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O contrarrelógio que dinamitou o Tour: Tadej Pogacar dá uma tareia a Primoz Roglic e é o virtual vencedor da Volta a França

Roglic, camisola amarela, começou o contrarrelógio final da Volta a França com 57 segundos de vantagem para o compatriota Pogacar. E terminou a etapa 59 segundos atrás do prodígio de 21 anos na geral. Pogacar, na primeira participação no Tour, será o campeão, domingo em Paris, após uma das reviravoltas mais impressionantes da história da competição

Lídia Paralta Gomes

Stuart Franklin/Getty

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Algo assim, talvez só quando Greg LeMond roubou a Volta a França de 1989 na última etapa a Laurent Fignon. Nesse ano, o Tour terminou com um contrarrelógio e o norte-americano tinha 50 segundos de atraso para o francês. Foi campeão com oito segundos de vantagem.

Em 2020, Tadej Pogacar, 21 aninhos, arrancou para a penúltima etapa da Volta a França com 57 segundos de atraso para outro esloveno, Primoz Roglic, o metrólogo certinho que parecia ter o Tour controlado. E tal como LeMond em 1989, no contrarrelógio, Pogacar (UAE Emirates) fez o impensável: ganhou 1,56 minutos nos 36,2km entre Lure e La Planche des Belles Filles e, se nada de anormal acontecer na etapa de consagração, no domingo vai estar nos Campos Elíseos de amarelo para a primeira vitória numa grande volta.

Além da vitória na etapa, um contrarrelógio duríssimo que provocou várias alterações no top 10 da geral, o prodígio Pogacar, vencedor da Volta ao Algarve em 2019, assegurou um feito que só Eddie Merckx, em 1969, se pode gabar: vai terminar o Tour, o seu primeiro Tour, com três camisolas, a amarela, a da juventude e ainda a de rei da montanha. Pogacar tornar-se-à ainda no 2.º mais jovem vencedor do Tour. Mais novo só Henri Cornet, vencedor em 1904, a dias de completar 20 anos.

Para Primoz Roglic (Jumbo-Visma) foi um dia de pesadelo. Os 57 segundos de vantagem para o compatriota pareciam mais do que suficientes para fazer uma etapa tranquila, mas desde o início foi notório que Pogacar estava muito acima de todos, até dos maiores especialistas no contrarrelógio, como Tom Dumoulin, e que Roglic sofria em cima da bicicleta - logo ele que foi a personificação da regularidade ao longo da prova. E quando o terreno empinou, nos seis quilómetros finais, as diferenças foram ainda maiores entre os dois eslovenos. Agora, está a impensáveis 59 segundos de Pogacar.

Num dia surpreendente, um dos momentos mais impressionantes da história recente do Tour, houve outros vencedores, nomeadamente Richie Porte (Trek), o australiano mais conhecido pelos azares do que pelos resultados, que vai subir ao pódio em Paris, depois de terminar a etapa em 3.º e de ver Miguel Angel López (Astana) afundar-se na classificação - começou o contrarrelógio como 3.º e desceu para 6.º.

No domingo, será o día de consagração para Pogacar, no habitual passeio até Paris, 122 quilómetros desde Mantes-La-Jolies até aos Campos Elíseos.