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João Almeida: é português, é ciclista, é o líder da Volta a Itália

Há 31 anos que Portugal não tinha um ciclista a liderar uma das grandes voltas da Europa. Após ser o segundo mais rápido no contrarrelógio que inaugurou o Giro d'Itália, João Almeida foi buscar a camisola rosa na etapa desta segunda-feira, a terceira da prova, e tornou-se apenas no segundo português a consegui-lo, aos 22 anos

Diogo Pombo

LUCA BETTINI/Getty

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O Etna não está morto, apenas adormecido, é o vizinho mais ameaçador que os sicilianos têm, é um vulcão embora eles o tratem por ela, porque para eles o vulcão é uma montanha, apesar de tudo ser uma questão de inclinação, de percentagens, de quilómetros feitos a subir que para um ciclista afunilam em coisas que tem para trepar. Assim foi há 31 anos.

Em 1989, um português nascido em Motalegre, de preferência energizado por uma posta mirandesa embrulhada no fim por um café, foi o mais rápido a pedalar uma etapa do Giro d'Itália que acabou no Monte Etna. Há 31 anos, Acácio da Silva foi o mais rápido a terminar a segunda etapa da prova em pleno Etna e passou a vestir rosa, a cor de quem lidera a classificação da prova. Contemporâneo de Joaquim Agostinho, ainda voltaria a vestir a camisola nessa mesma Volta a Itália.

Não foi a última vez que um português liderou qualquer uma das grandes Voltas da Europa (a França, a Itália ou a Espanha), as mais duras, mais longas (três semanas) e que mais puxam pelo corpanzil de quem nelas pedala. Porque, nesse ano, Acácio da Silva ainda colocaria a camisola amarela do Tour no corpo.

Mas, esta segunda-feira, tanto tempo depois, um português nascido nas Caldas da Rainha, com menos seis anos dos que Acácio da Silva tinha no seu tempo (22 contra 28), voltou vestir a cobiçada camisola rosa do Giro d'Itália, outra vez a pedalar sobre o alcatrão espalmado em piso vulcânico.

João Almeida é o novo líder da Volta a Itália, após terminar os 150 quilómetros da terceira etapa, percorridos à volta do Etna, no 11.º lugar. "Não consigo descrever este sentimento, é um sonho tornado realidade. Tentei fazer o meu melhor na montanha e ficar perto dos favoritos à classificação geral", resumiu, no final, já vestido de rosa, o ciclista da Deceuninck - Quick Step, que ali esteve muito pelo que fez na primeira etapa: foi o segundo mais rápido no contra-relógio, ficando apenas a 22 segundos de Filippo Ganna, o campeão mundial da categoria.

É a primeira vez que João Almeida participa numa grande Volta, que lhe exigirá a companhia da bicicleta durante três semanas pelas estradas do país em forma de bota que já o fez sorrir este ano: em agosto, foi 2.º nos 199 quilómetros do Giro dell'Emilia, prova de apenas um dia. Agora, é o segundo português na história a liderar a Volta a Itália.

O mítico Acácio da Silva: “O meu doping? Um bom café e uma boa posta mirandesa”

Uma das maiores lendas vivas do ciclismo nacional, Acácio da Silva, esteve esta semana em Schengen, na fronteira do Luxemburgo com a França, a convite do ministro do desporto e do primeiro-ministro luxemburguês, para assistir ao arranque da etapa da Volta a França, a prova rainha do cicilismo, onde o ciclista português chegou a vestir a camisola amarela