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No ponto mais alto do Tour, o vencedor tinha de ser um Superman

Miguel Ángel López, conhecido no pelotão por "Superman", foi o mais forte na chegada ao alto no Col de la Loze, o ponto mais alto do Tour de 2020. Primoz Roglic cortou a meta a 15 segundos do colombiano, ganhou outros 15 a Tadej Pogacar e tem a camisola amarela cada vez mais segura

Lídia Paralta Gomes

Stuart Franklin/Getty

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O Col de la Loze era o ponto mais alto da edição deste ano da Volta a França, a 2.304m do nível do mar, um terreno difícil, irregular, feito de lombas e mais lombas, terrível para os ciclistas. De tal forma que só um Super-Homem para chegar lá acima e cruzar a meta em primeiro. E foi mesmo ele, Miguel Ángel López, colombiano da Astana, bom de montanha como quase todos os que com ele partilham a nacionalidade e o jeito para as duas rodas, a vencer a 17.ª etapa, dando ao mesmo tempo um passo de gigante para garantir um lugar no pódio de Paris, no domingo.

No pelotão, poucos tratam López pelo nome que os pais lhe deram, preferem tratá-lo pela alcunha, “Superman”, lido à espanhola e não à inglesa, não porque o colombiano voe montanha acima, como seria natural, mas porque um dia, ainda juvenil, deu cabo de uns meliantes que lhe queriam roubar a bicicleta, mesmo quando estes lhe deram uma facada na perna.

López está, por isso, habituado a sofrer, e foi a 2 quilómetros da meta que lançou o ataque ao qual nem Primoz Roglic nem Tadej Pogacar conseguiram responder. Roglic, camisola amarela, chegou 15 segundos depois; Pogacar 15 segundos depois do compatriota.

Azarado, mais uma vez, esteve Richard Carapaz. Depois de na terça-feira não ter conseguido acompanhar o ritmo do alemão Lennard Kamna, terminando a etapa em 2.º, esta quarta-feira entrou na fuga do dia, foi o último resistente, mas acabou apanhado a 3 quilómetros do final da etapa - depois do abandono de Egan Bernal, o equatoriano bem que vai tentando tornar este Tour um pouco menos desastroso para a super-INEOS, mas não está fácil.

Naquela que era uma das últimas oportunidades para fazer verdadeiras diferenças, não se pode dizer que o Tour tenha ficado decidido, mas parece quase certo que a luta pela vitória final será entre Roglic e Pogacar, dois eslovenos, vindos de um país de dois milhões de habitantes que agora tem de escolher por quem torcer. Ao ganhar mais 15 segundos ao ciclista da UAE Emirates, Roglic cimentou a liderança, agora com 57 segundos de vantagem. Superman López é terceiro, a 1,26m.

Na quinta-feira há nova jornada com muita montanha, mas a última das dificuldades, uma categoria especial em Montée du Plateau des Gliéres, está a 30 quilómetros da meta em La Roche-Sur-Foron, pelo que não se esperam grandes diferenças entre os favoritos.