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Tour. Numa etapa de nervos, o mais calmo à chegada foi Sam Bennett (até lhe chegarem as lágrimas)

Sprinter irlandês da Deceuninck-Quick Step conquistou aos 29 anos a sua primeira etapa no Tour e no final não conteve a emoção. A 10.ª tirada da Volta a França parecia um passeio à beira-mar, mas as rotundas e estradas apertadas provocaram uma série de quedas que envolveram alguns favoritos

Lídia Paralta Gomes

Christophe Ena/Pool/EPA

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O Tour arrancou chato, sem ataques, mas por estes dias já nem uma etapa em linha pode deixar alguém descansado. Depois de na 7.ª etapa, também aparentemente sem dificuldades, o vento ter provocado cortes no pelotão que apanharam desprevenidos favoritos à geral como Tadej Pocacar (UAE Emirates) ou Mikel Landa (Bahrain-McLaren), a etapa 10, 168,5km entre Île d'Oléron e île de Ré, foi novamente nervosa, apesar de, no papel, parecer apenas um plano passeio à beira-mar.

As constantes rotundas, as estradas estreitas e as mudanças de direção provocariam um sem-número de quedas, com vários homens importantes a irem ao chão, caso de Pocacar e de Guilaume Martin, francês da Cofidis, 3.º da geral.

Apesar do vento ter apenas ameaçado, não causando danos de maior ao pelotão, a recordação do que havia acontecido na última semana deixou as equipas tensas, sempre com um olho na melhor colocação, o que explicará a ausência de grandes tentativas de fuga. O importante era, mais que tudo, proteger os líderes.

No final, em Île de Ré, o sprint seria discutido entre Sam Bennett, Caleb Ewan e Peter Sagan, com o irlandês Bennett (Deceuninck-Quick Step) a levar a melhor, conquistando aos 29 anos a sua primeira etapa no Tour, com a aparente calma com que cortou a meta a ser substituída logo de seguida por lágrimas de emoção na zona de entrevistas, de um ciclista que há muito sonhava vencer na Grand Boucle - além disso, roubou de novo a camisola verde dos pontos a Peter Sagan (Bora), que continua a seco nesta edição do Tour.

Primoz Roglic (Jumbo-Visma) chegou no pelotão e mantém a amarela.

Na quarta-feira, o pelotão do Tour, que esta segunda-feira passou com distinção os testes à covid-19, terá mais uma etapa em linha, 167,5 quilómetros entre Châtelaillon-Plage e Poitiers, com apenas uma contagem de montanha de 4.ª categoria

Mas já se percebeu que, nesta Volta a França, não é por uma etapa parecer fácil que o é na realidade.