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Não foi à primeira, foi à segunda para Lennard Kamna, no dia em que ganhou um Bora e não foi Peter Sagan

Jovem alemão tinha falhado a vitória por pouco na quinta-feira, mas na 16.ª atacou ao longe para ganhar. É a primeira vitória no Tour de 2020 para Bora-Hansgrohe. E, surpresa, por um homem que não se chama Peter Sagan

Lídia Paralta Gomes

Stuart Franklin/Pool/EPA

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Na última quinta-feira, Lennard Kamna atacou nos últimos metros da 13.ª etapa, mas no finalzinho faltaram-lhe as pernas, vendo-se de repente ultrapassado pelo colombiano Daniel Martínez. Esta terça-feira, chegou a vingança.

O alemão da Bora-Hansgrohe aproveitou um ataque de Richard Carapaz (INEOS) na maior dificuldade da 16.ª etapa, uma 1.ª categoria em St-Nizier-du-Moucherotte, para se distanciar definitivamente de um grande grupo de mais de 20 ciclistas que se foi formando ainda na primeira fase da etapa. Na descida, o equatoriano não conseguiu acompanhar o ritmo de Kamna, que ganhou espaço suficiente para atacar sozinho e com tempo a 3.ª categoria que coincidiu com o final da etapa, em Villard de Lans.

Aos 24 anos, Kamna ganha pela primeira vez na Volta a França, num ano de 2020 em que já tinha dado nas vistas no Critérium du Dauphiné, onde foi 8.º, vencendo a 4.ª etapa. Foi também 7.º na Volta ao Algarve. Esta é também a primeira vitória de etapa para a Bora, que por esta altura já esperaria estar na história da edição de 2020, não fosse Peter Sagan estar de costas voltadas para os triunfos.

Kamna é mais um representante da nova geração de ciclistas a vencer neste Tour de 2020, onde os jovens têm dado muito boa conta de si. O alemão junta-se a Wout van Aert (fez esta terça-feira 25 anos), Tadej Pogacar (21 anos), Marc Hirschi (22 anos) e Daniel Martinez (24 anos) como vencedor de etapas.

O pelotão (ou o que restou dele), pouco preocupado com os homens da fuga, todos eles muito atrasados na geral, chegou a quase 17 minutos de Kamna, mesmo depois de Tadej Pogacar, 2.º na geral, atacar na subida final, um ataque rapidamente neutralizado pela Jumbo-Visma do líder Primoz Roglic, mas que ainda deixou em dificuldades alguns homens importantes, como Nairo Quintana (Arkea).

A etapa 16.ª ficou ainda marcada pela continuação do descalabro de Egan Bernal, vencedor do Tour do ano passado, que depois de ter perdido mais de 7 minutos para Primoz Roglic na subida ao Grand Colombier, no domingo, deixou-se ficar para trás em St-Nizier-du-Moucherotte, previsivelmente para ficar livre para atacar numa das etapas de montanha que ainda restam - uma vitória de etapa é, neste momento, a única salvação para o colombiano da INEOS.

E essa tentativa pode surgir já na quarta-feira, na etapa entre Grenoble e Méribel, uma tirada de 170 km com duas contagens de categoria especial: a primeira, o mítico Col de la Madeleine, a cerca de 70 quilómetros da meta e a última no Col de la Loze, ponto mais alto da Volta a França e que coincide com a meta.