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Contra ele próprio, contra um relógio e contra todos. João Almeida ainda é rosa

João Almeida foi o sexto mais rápido a cumprir os 34,1 quilómetros que ligaram Conegliano a Valdobbiadene na 14.ª etada do Giro d'Itália, mantendo a camisola rosa e ficando com 56 segundos de vantagem para o segundo classificado (e mais de dois minutos para todos os outros). No domingo virá a última semana montanhosa da prova

Diogo Pombo

Stuart Franklin/Getty

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Curvado sobre a bicicleta, o capacete longo e a respeitar a mesma curvatura, todo um corpo e seus acessórios moldados para bem da aerodinâmica enquanto as pernas locomoviam as duas rodas com que tinha de percorrer, o mais rápido possível, os 34 quilómetros e 100 metros contra ele próprio, frente ao tempo, contra um relógio.

A rosa deu a João Almeida a honra de ser o último a partir e a colocar o seu tiquetaque em andamento, ele a pedalar sozinho e para ele, que é das coisas que o português faz melhor e muitas tem ele feito, porque está há 12 dias vestido com a camisola que identifica o líder da volta que se está a dar a Itália, uma das três principais voltas que há para dar na Europa que tem sido um Giro incrível para o português de 22 anos.

Pedalando sozinho, sem a equipa volta, apenas ele a ser a melhor ajuda dele próprio, o momento mais solitário do ciclismo no qual João Almeida é pródigo, demorou 44 minutos e 11 segundos a ir de Conegliano a Valdobbiadene.

Foi o sexto mais rápido a mandar parar o seu relógio e isso melhorou-lhe o relógio que conta o tempo para toda a gente: reforçou a vantagem na liderança, agora tem 56 segundos para o segundo lugar, do holandês Wilco Kelderman, e mais de dois minutos para os restantes.

Rosado de liderança e rosa no corpo seguirá João Almeida, a sensação e superação em pessoa deste Giro d'Itália que, no domingo, entra na terceira semana que distingue as grandes Voltas das restantes. Será a última parte da prova, a mais árdua e complicada, a que testa os ciclistas que se aventuram para vencer porque não haverá dia sem inclinações percentuais assustadoras e montanhas para serem trepadas a pedalar.

No domingo, serão 185 quilómetros com quatro contagens de altitude pelo meio e na derradeira, a mais de 1.200 metros lá no alto, estará a meta à espera, no fim de uma estrada com 14% de inclinação e uma percentagem muito maior de tipos com energia erradicada do corpo. O maior teste à aventura rosa de João Almeida começará aí.