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João Almeida persiste: quinze dias de rosa é muita rosa

O português segurou a liderança do Giro d'Itália e manterá a camisola para a etapa de quinta-feira, dia que terá uma das etapas mais difíceis da prova. E Rúben Guerreiro mantém a camisola da montanha

Diogo Pombo

Tim de Waele/Getty

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Tranquilo é eufemismo, não há dias tranquilos no ciclismo, nunca os haverá nas grandes voltas, e jamais poderia havê-lo em etapa do Giro com quatro contagens de montanha, a derradeira a inclinar-se durante quase 10 quilómetros até ao cume onde fica a meta.

Mas, durante horas, pareceu que a estrada alcatroava uma etapa tranquila para João Almeida, encafuado no meio do pelotão que perseguia um grupo de fugitivos no qual pedalava ninguém que o pudesse ameaçar.

Ou, bem escrevendo, que fosse um perigo para a sua camisola rosa e para a eventual garantia do 15.º dia consecutivo com ela no corpo. Porque o grupo fugitivo zarpou cedo, aguentou duas contagens de primeira categoria e apenas se começou a desmembrar na tal última subida, a que testa realmente a carne e os músculos do corpo - a fase em que João Almeida já estava no mini-pelotão, sempre na roda da única bicicleta que o preocuparia verdadeiramente.

Por isso, a quatro quilómetros e 800 metros do fim, quando Wilco Kelderman experimentou engatar uma fuga e testou a perseverança do português, ele nem 20 metros de veleidade lhe concedeu. Arrancou também de imediato, colou-se a ele, matou-lhe a recém-nascida tentativa e trouxe o holandês de volta para o resto do grupo.

Depois, levantou o braço e abanou-o - gesto captado e entendido pelo único companheiro de equipa da Quickstep que ali tinha -, acelerou um pouco, colou-se na frente de João Almeida e manteve o ritmo forte até não poder mais.

Tim de Waele/Getty

E para os outros ou um holandês em particular não terem mais ideias.

Esse grupo de João Almeida cruzaria a meta junto, todos praticamente com o mesmo tempo, depois de ultrapassar os resquícios da tal fuga da etapa da qual sobreviveu o australiano Ben O'Connor, vencedor solitário da tirada.

Foi a 17.ª de 21, faltam apenas quatro para tudo terminar e há duas semanas que não dia em que o português, de 22 anos, não seja identificado como o líder do Giro d'Itália e, cada vez mais, como uma surpresa que se assume candidata à vitória afinal.

Quando cruzou a meta, João Almeida tinha a etapa de quinta-feira agendada para arrancar dali a pouco mais de 17 horas. São muitas voltas aos ponteiros de relógio a menos do que quereria para recuperar e preparar-se para os 207 quilómetros da etapa do dia seguinte.

Haverá três contagens de montanha, duas de primeira categoria, a última para ascender rumo à meta. Tem fama de ser das mais duras que Itália tem para ser domada.

Almeida tem 17 segundos de vantagem sobre Wilco Kelderman, segundo, e 2m58s minutos sobre Jai Hindley, terceiro na geral.