott) cortou a meta no grupo principal e segurou por mais um dia a camisola amarela.

As perdas de tempo desta sexta-feira garantem, pelo menos, que o Tour vai ter necessariamente de animar. No sábado há muita montanha, com uma contagem de 1.ª categoria logo ao quilómetro 59, no Col de Menté, à qual se segue a subida de categoria especial no Port de Balés. Daí, os ciclistas descem para Saint-Aventin, onde iniciam a subida para o Col de Peyresourde, a última dificuldade do dia, uma contagem de 1.ª categoria. A chegada não será em alto, mas os candidatos que perderam tempo esta sexta-feira terão de mexer na corrida para ainda sonharem com um bom resultado em Paris.